Nónioblog

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Estranho!


Estranho. Hoje (15h50m) fui ao site do jornal O JOGO e deparei com isto...
Será jornalismo? Será engulho? Serão ventos de mudança?

Os limites da demagogia... e da memória

A demagogia tem limites. E esses limites estão na inteligência do Povo. Se esses limites forem ultrapassados, lá se vão os votos.
Penso que José Sócrates os ultrapassou quando disse que iria tirar 300 mil idosos da pobreza, dando-lhes € 300,00. Como é evidente, os idosos e os não idosos sabem bem que:
- Desses 300 mil que vão receber, 200 mil não estão abaixo do limiar da pobreza. Se calhar muitos deles não necessitam de ajuda.
- Dos 300 mil que necessitam realmente de ajuda, 200 mil não vão receber. Não saberão preencher o papel ou não cumprirão formalmente os requisitos estabelecidos pelo futuro governo de Sócrates.
- Dos restantes 100 mil pobres que receberão a ajuda, sendo bem vinda, não sairão do limiar da pobreza, ao contrário do que poderá pensar Sócrates, do alto dos seus apartamentos de luxo e dos seus Mercedes bem equipados.

A demagogia tem também limites quando Sócrates fala das SCUTS para dizer que ninguém vai pagar. Mas todos pagamos, mesmo os que não lá passam (e são a maioria) e são obrigados a pagar estradas que na maioria das vezes não servem para nada e ninguém lhes perguntou se queriam ver construídas. A verdade é que demagogia tem limites, se nos lembrarmos que às mãos do Partido Socialista caiu uma ponte em Entre-os-Rios, enquanto as SCUTS eram construídas. Sócrates promete continuar a pagar a factura desse histórico disparate, mas era bom que explicasse onde vai buscar o dinheiro para fazer a manutenção às pontes que ainda estão de pé ou passaremos os próximos quatro anos a suster a respiração, sempre que tivermos que atravessar um rio.

Infelizmente, além da demagogia, também a memória dos povos tem limites. E a do povo português tem sido muito curta.

Ah! Entendi.

Freitas do Amaral em bicos dos pés diz que gostava de ser candidato às presidenciais.
Pronto, já entendi tudo e as declarações dos últimos dias.

sábado, janeiro 29, 2005

Um poleiro, muitos galos

Se as possíveis candidaturas de Marques Mendes e Rui Rio à liderança do PSD, admitidas em período pré-eleitoral foram tão mal vistas por alguns sectores e comentadores... que dizer dos bicos de pés de António Vitorino? Se é tão inteligente como dizem... deveria ter tido um pouco mais de contenção, não acham? Ler notícia do Público: António Vitorino admite vir um dia a candidatar-se à liderança do PS

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Oportunismo

Uma das mais ridículas figuras do regime democrático disse que ia votar no PS. Vai daí, Sócrates passou dos antípodas de Freitas do Amaral para o elogio rasgado… nem Soares lhe mereceu tanto!
Se Salazar fosse vivo e também votasse PS, passaria a ser um santo para o líder socialista.
Se alguém conseguir melhor título para ilustrar, faça o favor de comentar.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

"PS sem maioria absoluta"

Este é o título com que fui dar hoje ao Portugal Diário. Mas podeia ser: "PSD a subir e PS a descer".
Aquilo que aqui escrevi há uns tempos... continua verdade. Ou seja, a esquerda não tem condições para formar uma maioria parlamentar em Portugal. A não ser que a invente, como quer fazer Jorge Sampaio.
As eleições são só no dia 20, não se esqueçam e já vi sondagens enganarem-se por mais do que 8%...

quarta-feira, janeiro 26, 2005

A irresponsabilidade do Estado

Fernando Negrão, o Ministro da Segurança Social, anunciou que quer envolver mais as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) na luta contra a pobreza e que vale mais o Estado subsidiar estas instituições, entregando-lhes nomeadamente património do Estado, do que ser o próprio Estado a gerir centros de acolhimento, por exemplo. Vai mais longe quando diz que essas instituições têm mais vocação e gerem melhor.
Tem razão o Ministro. Isso é verdade. Mas colocar o Estado como mero financiador/espectador perante a tamanha responsabilidade Constitucional, é muito pouco. As responsabilidades do Estado não se podem esvaziar num encargo mensal, numa alínea do Orçamento de Estado. Não pode um pai divorciado resumir-se à pensão de alimentos que entrega aos filhos. Poderá até dar-lhes conforto, mas deixarão os filhos de o identificar como pai.
Ora, aqui, passa-se a mesma coisa. A responsabilidade social do Estado não é um mero encargo, não é uma qualquer responsabilidade. E nem o Partido SOCIAL Democrata, nem o Partido SOCIALISTA o poderão negar.
Mas as preocupações que me assaltam não são apenas ideológicas, como se poderia supor nas minhas palavras. São também substantivas. O facto, é que não existe controlo sobre as IPSS. Pior, existe descontrolo. As IPSS não são obrigadas a terem contabilidade organizada, contrariamente ao que seria exigível. Quem usa o dinheiro do Estado para tão nobre missão, quem usa o dinheiro da caridade particular para tão elevada função, tem uma responsabilidade que não se pode esgotar num controlo e credibilidade que é fornecido pela boa cara dos mentores de determinada associação.
O Estado tem, por isso, obrigações. Tem a obrigação de controlar e de assegurar que os dinheiros para as mais basilares necessidades e para os mais evidentes direitos constitucionais não são desbaratados, nem poderão jamais ser alvo de apropriação indevida.
O mundo da solidariedade não pode ser pantanoso, duvidoso ou nebuloso, muito menos por um simples “lavar de mãos” do “pai” desta grande família que é Portugal: o Estado Português.
O facto é que se isso hoje acontece (quando vemos instituições absolutamente duvidosas serem financiadas, não pelas suas acções mas pelos interesses de uma ou outra personalidade) o que não será se transferir o Estado todas as suas responsabilidades (e dinheiros) para um sector de actividade que tem certamente uma expressão significativa no PIB. Gostaria, aliás de saber qual é esse impacto, quanta percentagem do PIB passa pelas instituições de solidariedade. Talvez se esses números nos fossem dados, percebêssemos melhor o interesse caridoso e súbito de pessoas como Pinto da Costa, por exemplo. E SIM, volto a falar dessa fraude que é o Coração da Cidade, no Porto (é a que melhor conheço). Uma fraude que ninguém parece querer investigar ou desmontar, quando ainda há dias a responsável da instituição afirmou a um jornal que tinha 625 crianças a seu cargo… não possuindo, afinal, uma única. Ainda ontem vi a RTP em directo dessa instituição onde entrevistou dois "com abrigo", não sendo capaz de mostrar mais do que isso e meia-dúzia de cobertores. A SIC, por sua vez, se quis mostrar solidariedade, levou ela própria o "sem-abrigo" ao "Coração da Cidade" e filmou uma sala às escuras onde supostamente, os carenciados dormiam... mas ninguém os viu!
Se o Estado for sério, far-se-á um estudo também sério. Quanto dinheiro é preciso para dar pão e tecto aos sem-abrigo e às crianças desprotegidas em Portugal? Quanto se gasta actualmente nestas instituições (do Estado e IPSS?). Tenho quase a certeza que se tal estudo for feito, concluímos que o movimento de dinheiro nestas “máquinas” é muito superior ao necessário. Então pergunto: porque continua a haver crianças sem tecto, sem pão, sem carinho e velhinhos sem água quente, como diz o senhor Ministro?
Em vez de “lavar as mãos” será talvez altura, senhor Fernando Negrão, de deitá-las ao trabalho e assumir em pleno a irresponsabilidade que o Estado tem demonstrado nesta matéria.

