Nónioblog

sábado, junho 11, 2005

Em busca da farmácia perdida

Ontem necessitei de recorrer a uma farmácia. Pouco passava da meia-noite. Antes de sair de casa, passei pelo site da Associação Nacional de Farmácias (ANF), em http://www.anf.pt/. Esperava encontrar a farmácia de serviço mais próxima. Logo à partida dei com uma frase estranhíssima, dizendo-me que algumas das farmácias que aparecem não estão de serviço, mas de reforço, sendo que as de reforço não o estão ao fim-de-semana. Ou seja, aparecem farmácias que efectivamente estão fechadas.
Mas ok! Procurei as de serviço. Lá apareceram duas ou três na minha zona. E… assaltou-me uma dúvida. Pois hoje (eram 0:05) já é dia 11. Será que o que aqui aparece são as farmácias de amanhã? Ou serão as de hoje? Forcei o sistema para o dia 10 e continuaram a aparecer as mesmas!
Ok! Tomei nota e lancei-me à noite. Resultado, as farmácias que me eram indicadas no site não correspondiam. Estavam fechadas. Claro que entendi. O site da ANF, a partir da meia-noite indica as farmácias que hão-de estar de serviço no dia seguinte. Não nessa noite. Ora, como as pessoas procuram farmácias de serviço a horas estranhas (por isso estão de serviço) o site deveria estar concebido exactamente para servir as pessoas. Mas não, o site está lá para se dizer que está lá um site!
Mas a aventura não acabava aqui. Vendo que a informação estava errada, dirigi-me a uma farmácia fechada para ver o que lá tinha escrito. E deparei com este cenário: “Farmácias de Serviço: Turno H: farmácia tal tal… etc Turno I: farmácia tal tal… etc! Ora, e eu que adivinhe o que é o Turno I e o Turno H!!!! Mas, depois, lá vi escrito à mão num canto: “Sexta-feira”, no Turno I. Conclui, portanto, que as farmácias do Turno I eram as farmácias de serviço na… sexta-feira?? Será? Mas não estamos já no sábado? Para o site da ANF estamos…
Serão então as farmácias do Turno I as que à meia-noite e trinta de sábado estão de serviço?
Nada como procurar! Pelo caminho em direcção a uma delas, passei por outra. Tinha a cruz a piscar e até pensei que estava aberta! Mas não, fechada. Desta vez, a informação era ainda mais confusa. Havia quatro papeis, dois turno H e um Turno I. À mão, escrito a vermelho, um deles tinha escrito sexta-feira! Curiosamente, era outra farmácia que. Nem as do site nem as da primeira farmácia que consultei.
As mesmas dúvidas e eram 0:45.
Dirigi-me àquela farmácia e estava aberta. Os procedimentos do costume. Toca a campainha, vem o senhor com ar de enfado. Pagamento, pagamento do suplemento! E vamos embora.
À uma da manhã tinha o problema resolvido numa farmácia a 700 metros da minha casa, depois de ter andado muitos quilómetros e depois de muitas dúvidas.
Supostamente, aquelas farmácias deveriam estar a servir-nos, como o site da ANF, como todo um sistema que não funciona, porque não foi feito para as pessoas, porque visa cumprir a Lei e fazer dinheiro. E a Lei não está feita por e para as pessoas, está feita por anormais no Parlamento.
No fim de tudo isto, apenas anseio que venha depressa a venda livre de medicamentos nas bombas de gasolina, nos supermercados e noutros sítios do género. Afinal, depois de todo este processo anacrónico e humilhante, o “farmacêutico” vendeu-me o medicamento, sem receita, como se de rebuçados se tratasse.

quinta-feira, junho 09, 2005

Incêndios

Assalta-me a inteligência, que se chegue a Junho do ano mais seco dos últimos 500 anos e os incêndios se iniciem com um helicóptero e um Ministro a dizer que está a tentar ultrapassar problemas burocráticos para ter mais meios. É um insulto. Dá ideia de que os incêndios chegaram com o calor como por milagre inesperado... Não era nas subvenções dos políticos que deveriam cortar, mas, por exemplo, os dedos dos políticos e mesmo a língua, sempre que estes nos fazem de paspalhos!

