Nónioblog

segunda-feira, maio 30, 2005

Marcelo Rebelo de Sousa como... Benfica

Quando uma equipa entra em campo e acha que basta a cor das camisolas para ganhar... normalmente perde. A qualidade do futebol vê-se dentro das quatro linhas. Não há vitórias antecipadas. Isto é válido para o futebol e é válido para tudo na vida.
A qualidade do nosso trabalho, as nossas potencialidades, só são interessantes se em todos os momentos fizermos por elas.
Ora, Marcelo Rebelo de Sousa é um dos melhores comentadores que existem. Durante anos ouvi religiosamente os seus comentários radiofónicos e li as suas crónicas. Marcelo, sempre teve um discurso polémico, nem sempre politicamente correcto, nem sempre agradável para o poder.
Ouvia-o sobretudo pela forma como fazia os seus comentários. Pela sua lógica simples, nem sempre consensual, mas simples e bem fundamentada.
No entanto, esse Marcelo de outros tempos perdeu-se.
E perdeu-se porque as suas “gafes” de ultimamente estão a ultrapassar tudo o que é razoável. O sustentáculo das suas argumentações vão-se perdendo em sucessivas trapalhadas e, sobretudo, numa enorme falta de rigor.
Ainda ontem ouvi o “Professor” criticar violentamente o Governo por ter nomeado Nuno Cardoso para a empresa Águas de Portugal… o que não aconteceu! De facto, a “gafe” de Marcelo é tão mais ridícula por quanto foi “picada” de um dirigente do Bloco de Esquerda. Não lhe bastou, por isso, a infelicidade ridícula de criticar algo que não aconteceu, como ainda se sujeitou à réplica de se colar a mais um disparate do bloquista, entretanto já desmentido.
Ainda há muito pouco tempo, o tinha ouvido opinar e “decretar” sobre o caso que opõe Marques Mendes aos “autarcas” vetados. Também aí, Marcelo se colou a opiniões avulsas, sem sustentabilidade, sem a tal “lógica” que o caracterizava e, sobretudo, baseando-se num pressuposto errado, que para o caso faz toda a diferença: “que Valentim Loureiro não é presidente da Câmara de Gondomar”.
Estas “gafes” de Marcelo são apenas a ponta mais visível do “iceberg” em que se está a tornar a sua arrogância e o seu ar presidenciável de segunda escolha, que teimosamente vai mantendo. É que, de facto, Marcelo olha hoje muito mais para a sua gravata, a estante de livros que transporta consigo, o culto da sua própria personalidade, a memória de uma chamada a Belém, do que propriamente a sociedade e a vida política portuguesas.

sexta-feira, maio 27, 2005

A falta de coragem está a tirar-nos o país

Se um dia alguém me conseguir explicar porque razão hei-de eu, que pago portagem na auto-estrada que utilizo, pagar também as dos outros, na gasolina que meto no meu carro e nos impostos que pago, serei um pouco mais feliz.
E não me venham com o desenvolvimento regional. Alguém pode vender essa treta, quando vou a Braga ou Ponte de Lima e pago o km mais caro do país e vou a Viana do Castelo, que é tão longe, e não pago nada? E se for a Ovar também não pago!
Ponte de Lima precisa menos de desenvolvimento regional que Viana do Castelo ou Esposende? E que a Póvoa de Varzim?Estão a brincar comigo. E continuam a brincar comigo. Comigo, e com 10 milhões. Sem que consigam assumir a responsabilidade do estado das contas públicas e, bem pior, o estado da economia.
E como se resolve? Pago mais no carro que compro, na gasolina que meto, no cigarro que não fumo! E no supermercado! Sim, no supermercado. Sobretudo aí! Pago mais, por causa de um crime cometido há anos pelo irresponsável do Guterres, tendo como cúmplices os Governos que se lhe seguiram.
A falta de coragem, para assumir erros, está a custar-nos o país. O país está podre e continua a apodrecer. Estou triste. Triste e pessimista.

quarta-feira, maio 25, 2005

Fernando Gomes também já tem "tacho"