Novos links e um e-mail de António José Seguro

Nas últimas duas semanas tenho registado uma maior afluência o Nónio, sem que faça muito por isso além de escrever os meus posts diários. Registo com agrado comentários de novos visitantes e que fui linkado em muitos outros blogs.
Além de agradecer a todos a participação, tentei hoje linkar alguns dos que por aqui têm passado, mesmo alguns que sistematicamente discordam de mim. O Nónio é pluralista.
No entanto, que se esqueci alguém, peço que me faça o favor de enviar um e-mail com o link que deseja ver colocado ou simplesmente coloque-o nos comentários a este post. Analisarei é quando o tempo der para isso... prometida também uma limpeza para breve aos blogs obsuletos que por ali ainda moram.
Entretanto, coloquei também na coluna do lado direito links para os sites dos quatro líderes partidários dos quatro maiores partidos políticos. Pelos vistos, a convite do Sapo.pt abriram blogs de campanha.
Não deixa de ser curioso que tenha sido necessário um convite do Sapo para que tal acontecesse, numa altura em que se sabe a importância que os blogs tiveram nas eleições norte-americanas.
É também interessante verificar que evitam os comentários dos visitantes e, em alguns casos, nem sequer colocam um e-mail de contacto.
Vamos admitir que estão mal assessorados, mas não deixa, na minha opinião, de ser uma visão estreita da "coisa" da internet, embora compreenda, pelo menos no caso dos comentários.
Isso mesmo tive ocasião de manifestar aos ditos cujos via e-mail (quando disponível) ou via site oficial do partido.
Nenhum destes quatro me respondeu.
Numa pesquisa de outros blogs do género, encontrei vários de outros "cabeça de lista". Procedi da mesma forma. O único a ter a amabilidade de simpaticamente me responder foi António José Seguro.
Não sei se antes ou depois de visitar o Nónio, como lhe sugeri, mas António José Seguro mostrou uma faceta que confesso não esperava. De facto, não está nem no partido que encaixa nas minhas preferências (conforme é bem evidente) nem é sequer, dentro desse partido, personagem que aprecio. Mas, ao contrário de outros que não o fariam, não posso deixar de o fazer subir um degrauzito na minha escala de Nónios (não lhe vale de muito pois fica ainda muito abaixo da linha de água). Bem sei que a ele não lhe "aquece nem lhe arrefece", mas não podia deixar de publicar aqui estas linhas.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Louçã não esclarece, reafirma!

Quando hoje comecei a ler a crónica de Francisco Louçã no Público, deparei com um esclarecimento.
Pensei. Lá vai o homem desculpar-se das barbaridades totalitárias, cujo cheirinho a União Soviética ou mesmo ao mais duro dos comunismos chineses são indisfarçáveis, que disse no debate frente a Paulo Portas e que tive apenas oportunidade de ver e ler em resumo (não vi o debate).
Embora tenha recebido da área esquerdista da esquerda algumas “desculpas” baseadas na falta de contexto em que as frases teriam sido transcritas, a verdade é que ninguém ainda conseguiu contextualizar… Assim, pensei, “finalmente o próprio Louçã vai dizer-me qual foi o tal contexto ou, na melhor das hipóteses, vai pedir desculpa por ter dito o que, nem no mais dramático contexto faz sentido".
Só que, nem uma coisa nem outra.
Louçã, que começa retoricamente por dizer que "as críticas são bem vindas", acaba a dizer em seis parágrafos aquilo que disse no debate em duas ou três frases.
Para que não se “descontextualize”, fica aqui o link para o texto por inteiro, que o Público faz o favor de publicar ao senhor, em jeito de “tempo de antena”, mas não resisto a citar uma das suas tiaradas.
“A criação da vida é uma responsabilidade e experiência inteiramente pessoal. Ninguém, e provavelmente ainda menos quem a vive, pode tolerar ser tratado com este desprezo infinito da acusação de homicídio pela sua opinião sobre uma lei.”
Esta afirmação parece-me a mim por outras palavras, mais ou menos o que disse no debate, para pior, pois afirma de forma taxativa que o tal “criador de vida”, o tal Louçã que “sabe o que é um sorriso de uma criança”, por sabê-lo – ele mais do que quem nunca soube o que é gerar vida – tem até direito a acabar com esse sorriso. A sua sapiência, a sua experiência de vida, altíssima por ter sido pai, confere-lhe o direito de entender, mais do que os outros, se a Lei deve ou não punir, se a Lei deve ou não condenar, por se terminar com esse tipo de sorriso.
É assim como dizer que quem não tem carro não tem o direito de legislar sobre o furto de automóveis. “Você nunca conduziu, por isso não se meta no assunto. Muito menos no código da estrada. Se há quem morra nos acidentes de trânsito, isso é um problema exclusivo dos que conduzem e andam de carro, que assim têm mais opinião sobre o assunto e podem decidir sobre as mortes na estada e a sua punição”.
A este tipo de argumentação poderia corresponder uma coisa do género: “pois, como o senhor nunca soube o que é governar e nem sequer foi alguma vez Ministro, esteja calado sobre a governação do país e não dê sequer a sua opinião. E como é advogado e não economista, o melhor é mesmo nem falar do deficit porque você não percebe nada disso nem tem o direito de abrir a boca”.
Esta visão esquizofrénica, proveniente de uma cultura de egoísmo, viciada num discurso retórico “tribunalesco”, como se das alegações finais perante um Júri despistado se tratasse, está expressa na famosa frase do debate, mas está também contida neste “esclarecimento” de Louçã que assim, contraria os que por este blog passaram, desculpando-o e afirmando que teria sido uma “frase infeliz”. De facto, não o foi. De facto, não alega Louçã que o tenha sido. De facto, Louçã só não é mais perigoso porque nunca será poder em Portugal.
Felizmente, a política do “cada um sabe de si” não colhe a simpatia dos portugueses. Claro que esse não é um modelo de sociedade liberal, avançado e civilizado. Penso até, que nem de esquerda é. É apenas uma confusão do senhor Louçã, mero sucedâneo de necessidades eleitoralistas primárias que se cruzam com anarquias perdidas pela história há mais de 30 anos a que, tristemente, os nossos media vão dando uma importância exagerada.
É claro que ainda poderia confrontar aqui a contradição de quem se diz contra "modelos de família" e, simulataneamente, ostracisa alguém de um debate político por nunca ter sido pai, mas já não tenho paciência...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