terça-feira, junho 07, 2005

O ruído do referendo

Sempre tive muitas dúvidas acerca da eficácia de um referendo. Mais ainda sobre o Tratado da EU. Mais ainda no mesmo dia das Eleições Autárquicas.
Tendo em conta tudo isto e os “não” da França e da Holanda, com a Inglaterra a recuar na intenção de o realizar, manter esta ideia em Portugal só pode ser teimosia.
Até Freitas do Amaral, que não é propriamente exemplo de bom senso, já reparou nisso. Estranho é que Governo, Oposição e Presidente da República não tenham reparado e se ponham de acordo, por uma única vez, para levar a cabo um disparate que, na minha opinião, não só é totalmente ineficaz como é lesivo do conveniente funcionamento das instituições. Nomeadamente, das instituições eleitorais e das autarquias, que se vão ver envolvidas numa campanha absurda, confusa e produtora de ruído, que não lhes diz respeito. De facto, se Vitorino não queria o “ruído” de Freitas, como lhe chamou, deveria ter pensado nisso, antes de ter decidido apoiar um "megafone" sem consequências sobre a Europa (que Europa?), em plenas Eleições Autárquicas. Porque é isso que a campanha pelo "Sim" será. Um "megafone" que nos distrairá do essencial.

domingo, junho 05, 2005

Filhos da Puta?

Um dia, em relação a outra situação, quando me perguntavam numa entrevista se eu saberia explicar porque razão a Imprensa via determinado assunto de determinada forma, eu expliquei: “Penso que isso tem a ver com o facto de uma parte dos jornalistas (boa parte) serem de Esquerda. E de uma Esquerda ressabiada. Além disso, são mal pagos, talvez por não serem bons profissionais. Daí que vejam determinadas questões com inveja e ódio a quem ganha mais do que eles, simplesmente, porque ganha mais do que eles. E são quase todos”.
Esta minha afirmação é em tudo idêntica à que João Jardim proferiu a propósito da questão da sua reforma e da forma como a Imprensa está a tratar o assunto. De facto, embora eu tenha, numa entrevista, respondido da maneira que eu entendi ser a minha, não deixo, por a forma de João Jardim ser diferente da minha, de concordar com ele. De facto, o que ele disse ao chamar “bastardos”, evitando chamar-lhes “filhos da puta”, é a mais pura das verdades.
Quanto ao “estilo”, é o dele. Posso ou não gostar (e até gosto, embora não seja o que eu adopto), mas é o dele. É discutível e ele é livre de ser discutível! O que já não me parece discutível é o conteúdo, por ser tão evidentemente correcto. De facto, a nossa imprensa, continuo a defendê-lo e é mais do que evidente, vive de meia-dúzia de “bastardos”, ou radicais de Esquerda contorcidos e distorcidos de inveja dos que ganham mais do que eles (e são quase todos). E acrescento: são os mesmos que vivem numa esperança vã. A esperança de que, por tanto lamber as botas aos seus súbditos (sejam eles de que área política forem, mas normalmente são os "instalados do corporativismo de Lisboa"), um dia lhes calhe um “tacho” na rifa… tipo, “fazedor de press-releases”.
Pode ser que o Presidente do Sindicato dos Jornalistas tenha, para esses, títulos mais bonitos do que “filhos da puta”, mas então que os aplique e que aplique igualmente a deontologia jornalística à quantidade incrível de vendidos que se passeia no nosso jornalismo. Mas se ele próprio não o quiser fazer - por causa, talvez, dos tais "poderes instituídos e corporativos" -, e em nome do jornalismo, pelo menos não os defenda.

PS: e já agora, não venham os puros com a história da expressão. Se Gabriel García Márquez
pode chamar ao seu livro "Memórias das Minhas Putas Tristes" e todos acham o máximo (mesmo sem lerem), porque razão João Jardim não pode usar a expressão que melhor entendemos todos e, de facto, que melhor se aplica aos "bastardos" em causa? Aliás, ao chamar-lhes "bastardos", João Jardim elogiou os outros. Ou se é "bastardo" ou "legítimo".

sábado, junho 04, 2005

Demagogia

Ou seja, o que pretendem é que o Ministro das Finanças abdique ou da reforma ou do ordenado. Ou seja, o que pretendem é que ele trabalhe à borla! Ao mesmo tempo, querem bons Ministros!
Conhecem alguém que sendo bom trabalhe à borla? Eu não.
Portugal continua a procurar a política mesquinha em vez de se concentrar em resolver problemas.