Se alguém esperava menos ou mais deste Governo, relativamente ao(s) anterior(es), os exemplos de que se pode desenganar, aí estão.
Sócrates ficou ontem "chocado" com o déficit, pois eu fiquei chocado com o anúncio de que Fernando Gomes (ex-presidente da Câmara Municipal do Porto) tinha sido nomeado para Administrador da Petrogal.
Se a gestão ruinosa da autarquia não bastasse, Gomes teve uma passagem absurda e efémera pelo Governo, averbando depois uma estrondosa derrota nas Autárquicas, quando quis voltar.
A sua competência como administrador está por demonstrar, diria até, é impossível de demonstrar. A não ser que se contabilize a sua "excelente" vice-presidência no Futebol Clube do Porto, clube ruinosamente dirigido no último ano, precisamente o ano em que assumiu a o cargo.
Fernando Gomes é a imagem do descrédito político, da falta de credibilidade. É a imagem do autarca que já ninguém enganava. É o político desempregado por excelência.Que lhe arranjem outro tacho! Este é demasiadamente importante para os portugueses!
Por todas as mais recentes notícias, e sobretudo pela evidente falta de perspectivas, apetece-me emigrar.

terça-feira, maio 24, 2005

Guterres já tem tacho!

Só espero que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Embaixadores, Governo em geral, etc - que contribuiram para o sucesso desta candidatura - não venham a ser acusados de "tráfico de influências", por terem convencido os outros de que Guterres era o melhor para Alto Comissário para os Refugiados nas Nações Unidas... Freitas do Amaral diz que foi uma "batalha duríssima".

domingo, maio 22, 2005

Os "bobys" alimentados por Pinto da Costa

Já prometi neste blog não falar mais de futebol nacional. E mantenho. No entanto, não posso deixar neste momento de mostrar o meu nojo pelas claques em geral e pela dos “Super-Dragões” em particular.
O que hoje se passou na Avenida dos Aliados, no Porto, não pode esgotar-se no rescaldo que os condicionados jornais farão destes jogos. Num país em que se perseguem contribuintes por terem uma multa de estacionamento por pagar e se gastam milhões para escutar telefonemas absurdos entre árbitros de futebol e políticos à procura de tráficos de influência, escapa à inteligência dos normais que os “macacos” continuem à solta e possam fazer o que lhes apetece.
Mesmo que lhes apeteça recuar aos tempos dos bárbaros. Mas, mais estranho, é que os senhores da Judiciária que perseguem Pinto da Costa, à procura de fruta mal identificada, não consigam relacionar (ou pelo menos investigar) o seu jantar da ontem, com os acontecimentos de hoje. De facto, quais terão sido os conselhos do Presidente da SAD portista ao líder da claque, com quem ontem jantou num conhecido restaurante do Porto? Já agora – e voltando às multas de trânsito – porque razão os agentes da PSP, que mandam rebocar carros na cidade a torto e a direito - e que ontem passaram à porta do mesmo restaurante - não mandaram rebocar da passadeira onde se encontrava estacionado, o Porsche do senhor “macaco”? Será que o não fizeram em respeito à mensagem que esse senhor tinha no seu carro dizendo “SLB – Filhos da P…”?
É claro que, ao jantar, não devem os dois dirigentes – do FCP e dos SD – sequer falado da “fruta” que iriam dar em crianças e senhoras que festejavam a vitória nos Aliados. É também claro que a PSP nada pode fazer quanto a isso. É ainda claro que nem os tribunais podem fazer o que quer que seja. E, finalmente, é pouco claro que isto ainda seja um país.

sábado, maio 21, 2005

Octávio Machado... o novo "autarca modelo", segundo Marques Mendes


Marques Mendes definiu finalmente os seus critérios. Valentim Loureio, Isaltino de Morais e Santana Lopes não podem ser canditados autárquicos... por razões de credibilidade política.
O "pequenino" líder vais mais longe e dá vários exemplos de credibilidade. Credibilidade é Isabel Damasceno (sobretudo se votar nele), Nuno da Câmara Pereira (canta bem) e Octávio Machado!
Octávio Machado???? Sim esse mesmo. Este da imagem! Sim esse. Octávio Machado, o maior intriguista do futebol português, é uma das escolhas de Marques Mendes para candidato ás autáriquicas (em Palmela). Já o estou a ver a vilipendiar vereadores, ministros e, porque não, o próprio líder do PSD dentro de pouco tempo... "vocês sabem do que eu estou a falar"!
Depois destas escolhas, resta saber se Marques Mendes cabe nos seus próprios critérios de credibilidade... para poder continuar a ser líder do PSD.