O fim do Mundo.

Ou é o fim do Mundo ou o juízo dos profissionais da Comunicação Social esgotou-se. A RTP dedicou metade do Telejornal a directos de todas as partes do país a mostrar... o frio.
"Está frio em Janeiro!" Esta fantástica notícia é ilustrada com imagens às oito e meia da noite das ruas de Bragança.
"Está tudo a jantar!" Esta fantástica notícia é ilustrada com as ruas de outro sitio qualquer.
Nem um floco de neve ou uma estalactite de gelo.
A notícia do frio previsto, provável, anunciado, natural, repetido todos os anos, gastou milhares de contos em tempo de antena, ordenados, carros de exteriores, energia eléctrica e tempo de satélite.
Está frio. É Janeiro. A notícia do ano, a menos de um mês das eleições.

domingo, janeiro 23, 2005

Vamos ter continuos licenciados nas escolas

António Vitorino na Apresentação do Programa de Governo do PS:

"Não haverá nenhum programa de despedimentos na Função Pública", assegurou António Vitorino, quando confrontado com essa possibilidade, adiantando no entanto que o PS quer também "modificar as regras de mobilidade" dos funcionários públicos, "naturalmente, em Concertação Social e no respeito pelos direitos dos trabalhadores".
No final da reunião da Comissão Nacional do PS, António Vitorino anunciou a nova regra de substituição dos funcionários públicos, caso os socialistas vençam as eleições: "por cada dois que saírem só entrará um novo, que será escolhido por concurso nacional para jovens licenciados".
Essa regra, acrescentou o ex-comissário europeu, "levará a um decréscimo de 75 mil funcionários" no próximo "período de quatro anos", prevendo-se que o número de reformados corresponda a "um terço" dos trabalhadores da Administração Pública.

In Público

Ficámos, por isso a saber, que quando dois “caixas” da tesouraria das finanças se reformarem, vai entrar um jovem licenciado… em economia, pois claro. Conta o dinheiro duas vezes mais depressa…
Ficámos também a saber, que quando duas contínuas da Escola Secundária ali ao lado se reformarem, lá entrará uma jovem… licenciada. Provavelmente uma engenheira ambientalista, pois limpará num ápice as casas de banho que as duas “velhotas” demoravam o dobro do tempo a limpar.
Destas palavras, concluo ainda que dois terços dos funcionários da função pública têm mais de 60 anos (terão??) e não estão lá a fazer quase nada.
Não fiquei a saber se o “concurso público nacional” vai destacar, deslocar e recolocar os jovens licenciados da mesma forma que o dos professores… mas desconfio que será ainda pior, pois já nos vão avisando com a modificação das “regras da mobilidade”. O que é isto? Se calhar era importante que explicassem. Ah! Agora percebo, não é a jovem licenciada que vai para contínua, a jovem licenciada vai para a Câmara Municipal e o funcionário que lá estava (não licenciado) vai limpar as casas de banho.
Por fim, diz-se no Programa de Governo dos Socialistas, que se vai adaptar a idade de reforma à "esperança de vida". Ora, como este indicador está a subir, significa que as pessoas (os funcionários públicos, também) se vão reformar mais tarde. Então, como consegue Sócrates diminuir em um terço o número de funcionários públicos em quatro anos com esta regra?
Certo certo, é que, com o PS, daqui a quatro anos isto será o céu.
E certo é também, que se a política fosse uma pastilha elástica, moldável ao linguarejar de políticos como Guterres ou Vitorino, então José Sócrates seria certamente a “pastilha pirata”.

sábado, janeiro 22, 2005

Inveja ou ignorância?


