Nónioblog

sexta-feira, novembro 18, 2005

Portugal... a voar

Ontem os médicos, hoje os professores, antes os juizes, os polícias, os militares... o Governo resolveu atacar as corporações. Pelo menos, as corporações andam zangadas.
Até concordo (com o Governo), apenas penso que nem sempre a habilidade tem acompanhado os Ministros de José Sócrates. Amordaçados, fariam, certamente, melhor figura.
Estava agora a ouvir a TSF e ouvia um professor queixando-se de algumas “migalhas” e horas que trabalha a mais ou a menos. O que lhe pagam e não pagam e, no final, como sempre, a GREVE. Pois! A GREVE! É quase sempre assim.
E lembrei-me dum episódio que, com certeza, já toda a gente esqueceu.
Há uns anos, a greve da ordem era normalmente dos pilotos da TAP. Queriam ganhar mais, queixavam-se da Administração, de falta de condições, etc, etc.
Até que um dia (11 de Setembro, por acaso), uns terroristas atiraram com uns aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque.
Os pilotos da TAP cancelaram a greve que tinham prevista. Nunca mais falaram do assunto e passaram, provavelmente, a preocupar-se um pouco mais com o que andavam ali a fazer e qual a sua missão.
A TAP era, então, uma empresa à beira da falência, ou de ser anexada por um qualquer gigante. Curiosamente, esse momento de crise da empresa não motivou os pilotos a fazer um esforço. O que os motivou foi apenas o “cagaço” de ver a sua corporação ameaçada. Naquele dia, eles perceberam que não podiam continuar a dar milhões de contos de prejuízo à sua empresa, com greves que nunca lhe resolviam os problemas. Apenas os agravavam. Uma greve numa companhia aérea significa milhões de contos de prejuízo.
O facto, é que as greves pararam. A TAP recuperou-se, o défice deu lugar ao lucro e hoje, a TAP está a comprar a VARIG (falida), tornando-se num gigante da aviação comercial no Atlântico Sul, pelo menos no transporte de cargas.
Mais, a TAP está compradora de outras pequenas companhias, como a Portugália, e acabou de encomendar mais 17 Airbus.
Esta sobrevivência da TAP em tempo de crise não seria possível sem empenho dos pilotos. O que pergunto é se em Portugal só catástrofes ou efémeros “desígnios nacionais” (Euro 2004, Timor, etc) são capazes de mobilizar empenho e dedicação do povo.
Se este exemplo dos pilotos da TAP, da Administração da TAP e de todos o que tornaram o “milagre” da recuperação da empresa possível, não servir para fazer um pouco mais do que por aviões a voar, então professores, médicos, polícias, juizes, militares, e todos os outros (nós), terão perdido uma oportunidade. A oportunidade de sermos todos portugueses e percebermos que, antes do nosso interesse mesquinho, está o nosso interesse colectivo. Se queremos viver num País melhor e termos uma vida melhor, temos que ser nós a fazer esse País, e não esperar que ele aconteça, só porque politicamente aparentamos razão numa qualquer bem montada notícia do Telejornal, às 20h05.

1 Comentários:

  • Sê bem vindo de regresso... és uma lufada de ar fresco na blogosfera... :-)

    por <$BlogCommentAuthor$>, ás 19 novembro, 2005 00:34  

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