O princípio do fim do Governo

Ouvi há pouco na Rádio e fiquei a pensar nisto. “Vai haver hospital em Faro e não vai haver portagens na Via do Infante”. Este anúncio, pensei, só pode ter sido feito por um membro do Governo, embora os anúncios feitos por membros deste Governo sejam tão raros quanto falsos, uma vez que, quando raramente se dão, logo o Primeiro-ministro aparece a desmenti-los.
Mas o meu espanto foi total, quando soube que, afinal, o anúncio foi de Jorge Coelho, durante a apresentação do candidato PS à Câmara de Faro.
Jorge Coelho. Esse mesmo. Esse que se demitiu porque deixou cair uma ponte com mais de 50 pessoas em cima. Esse que ou não aceitou ou não foi convidado por Sócrates para ser Ministro. É o mesmo que agora leva um recado de Sócrates.
Ficámos, por isso, a saber, que as obras deste Governo, mesmo as que têm a importância da construção de um hospital central, são agora trazidas por um novo porta-voz. O Coordenador Autárquico do PS. Nem mais. Jorge Coelho.
E logo acrescenta ao anúncio: “está na hora de termos um amigo em Faro”.
Normalmente, os Governos passam um período que alguém designou como “estado de graça”. O estado deste Governo é, no entanto, já de desgraça. É que, os piores dos vícios que vimos no final dos mandatos de Cavaco Silva e de António Guterres, com uma confusão profunda entre Partido e Governo, fazem-se já notar de entrada neste de Sócrates.
Imagino, por isso, que no bolso de Coelho, viaje pelo país, nos próximos meses, um baralho de cartas cheio de trunfos e alguns jokers. Baralho que no verso terá um punho fechado, dissimulado por uma rosa. A cada capital, sairá do bolso do novo “porta-voz” governamental mais uma carta no jogo eleitoral. Um jogo tão perigoso quanto o estado das finanças e da economia em Portugal.
Dito de outra forma, começou o fim triste de mais um Governo em Portugal, sem que nada se acrescente ao país.

sexta-feira, maio 20, 2005

Santana versus Mendes

Vi e ouvi ontem a entrevista de Santana Lopes à Judite de Sousa. E gostei muito. Sinceramente.
Nunca fui grande adepto de Santana Lopes e creio que só por circunstâncias anómalas chegou a Primeiro-Ministro. Mas dou-lhe razão em quase tudo o que disse. E, verdade seja dita, pareceu-me a sua postura, as palavras, a ponderação num nível muito superior ao de Marques Mendes, por exemplo.
De facto, o PSD teve grandes presidentes. Santana Lopes foi a ovelha negra entre esses grandes presidentes. Já Mendes, não será nunca grande, por muito que se estique e se empoleire em falsos moralismos e supostas ropturas que esbarram nos telhados de vidro de quem sempre viveu para e da política.
Ontem, enquanto ouvia Santana Lopes, sem nunca ter chegado a ter saudades dos seus tempos, dei por mim a pensar em Mendes e a imaginar qual o caminho que leva o PSD. Pensei ainda que resultados o país vai dar ao "líder" Marques Mendes.
Na minha opinião, o resultado será mais ou menos evidente. Marques Mendes regressa ao seu “tacho” parlamentar, de onde fará telefonemas para colocar família a amigos nos mais diversos cargos, enquanto Isaltino e Valentim serão presidentes de Câmara, como querem os seus eleitores e os militantes do PSD.
Assim consiga Marques Mendes ter, então, a coragem de Santana Lopes para assumir as derrotas, como ele ontem as soube assumir. É que, nessa altura, receio que o próprio tenha também que assumir que a única roptura que efectivamente o PSD conseguiu nos últimos anos foi com o seu eleitorado. E Marques Mendes deu e continua a dar o seu forte contributo.

segunda-feira, maio 16, 2005

Ode do "chaparro"