Ao ler a edição de hoje do expresso.online, deparei com uma daquelas consultas a que chamam "barómetro" e em que os cibernautas votam.
Pergunta-se desta vez "qual dos políticos faz mais marketing?". Poderia aqui debater-me sobre o significado da palavra marketing e sobre a formulação da pergunta, mas passo adiante.
O facto, é que o resultado, quando eu vi, dava uma vantagem de praticamente maioria absoluta ao líder do PSD, Santana Lopes, seguido de Francisco Louçã.
Já a famosa "Central de Informação" tinha provocado na opinião pública uma indignação generalizada, por pretender o Governo criar de forma oficial e estruturada um departamento governamental onde o fluxo de informação gerado pelo Estado pudesse receber um tratamento profissional e sistemático. Anteriormente, assisti à patetice da crítica velada ao facto de José Sócrates ter utilizado durante o Congresso do Partido Socialista um "teleponto", de forma a optimizar a sua capacidade de discurso.
Durante a minha vida profissional, assisti a uma disputa pela provedoria de uma delegação da Santa Casa da Misericórdia, em que o principal argumento do adversário na corrida eleitoral era o seu opositor ter, enquanto provedor, contratado uma agência de comunicação que ajudasse a Santa Casa a comunicar.
E nem sequer vou falar de lobbys e da promoção dos mesmos. Essa palavra "maldita" possui uma conotação altamente negativa em Portugal (só em Portugal), sendo vista quase como um criminoso quem alguma vez resolveu dedicar-se a criar algum.
Na verdade, o marketing, o lobbying, a assessoria mediática, o tratamento de imagem, a criação de estratégias de comunicação ou a utilização de recursos tecnológicos ou outros no sentido de melhor comunicar e fazer passar mensagens ou imagens, são actividades com a mesma nobreza que qualquer outra em qualquer país ocidental e evoluído.
Na verdade, a prestação de qualquer desses serviços é um acto de enorme dignidade quando praticado com rigor, profissionalismo e ética. Na verdade, só a falta de cultura democrática, o retrocesso social, tacanhez de espírito e a hipocrisia podem considerar que ler um "teleponto" ou desenvolver uma campanha de marketing político pode ser reprovável, condenável, pouco claro ou pernicioso.
Na verdade, numa sociedade de grande pressão na informação, de enormes e constantes ruídos e onde as estratégias de desinformação contribuem para despistar do trigo os que só cultivam joio, comunicar de forma eficaz, com verdade e, porque não, com o recurso aos melhores assessores e às mais modernas tecnologias, é sinal de inteligência e deveria merecer a consideração e aplauso do público e dos políticos.
Só que, o que me parece estar implícito naquela pergunta do Expresso, e mais ainda nas respostas, é que se utilizou a nobre palavra marketing como eufemismo de demagogia. Isto é, não tendo "coragem" para tratar os "bois pelos nomes", utiliza-se o instrumento profissional e a dignidade moral de uma classe, insultando-a.
"Fazer marketing" não é nem crime nem condenável, pelo menos não o é nas sociedades evoluídas e culturalmente esclarecidas. Mas se me espanta que a "opinião pública" que visita o site do "Expresso", supostamente das "classes A e B" e, em boa medida também, da franja intelectualóide nacional, manifeste ignorância, já me questiono mais sobre como é possível, a classe jornalística e os profissionais da comunicação em geral, supostamente mais conhecedores e informados sobre estas matérias, criticarem um líder partidário por usar um "teleponto" ou deixarem no ar esta "acusação" de que "tem assessores" ou "faz marketing" como se de um crime de "lesa Nação" se tratasse?
Não crendo que escapa aos directores de jornais e aos jornalistas a utilização de dicionários no seu dia-a-dia de trabalho ou que, "as amplas liberdades" que por vezes reivindicam estão resumidas a dogmas mais ou menos soviéticos nas redacções, e tendo em conta a aptência que os jornalistas têm para, na primeira oportunidade, saltarem para um desses "condenáveis" e bem remunerados lugares, então, só pode ser inveja.

A democracia da esquerda

Pela primeira vez na vida deste blog cito o Abrupto

(JPP) REACCIONÁRIOS
Não constitui para mim surpresa o reaccionarismo do Bloco de Esquerda. É-o muito mais do que se pensa, ocultado pelo folclore das “causas fracturantes” e por uma imprensa que o descrimina positivamente. A frase de Louça contra Portas, que tive ocasião de ouvir numa síntese televisiva (de um debate que não vi)," O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança." é um perfeito exemplo do que daria um pequeno escândalo, fosse o seu autor outro que não Louçã.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Ólho PPR em saldo!

O amigo a que me referi em Dezembro neste post, está confuso!

Nomear ou não nomear...

Ontem comecei por ouvir na rádio que Santana Lopes tinha feito 2500 nomeações desde que foi “despedido”. Pois, à noite, ouvi dizer numa TV que tinham sido mais de 700. Numa outra peça noutra TV, minutos depois, fiquei a saber que tinham sido 74, desde que o Governo estava em gestão, mas mais adiante dizia-se que eram trinta, as nomeações desde a demissão.
Ora, o Governo só é de gestão desde que Santana Lopes se demitiu (recordo que foi ele que se demitiu pois Jorge Sampaio não encontrou base constitucional para o fazer), logo, estar em gestão ou ter-se demitido é a mesma coisa.
Portanto, fiquei a saber que ou foram 2.500, ou foram mais de 700, ou 74 ou 30. Mas não sei quantas foram.
Outra coisa. Nomear é mau?
Ainda outra coisa: quando alguém se despede, demite, morre, muda de poiso, etc, o que deve fazer o Governo, deixar institutos, organismos públicos, empresas públicas sem directores e administradores?

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Uns e os outros

ATENÇÃO: ESTE POST NÃO SE DESTINA DIZER MAL DO PINTO DA COSTA!!!!

Interessante. A imprensa nacional nunca deixou de interrogar os mais variados acusados ou indiciados dos mais variados crimes que ultimamente têm vindo a público. Por vezes, até de forma a indiciar no leitor/ouvinte/telespectador que se trata, efectivamente, de um culpado. E ainda ontem e anteontem o vimos acontecer com Nuno Cardoso.
Bolas!!! Falhou-lhes a todos uma perguntita ou outra a Pinto da Costa. Apesar das oportunidades, dos actos públicos, da presença junto de jornalistas e das longas entrevistas que já deu…
Parece que uma amnésia geral assolou as almas e consciências dos normalmente ávidos jornalistas… mas só em relação a Pinto da Costa.
Pergunto-me: será medo, distracção, auto-censura, compadrio, estupidez, tacanhez, amnésia, falta de profissionalismo, censura, corrupção, influência, pressão, coacção, imbecilidade, anormalidade, falta de tomates, excesso de tomates…

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quarta-feira, janeiro 19, 2005

Mais trapalhada

"eheheh, sabem... fui convidado para vir conversar... eheheheh" (ontem às 20 horas)

"rrrrrrr, sabem... istó é uma cabala. Vivo o PS, viva o PS. Onde me penduro? rrrrrrrrrr" (a mesma pessoa, hoje, às 20 horas)

Dá ideia de que a noite lhe fez mal. Penso que o deviam chamar de novo à PJ. Sai mais bem disposto...

Agora outra coisa completamente diferente:
Sobre os comentários de ontem, tenho a dizer o seguinte. Neste país, viveu-se à margem da Lei durante décadas nas autarquias, no futebol, etc. Não é certamente um mal do Porto e /ou do FCP. A diferença nestes casos, é que, finalmente, alguém com "tomates" resolveu sair do corporativismo politicofuteboleiro que fazia com que os "seguintes" escondessem os pecadilhos dos "anteriores", independentemente da cor política. Nesse aspecto, Rui Rio e Manuel Vilarinho mereciam estátuas por terem quebrado este princípio de corrupto que protege corrupto, numa alternância que não era democrática mas corruptária.
Quando leio certos comentários, parece que os leio noutro país e parece que um presidente do Benfica não foi preso e não está a ser julgado por corrupção...
Em nome da sua presumida inocência, não vi sair ninguém. Porquê? Porque não ganhou campeonatos, senão ainda seria presidente do Benfica e nunca teria sido julgado. Como Nuno Cardoso, ainda sorriria alegremente, caso o PS tivesse ganho as eleições...

Falando de "trapalhada"

“Nuno Cardoso arguido por suspeita de peculato, abuso de poder e participação em negócio” Ler no Público.
É preciso não esquecer que este senhor é o líder local do PS e candidato a candidato à Câmara do Porto pelo mesmo partido.
Trapalhada? E já agora, onde estão as vozes que dentro do PS condenaram Felgueiras no mesmo estado de presumida inocente?

A trapalhada já antes contada pelo "Publico"

terça-feira, janeiro 18, 2005

O verdadeiro voto útil

Na sequência dos comentários ao último post, republico um meu comentário a algumas críticas à foto escolhida para o ilustrar, recordando que este blog é assumidamente contra a hipocrisia.

Pensem lá comigo. Já viram que NUNCA nenhum líder de oposição, candidato a Primeiro-Ministro de um país ocidental, de uma super-potência, anunciou no seu programa eleitoral lutar contra a pobreza dos países do Terceiro Mundo? Ajudá-los, motivar os outros líderes mundiais para essa luta? Nunca. Nunca tal fez parte dos programas eleitorais ou da conversa da treta eleitoral!Já pensaram nisso? E porquê? Porque perderiam as eleições. Sabem porquê? Porque somos todos da mesmas massa amorfa e egoísta que prefere imagens "clean" nos nossos ecrãs e conversas sobre os 3% do deficit ou o diz que disse dos convites ou desconvites.Eles não falam disso porque se falarem disso perdem. A morte de crianças em África não vale votos nem nos Estados Unidos nem em Portugal nem em lugar nenhum.Se a culpa é dos políticos? Não, é nossa. É de quem vota neles. A consciência alisa-se com “delete”, hoje em dia, e desculpa-se com direitos de imagem (?????) sobre o sofrimento alheio. Por uma vez, assumamos, cada um de nós, a nossa responsabilidade INDIVIDUAL nesta tragédia. Uma forma de o fazer é publicar estas imagens. Tenho a certeza se os cretinos dos políticos fossem por elas perseguidas, como o são com o “fantasma” dos 3%, que alguma coisa fariam… para não perder votos, dando um sorriso a mais criança. Assim, o que eles fazem é estradas, shoppings, estádios, comboios, aeroportos, pontes, túneis, para que o nosso ego seja mais fácil de satisfazer, mesmo que, entretanto, morram de fome anónimas crianças. Sem água, sem comida, sem nada, mas com o NOSSO direito de não as vermos.

Não há tragédias boas


Peço desculpa pela imagem. E peço desculpa por existir esta imagem. Ler DUDH
Não há tragédias boas ou más. Há tragédias. Dor. Sofrimento. Mas a dor e o sofrimento das catástrofes naturais é historicamente renovadora. Veja-se o que aconteceu em Lisboa em 1755. A capital portuguesa é hoje uma referência arquitectónica também graças ao terramoto.
Outras zonas do globo conheceram destinos semelhantes, com a força mobilizadora que sempre se segue a uma desgraça e a solidariedade provocada pelo choque a criarem correntes reconstrutivas que acabam por reconstruir, renovar e deixar naquele momento do passado, marcos históricos e referências culturais.
Tem sido assim também com as guerras. Londres, Berlim, Paris, foram cidades trespassadas pelo fogo e pela desgraça por mais do que uma ocasião. Uma, em particular, durante a II Guerra Mundial, deixou Londres, por exemplo, literalmente de rastos. Se quiséssemos, poderíamos ainda lembrar Hiroshima ou Nagazaki, hoje, duas das mais industrializadas cidades do Mundo.
Os marcos históricos desta verdade são evidentes e poderíamos continuar esta lista por muitas linhas.
A mais recente catástrofe, que assolou de forma trágica o sudeste asiático, marcou-nos a todos. Marcou-nos por vários motivos. Pela dor e dimensão da tragédia, pelo insólito e por ter atingido paraísos turísticos. Parece frio, mas é verdade. A onda de solidariedade foi, de facto, proporcional à dimensão da tragédia. Mas só desta vez. Porquê? Porque razão o Mundo se uniu desta forma tão particular DESTA VEZ?
O contraste entre a imagem das águas azuis (onde nós ou passávamos férias ou desejávamos passar férias) e as mesmas águas transformadas numa onda assassina, ameaçou o nosso bem-estar, o e perturbou o nosso sossego. Molhou o nosso feudo ocidental, através de imagens captadas, não pelas habituadas câmaras da CNN, mas também pelas pequenas máquinas de tusrista ocidental.
O facto, é que se uma tragédia tivesse atingido um país como a Mongólia ou o Irão (como ainda o ano passado aconteceu em Ban) o impacto nas nossas sossegadas vidas tinha sido (como foi no passado) outro.
O Iraque, onde tragicamente morrem centenas de pessoas todas as semanas, às mãos de terroristas ou de soldados norte-americanos (tanto faz), apesar da consciência até nos poder pesar, não motiva a mesma solidariedade. Aí funciona sobretudo a solidariedade bélica, institucional, como preço da influência no médio oriente e, claro, do petróleo.
Vem isto a propósito do quê? Hoje a ONU revelou que morrem por ano seis milhões de crianças, quase todas em África. Seis milhões de crianças! Seis milhões. A cada quatro segundos alguém morreu de fome no Mundo. Provavelmente esse alguém está em África. Não tem que comer. E morre.
Dá ideia de que nem nós temos esta consciência, nem sequer há lágrimas que possam chorar esta tragédia. Uma tragédia bem maior, bem pior, que está a decorrer, que está a agravar-se. É como se a onda ainda aí viesse e nós nada fizéssemos.
Só que esta tragédia é bem pior do que todos os terramotos ou maremotos. É uma tragédia que não é motivadora de renovação nem de solidariedade. É como se a onda assassina batesse uma e outra vez. Cada vez mais forte, cada vez mais alto. Cada vez com mais fúria. Cada vez mais assassina.
O que podemos fazer? O que fiz eu? Talvez possamos fazer muito e talvez não tenha eu feito ainda nada. Mas envergonhemo-nos, pelo menos..