Sinceramente. Dou de barato que cortem sobreiros. Aos crimes que por aí vão sendo cometidos, sem que os autores se incomodem muito com isso, já dou de barato.
Aliás, vendo bem, a coisa até poderia ter pernas para andar. Os sobreiros que existem são velhos e ninguém quer plantar sobreiros novos, pois só dão cortiça daqui a 60 anos. Nessa perspectiva, até poderia o próprio corte e replantação ser de interesse público.
Por outro lado, é sabido que essa coisa de sermos lideres mundiais da Indústria da Cortiça tem muito que se lhe diga. É como o Hóquei em Patins, só ganhamos porque os outros não jogam e já não ligam (ou nunca ligaram) muito a uma modalidade em que ninguém consegue ver a bola. Nem mesmo o gajo que se agacha ridiculamente no galinheiro.
Por isso, a questão dos sobreiros resume-se praticamente a alimentar o Amorim, que um destes dias fecha a “loja” da cortiça porque lhe dá muita confusão à cabeça (é sócio do Espirito-Santo, acho eu!). Nessa altura, já nem teremos o que fazer a tanto sobreiro. Aliás, já nem temos hoje.
Eu próprio tenho uns chaparros de família lá na terra, e não há quem lhe queira tirar a cortiça, ou se tira fica com tudo.
E como a uma pessoa normal é impossível sequer experimentar tirar um naco de cortiça em condições a um sobreiro, sem a espatifar toda… enfim, lá se vai a teoria da mão-de-obra e dos postos de trabalho que os sobreiros supostamente ocupam. Isso é um mito alentejano da Reforma Agrária, em que nem os alentejanos acreditam, pois sabem o que é um sobreiro.
Por outro lado, sabendo-se que disputamos numa Europa da competitividade, onde se fala muito de produtividade, talvez valha a pena dizer o politicamente incorrecto: o sobreiro é uma merda, ao nível da competitividade e da produtividade. Afinal, alguém pode acreditar que uma árvore, que só dá alguma coisa de jeito de nove em nove anos, pode competir na Europa do Século XXI? Ainda por cima, de nove em nove anos, há o problema de arranjar uma especializadíssima e cara mão-de-obra para a descascar.
E, falta dizer, que essa coisa da cortiça ser utilizada pela NASA também já não é verdade. Eles já inventaram uma coisa melhor. E os espanhóis também já se borrifam nas rolhas de cortiça nas suas belíssimas “cavas”. Não tarda nada, o Champanhe está também nessa “onda” do plástico, até porque – importante – a verdade é que a cortiça não está na moda. Nem vai estar. A cortiça é feia. A cortiça já foi. A cortiça não tem hipótese de competir com o golfe. O golfe é mais bonito e muito mais rentável.
A questão não está, portanto, no corte dos sobreiros, nem na voz surda dos tolos dos ecologistas, que de estúpidos se colam a ideias esquerdistas e a verborreicos “anarquistoditadores” como Louçã.
A quem disser que o problema é cortar os sobreiros, eu chamo demagogo. Um demagogo sustentado na Lei, é certo. Mas numa Lei morta, como a cortiça e como o Hóquei Patins. Uma Lei aprovada numa altura em que o povo trabalhava, em o Alentejo era o “Celeiro de Portugal”, em que a pedofilia era ignorada, e em que não havia (na Lei, apenas) uma coisa da moda, agora chamada “tráfico de influências”. Nessa altura, era crime dizer mal do Salazar, ser comunista, beber coca-cola e… cortar chaparros.
A questão está, portanto, onde se diz que se não chega a provar nada… nunca. Está no tal “tráfico”. Traduzindo, está no “por que” se fez ou no “por que” se aceitou. Aí poderá estar o crime. O crime que nunca se encontra.
Agora, mesmo que o “por que” nunca se encontre na barra de um tribunal (que é o mais provável), há já algo que deveria dar cadeia e não dá, mesmo que provado. Falo da “chico-espertice” de aprovar um diploma a quatro dias (antes ou depois, sinceramente, tanto me faz) das eleições. Essa esperteza saloia, de miúdo da escola que forja a assinatura do pai para justificar faltas, mesmo que saiba que no dia da reunião de pais se saberá tudo. É isso que deveria dar cadeia.
Porque é nisso que estamos em Portugal. Cada um estuda efemeramente para um teste ou para eleições, forja papéis e políticas e, no fim, seja o que Deus quiser. Quem vier a seguir que feche a porta!
E, deixem-me lembrar, que esta coisa da limitação de mandatos, só vem ajudar a que se esprema a laranja ainda mais, em Câmaras e Governos. Afinal, é certo, desde logo, que não serei eu nunca o mesmo que há-de apanhar as cascas no próximo mandato. Que se lixe, portanto! A cortiça e o País.