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Mantorras


Na minha vida de jornalista, por várias vezes fui confrontado com a necessidade de fazer reportagem sobre assuntos de futebol. Confesso que foi dos maiores sacrifícios que fiz. Mas fiz. Não gostei. Não sabia sequer se estava a fazer jornalismo e não via à minha volta ninguém a fazer jornalismo.
Nas poucas reportagens que fiz, incluiu-se uma do despedimento de um treinador. Além de tudo, procurei olhar o rosto de um homem que via a seu lado um presidente tentar explicar porque razão o mandava embora.
Independentemente de tudo o que não me agradava naquela situação, lamentei o lado (des)humano da situação e a hipocrisia partilhada entre todos. O despedido, o "despedidor", o substituto do despedido (que também lá estava) e os jornalistas, que alimentaram uma conversa absolutamente surrealista, perguntando o que era suposto não corresponder à curiosidade do público e aceitando como resposta o que nada esclarecia.
Desde aí, evitei sempre que pude o tema futebol, dizendo para mim que não haveria reportagem sobre este tema que gostasse de fazer. Enganei-me. Gostava de ter podido descrever a alegria do Mantorras ontem ao marcar um golo mais de dois anos depois...

sábado, janeiro 15, 2005

O alegre país dos disparates

Li esta semana que os semanários generalistas, como o Expresso, passaram o ano a "levar na cabeça", enquanto a imprensa de carácter económico viu as suas vendas subirem significativamente.
Hoje, ao abrir na internet a primeira página do Expresso, percebo uma das razões. É que se até há uns tempos atrás estes semanários procuravam notabilizar-se pela diferença no nível de desenvolvimento e investigação da notícia, actualmente caem cada vez mais na mais mesquinha e desinteressante luta politico-partidária, feita de "bocas" e da procura do cisco no olho alheio.
Pensem comigo desinteressadamente.
Será notícia de primeira página do Expresso o facto de terem sido enviados às embaixadas portuguesas retratos do Primeiro Ministro? Será notícia suficientemente interessante para a maioria dos portugueses o convite e "desconvite" (que raio de palavra é esta que o Expresso foi adoptar a Pôncio Monteiro) a Borges para a Caixa Geral de Depósitos?
Numa semana em que se soube que, afinal, o futuro Governo PS será um decalque em matéria económica do actual Governo PSD e em que o líder da oposição confessa fraquezas importantes, era, se calhar, mais interessante para os portugueses saber sobre o que é que aí vem, em vez de continuarmos "pequeninos" e "embirrados" com esta ou com aquela personagem.
É evidente que já nem falo de O Independente, que continua a tentar mergulhar em águas de S. Tomé e Príncipe, certamente a procurar as audiências perdidas e dos leitores afogados nos disparates diários e semanais que vão sendo o fluxo noticioso nacional.
Entretanto, a pré-campanha vai continuando alegremente, de disparate em disparate, de "fait-divers" em "fait-divers", mas sem qualquer substância política, propostas alternativas e até nomes que dignifiquem o Estado de Direito que supostamente somos.
Digo eu: se a Imprensa quer efectivamente ser o quarto poder, não estaria na hora de o exercer substantivamente, já que todos os outros parecem falhar? Ao embarcar na onda dos desconvites e dos retratos, não estará a Imprensa a desqualificar-se, enfiando-se na mesma carruagem gasta e barulhenta dos tristes políticos portugueses?

PS: enquanto escrevia este post, um anónimo colocou um comentário ao meu post de ontem que julgo poder complementar este de forma perfeita. Repito-o aqui para que todos possam comentar:

Anonymous diz...
Desculpe desviar do tema do post, mas tenho curiosidade em ouvir a sua opinião sobre estes exemplos de jornalismo da treta:

1) O Expresso diz em titulo que A Borges foi convidado para a CGD e que por isso até se demitiu da Goldman-Sachs... depois cita-o em discurso directo a negar tudo isto ("Mas nega ter-se demitido da Goldman Sachs"). Extraordinario não é? Oh! Expresso, quem te viu e quem te vê...
2) O Publico diz, referindo-se a 'varios cavaquistas criticos de PSL': Contactados pelo PÚBLICO para se pronunciarem sobre o PSD, poucos aceitaram falar (...) sobre se vão votar ou não em Pedro Santana Lopes para primeiro-ministro'. Depois, no corpo da noticia, cita somente 3 deles, dois dos quais taxativamente garantem que votarão no PSD, e um outro que, sugerindo o mesmo, responde de forma talvez um pouco mais ambigua (Miguel Veiga: "Aquilo que posso dizer é que nunca votei senão no meu partido." )... Esta visto que o problema mais grave do Pais NÃO É a sua classe politica...

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Em nome da "estabilidade fiscal"

Sócrates vai manter Bagão Felix na pasta das finanças e os 150 mil desempregados no desemprego... não vá haver alguma "destabilização fiscal..."
Modernices!

Trapalhada?

Falando de “trapalhadas”… Este é o futuro de Portugal.
Sócrates fará o que critica a Santana Lopes… assumidamente! Onde estão os comentadores? António José Teixeira, então?
"Sócrates Recusa Descer IRC e Mantém Eliminação dos Benefícios Fiscais"
Ver notícia do Público.
Até às eleições, ainda o veremos contra a co-incineração, contra as SCUTS, a favor das receitas extraordinárias para controlar o défice, pelos hospitais, S.A. e se nos descuidados ainda convida Bagão Felix para Ministro das Finanças!
Por falar nisso, era giro que o PS começasse a dizer quem são os homens do futuro Governo de Portugal...

Esclarecimento

É só para lembrar o(s) mais distraído(s). Embora nunca tenha praticado censura de qualquer espécie neste blog, e porque já por duas ou três vezes senti “ameaça” de comentários sexistas e/ou racistas, não vou tolerar esse tipo de laivos ou apologia.
O Nónio tem opiniões por vezes radicais e bem claras. Sobretudo recusa a hipocrisia. Todos os comentários são bem vindos, mas aqui não passarão, disfarçados de conservadorismo barato, faltas de respeito à vida humana, relacionados com raças, opções religiosas ou sexuais, que implicitamente ou de forma mais explícita possam estar relacionadas com extremistas cujas frustrações distorceram. Esses, terão que procurar outros canais que não este.

Fui claro?

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Os "comentassessores"

Nos comentários ao último “post” surgiu uma questão que lanço agora aqui. A questão das “camisolas” que os comentadores vestem a e minha própria camisola. Em primeiro lugar não tenho problemas em assumir que não visto a rosa e que até vou vestindo a laranja. Agora, não sou nem fundamentalista nem cego. Além disso, neste momento não sou nem jornalista nem comentador.
Mas a questão é boa para um debate aqui no Nónio. De facto, muito se tem falado por exemplo do Luis Delgado, dos seus comentários e do seu emprego. Penso que, na qualidade de comentador, qualquer um pode ter a sua "opinião". O que me faz uma certa impressão, é a ideia de que se a opinião for anti-direita, está tudo bem, se for contra a “esquerda”… aí está um cacique.
É "bem" comentar contra o Governo, contra a direita, contra o PSD, contra o poder, contra o chefe e contra o patrão e ninguém coloca em causa a honorabilidade de ninguém que assim comenta, mesmo que para tal se tenha atropelado os direitos dos visados. Mas se o comentário for incómodo para a esquerda e a "opinião" for favorável à direita, ao Governo, ao chefe ou ao patrão (de vez em quando também têm razão) cai o “Carmo e a Trindade”.
É como se em Portugal houvesse uma espécie de censura subliminar que atinge o sentido crítico de todos. Paira uma ideia de que só se é bom jornalista, comentador, intelectual, se estivermos a favor da esquerda, contra a direita e contra o Governo.
Isso, eu não posso aceitar.
Mas isto foi só um desabafo.
No plano mais técnico, um comentador tem naturalmente a liberdade de comentar, enquanto a sua opinião for útil e o editor entender que é útil. E, naturalmente, sendo uma opinião, pode conter juízos de valor, que normalmente não cabem ao jornalista na sua função “normal”. No entanto, o que não deve (na minha opinião) acontecer, é que o comentador se torne num agente político, desprovido do sentido crítico, o que tornaria a sua opinião inútil.
Creio, sendo isento, que Luis Delgado há muito ultrapassou essa barreira e não é por ser "laranja" que vou modificar esta minha opinião. Sinceramente, já não vejo utilidade nos seus comentários, a não ser pela oposição aos outros. Mas isso é política e não comentário político e não podemos, nesta matéria, entrar na lógica absurda do contraditório ao comentário.
Se até há pouco tempo tinha uma boa opinião em relação aos comentários de António José Teixeira, modifico-a agora, por se terem modificados os seus comentários. Não no conteúdo, pois esse varia conforme a actualidade, mas no sentido sistemático e cego dos mesmos.
Creio que, na mesma medida de Luis Delgado, António José Teixeira (que ainda por cima tem enormes responsabilidades editoriais num jornal - e aí também toda a diferença) já não comenta, faz política. Utiliza os termos do "marketing político" da oposição - já me cansei de ouvir falar em "trapalhada" por tudo e por nada - esquece estrategicamente acontecimentos e factos e os seus comentários deixaram de estar objectivados na realidade para serem objectivados numa finalidade com evidentes intuitos políticos.
É claro que esta é a minha OPINIÃO e, ao contrário do que é o senso comum que paira no jornalismo, não é crime ter opiniões, mesmo quando elas são negativas em relação aos comentadores que fazem de porta-vozes de uma esquerda que, por razões que desconheço, domina a classe jornalística. Uma classe que - digo-o com mágoa - vive um clima quase pressecutório, típico de uma certa esquerda, invejosa dos ordenados dos que ganham mais do que eles... e que são quase todos.
Para finalizar, ouvi há dias um amigo jornalista afirmar que ser assessor político é o sonho de qualquer jornalista… digo eu, que ser assessor político é uma profissão com tanta dignidade como a de médico, jornalista ou sapateiro, mas custa-me a aceitá-la como o “sonho” de um jornalista. O sonho de um jornalista terá que ser... ser jornalista.
Além disso, de uma coisa tenho eu a certeza: ser jornalista ou mesmo comentador político e assessor ao mesmo tempo é incompatível. Daria uma coisa do género "comentassessor". É incompatível, mas ele há por aí tantos que, corporativamente, a classe aceita, alimenta e esconde...

PS: Seria injusto falar deste assunto e esquecer o nome de Mário Bettencour Resendes, que dos comentadores mais mediáticos e apesar das suas funções é dos que melhor vi objectivar as suas opiniões e os seus comentários.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Tenho que reconhecer...