sábado, maio 14, 2005

Post do pessimismo

É público neste blog. Estou muito longe de simpatizar com o PS e muito perto de simpatizar com as ideologias preconizadas pelo PSD. Não o escondo. Nunca o escondi aqui.
Contudo, dentro da “tralha guterrista” que começou um ciclo de ruína do país, Sócrates será (e terá sido sempre) o que mais simpatia me despertou. Mas a simpatia de Sócrates não me comove, nem me descansa.
Ele, como os outros que, desde Cavaco Silva, por “lá” passaram, têm-se esquecido de quase tudo. Nomeadamente, esqueceram-se que Portugal é um País, que precisa ser governado. Portugal não se esgota na folha de um papel de jornal, controlado, amaciado e colorido pela gestão de imagem que os seus assessores cozinham.
Mas se Portugal é mais do que isso, é também verdade que Portugal é também isso. E até isso Sócrates nos está a retirar. O direito de sabermos sobre o seu “estado de alma”.
Nos últimos dias, preocupei-me ainda mais com o país, de onde emerge uma classe política aparentemente decadente, suavemente penteada por uma Justiça inapta. Um país onde a cada dado de carácter económico e social, sai um susto de preocupação e perplexidade. E uma interrogação: como é possível Portugal ter deixado escapar a oportunidade de ser Europa?
O pior, é que vejo os capazes serem afastados ou afastarem-se da vida política activa a uma velocidade estonteante. À Esquerda e à Direita. Perdoem-me o pessimismo, mas é com a nulidade de Sócrates que vamos melhorar? Ou será com a oposição de Louçã que vamos levantar o País? Ou será com a prepotência de Marques Mendes? Que longe estão os tempos dos políticos que se preocupavam com as pessoas, em lugar de se preocuparem apenas com a gestão das palavras… ou dos silêncios. Última moda da comunicação.

Este é um desabafo, escrito após ler uma crónica no Público:

"O eng. Sócrates, em geral, não fala e, quando fala, em geral não improvisa ou improvisa pouco. O eng. Sócrates repete a meia dúzia de lugares-comuns que aprendeu para a campanha do PS, e não sai dali. Além disso, não tem estados de alma; há mesmo quem suspeite que ele não tem alma"...
Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, 14-5-2005

quarta-feira, maio 11, 2005

Um líder em crescimento

Em entrevista ao Público, no dia 4 de Abril de 2005, antes do Congresso, portanto, Marques Mendes era questionado:
O que fará com candidaturas em que os candidatos estão sob investigação judicial? Haverá uma regra geral ou não?
Isso implica falar de nomes. E não vou fazê-lo. Depois do Congresso.
Não se pode falar de nomes e vou explicar porquê: a escolha de candidatos é um processo descentralizado e portanto o líder tem que ouvir as estruturas locais e distritais...
Um mês depois, Marques Mendes não baseia escolhas em processos judiciais, veta candidatos antes deles serem sequer votados nas secções concelhias, esquece a opinião das Distritais e centraliza o processo... em si!
Sem dúvida, um líder em crescimento!

Sobre Marques Mendes

A credibilidade não cai do céu. Nem a confiança. Muito menos a autoridade.
Infelizmente, Marques Mendes não o percebeu. Como não percebeu que credibilidade, confiança e autoridade são três coisas que ou se têm ou não se têm. E ele não tem.
O primeiro sinal de que assim é está no facto de ter chegado ao congresso do Pombal como vencedor antecipado incontestado e ter saído com uma vitória tangencial, apenas possível ficando refém de uma tal Isabel.
Depois, Marques Mendes achou que o poder e a autoridade se demonstravam pela arbitrariedade e pelas decisões solitárias e inexplicadas.
Mas, por mais razão que a opinião pública lhe dê num ou noutro caso, o facto é que Marques Mendes falhou na sua imposição de autoridade. E falhou porque “bater” em Santana, Isaltino e Valentim é fácil. Quebrar coligações com o CDS-PP e recuperar o "orgulhosamente sós" é fácil. Fácil de mais, aliás, ao contrário do que se diz, e nem deveria deixar margem a contestações. Contudo, elas existem e não estão para parar.
Marques Mendes, digo eu, esqueceu-se nesta sua fraca tentativa de exercer poder precisamente de se olhar no espelho e de ver que ao seu exercício falta precisamente aquilo que reclama aos que tenta afastar. Falta-lhe credibilidade, quando sustenta as suas decisões em razões subjectivas, arbitrárias e não sustentadas. Falta-lhe confiança, quando decide não explicar as suas escolhas, refugiando-se em eufemismos políticos que não abonam à sua alegada coragem na acção. Falta-lhe autoridade, quando decide exercê-la, no pressuposto de que cresce se decidir ignorar os que mais perto estão do Povo e mesmo o próprio Povo.
Em suma, Marques Mendes esqueceu-se, nestes primeiros passos do seu previsível "relâmpago" na liderança do PSD, de um conceito básico que levou, há 31 anos, “meia dúzia” de portugueses a criar o PPD. Marques Mendes, esqueceu-se que, depois do 25 de Abril, a autoridade, a confiança e a credibilidade, apenas se pode construir tendo por base a democracia. E democracia é, principalmente, decidir... depois de ouvir.

PS: naturalmente, neste novo "design" do Nónio, ainda faltam os links dos meus blogs preferidos na coluna ao lado. Surgirão brevemente.

domingo, maio 08, 2005

Democracia?

Ao fim de mais de um mês de silêncio, regresso ao blog. A falta de tempo, e algum desinteresse pela coisa política nacional, levaram-me a este interregno “higiénico”. Penso que o Eng. José Sócrates, que agora nos governa, anda na mesma linha de silêncio.
De facto, a boa política em Portugal é estar calado. Já funcionava para os Presidentes da República e agora funciona para toda a gente.
E, assim, este é cada vez mais um país de calados. Já toda a gente percebeu. Quanto menos se diz mais se ganha e menos se está sujeito às críticas dos comentadores que, efectivamente, assumem a governação. Tem sido assim com Sócrates, que, praticamente, se limita a “despachar” o que aqueles indicam como certo o politicamente correcto de agora.
Daí que tenha há dias visto num “barómetro”, desses que por aí se publicam, em que os líderes partidários nunca tiveram níveis de popularidade tão positivos como hoje. Não fico admirado com isso. O seu nível era tão baixo, que esta política de se auto-anularem conduz a uma subida de popularidade natural.
E assim vivemos alegremente a nossa desgraça de sermos portugueses. Ninguém diz nada, ninguém contesta o que se diz, porque nada se diz, e como também nada se faz, ninguém pode contestar o que ficou por dizer antes ou depois de se fazer o que quer que seja. Aliás, que normalmente não chega a ser feito.
Vejamos os casos do aeroporto da Ota, do TGV, dos hospitais e de quase tudo que está por fazer neste país. Há anos a fio, anunciam-se e invocam-se estudos para desculpar a incapacidade política de decidir e a incapacidade técnica de arranjar o dinheiro que sustente a decisão.
Entretanto, o futebol entretém bastante, e o “apito-dourado” e a “Casa Pia” entram ao intervalo, para completar as nossas tristes e egoístas “vidinhas”.
O problema, é que somos um povo cada vez mais triste, atrasado, culturalmente desgraçado, sociologicamente retrógrado, politicamente decadente e socialmente egoísta e invejoso. Essa é a verdade. Vivemos num caldo de demagogia, já não apenas política, mas social.
E somos também cada vez menos democráticos. Há dias ouvi alguém (vergonha! não lembro quem) dizer que os povos ocidentais vivem descansados, admitindo que a democracia que os sustenta é eterna e irreversível. Dizia esse “alguém” que não deveríamos ter tanta certeza disso, porque não seria assim tão evidente que as nossas democracias estivessem de "pedra e cal".
Fiquei a pensar em tal afirmação, que considero pertinente e, não sei porquê, vieram-me à ideia algumas situações reais, em quadrantes políticos distintos da vida nacional. Por exemplo:
1. Vivemos num país em que o Presidente da República dissolveu uma Assembleia onde existia uma maioria absoluta que estava a governar. Fê-lo, mesmo que o Governo não tivesse perdido a sua base de apoio parlamentar ou a sua legitimidade democrática.
2. Vivemos num país onde até a extrema-esquerda de Louçã baixa as orelhas reverentemente ao líder, todo poderoso. Um país onde até já os anarcas têm regras… regras duras, rígidas e centralizadas na imagem mediática e propagandística da cara do seu líder… do líder politicamente correcto.
3. Vivemos num país, em que o líder do partido com maior poder autárquico decide sozinho sobre quem são os candidatos às Câmaras Municipais, mesmo antes dos órgãos locais terem sequer votado os seus nomes, borrifando-se nos estatutos do partido, na tradição democrática e na vontade das bases. E decide sem ter de explicar.
4. Vivemos num país onde há todos os poderes de um Estado de Direito, excepto um: o poder judicial, que propositadamente é confundido com manobras que vagueiam entre a boa vontade e competência inglória de meia-dúzia de magistrados e inspectores e a “rede” incompetente e pré-concebida da maioria dos restantes.
5. Vivemos num país, onde as afirmações de três comentadores comandam a vida pública portuguesa, valendo mais do que a opinião dos legitima e democraticamente eleitos.
De facto, dou razão a esse “desconhecido” que esta semana ouvi, e vou mais longe. Será que ainda vivemos numa democracia e até ele, apesar de lúcido, está distraído?