Começa a ser gritante a forma como António José Teixeira está a vestir a camisola rosa nesta pré-campanha. Hoje ouvi-o de novo na TSF ao estilo porta-voz do PS sobre mais um caso de "não notícia" em Portugal: o mergulho do Ministro. A certa altura, a expressão do "comentador" é mesmo do estilo "tenho que reconhecer que..." quando, lá pelo meio, teve que dizer qualquer coisa menos agradável em relação a Sócrates. Este "tenho que reconhecer" é antes o "reconhecimento" de António José Teixeira de que a camisola já está bem vestida e que até já nem deve estar limpa. Queira o destino que não tenha alguém que a lavar no futuro quando aceitar um "job" do género Administrador da PT Multimédia. Não sei porquê, mas esta história dos comentadores começa a parecer-me batida e repetitiva.
As declarações de António José Teixeira a que aludo foram proferidas durante o "Forum TSF" de hoje sobre... "o mergulho". Pois o mais acertado que ouvi, foi a alguém que não é comentador e que simplesmente ligou para lá a perguntar se nos tinhamos esquecido das imagens de Mário Soares em cima de uma tartaruga nas Scheishelles. Essas imagens foram captadas durante quatro dias de "escala" que o avião presidencial, carregado de uma extensa comitiva, entre os quais muitos jornalistas (estaria lá António José Teixeira?), fez naquela es´tância turística. O avião ía para a África do Sul, onde se deslocava Soares oficialmente. Mas as férias nas Scheishelles, fomos nós que as pagámos e as dos jornalistas que lá íam também... nenhum se queixou.
Isto tem a ver com isto, com isto, mas também tem a ver com isto... coisas que já antes eu tinha escrito.

terça-feira, janeiro 11, 2005

O destino da solidariedade

Os portugueses deram sete milhões de euros para as vítimas do Maremoto na Ásia. É sempre bom saber da tradicional generosidade dos portugueses nestas situações. Mas não posso deixar de ser sensível a um comentário que há dias li no Micróbio sobre este assunto e sobre a escolha das instituições a quem se dá.
Ouvi esta semana o médico Fernando Nobre, da AMI, dizer que no caso do terramoto de Ban, no Irão, só cerca de 10% dos fundos recolhidos chegaram à cidade para ajuda humanitária. O resto, perdeu-se.
Ora, a pergunta que faço é, que certeza podemos nós ter quando depositamos com ou sem esforço algumas das nossas poupanças numa conta de ajuda humanitária? Nenhumas, pelos vistos.
Isto passa-se à escala planetária, no caso de um terramoto que mata milhares de pessoas, mas passa-se também à nossa escala. Li há dias que em Portugal há dezenas de milhar de IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social). Perdoem-me se desconsidero alguém, mas a nossa generosidade não vai tão longe e não acredito que na sua maioria sejam realmente o que dizem ser. Que os portugueses estejam dispostos a dar e a ajudar desinteressadamente, acredito, que sejam mobilizadores de dezenas de milhar de IPSS só para ajudar os outros, não acredito.
A maioria delas oferece-me a maior das dúvidas. E se tal se passa à escala planetária, o que fará ao nível caseiro. Mais me preocupo quando sei que as IPSS não necessitam de ter contabilidade organizada e que muitas vezes nem recibos passam. O dinheiro de um peditório, por exemplo, não é controlado contabilisticamente de nenhuma forma.
A questão que se coloca é, portanto, dar ou não a estas instituições. Se há uns anos me sentia, como o mais comum dos mortais, quase obrigado a dar, quando me estendiam a mão ou uma caixinha com o nome de uma dessas instituições, hoje coloco todas as reservas.
Quem são? O que fazem com o dinheiro? Dando a estes estarei a ajudar quem precisa? Ou estarei, pelo contrário, a ajudar a que por detrás de quem me estende uma sigla de IPSS se esconda uma organização sem os fins a que se propõe? Estarei a ajudar ou estarei simplesmente a alimentar um sistema que, em última análise, ajudará os que não necessitam, fazendo aos pobres perder a possibilidade de serem apoiados, por se perder o dinheiro ou os bens na máfia que se me atravessa à frente?
É muito difícil encontrar esta resposta. Tão difícil que a maioria das pessoas prefere fechar os olhos e dar. Descansa a consciência de algumas culpas e sente-se bem. Não pelo altruísmo, mas pelo egoísmo. É fácil dar uma moeda. É mais difícil abrir a porta e dar uma sopa a quem precisa.
Li também esta semana que no Distrito do Porto há três mil destas instituições de solidariedade. Li ainda que só o Governo Civil atribuiu em 2004 quase um milhão de euros de subsídios, arbitrariamente, sem concursos ou verificações. Se contarmos com os donativos de empresas e de particulares e os gastos milionários do Estado, através da Segurança Social, então podemos concluir que, por ano, são gastos milhões de contos em solidariedade em Portugal. Ajudas que deveriam chegar aos mais pobres e necessitados, aos que a vida deixou infelicidade, mas que, numa análise distante mas realista, não chega, em grande percentagem. Se chegasse, não continuaríamos a ver a miséria diária que vemos.
Se são os mesmos 10% que chegaram a Ban, menos ou mais, não sei…
Mas sei uma coisa, num Estado de Direito é precisamente ao Estado que deverá competir a tarefa de nos assegurar que os nossos donativos chegam ao destino. É necessário controlo, contabilidade, profissionalismos, rigor. E isso não existe, neste momento.
Evidentemente, cada um de nós, por mais consciência que tenhamos desta realidade, as imagens da criança que necessita da cadeira de rodas ou da pobreza que se estende à porta de uma instituição de caridade, continuará a comover-nos e a impelir-nos para a dádiva…

PS: tem e não a ver com este assunto e para que tenhamos consciência das realidades. Os portugueses deram 7 milhões de euros para as vítimas do maremoto. Michael Schumacher deu 10 milhões! Seria injusto falar deste assunto e não escrever o seu nome.

Post relacionado Seitas e Aldrabices

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Editorial

Um dia o director do jornal onde escrevia pediu-me que fizesse o editorial. Era chefe de redacção e aceitei.
Ou o texto era bom ou o director preguiçoso, o certo é que na semana seguinte, pediu-me o mesmo senhor que o voltasse a fazer. Fiz. Lá para o quinto ou sexto, escrevi sobre certas “apresentações” a que nós, os jornalistas, íamos. O que lá se passava e que prendas recebíamos.
ALTO! Não pode ser, “tens que tirar este parágrafo das prendas”!
“Não tiro. Ou escreve tu o editorial ou o meu é esse”. Foi o dele… desde aí e para sempre!

Rigor?

Ouvi há pouco António José Teixeira, enquanto comentador da TSF falar do caso dos “banhos” do Ministro Morais Sarmento em S. Tomé e Príncipe. É um comentador que aprecio, pela clareza e pela forma como normalmente expõe os seus pontos de vista. Mas não concordo com tudo o que diz, nem enveredo pela linha de “bater no ceguinho” em que caiu. Muito menos percebo o comentário de que “em período de pré-campanha, era exigido outro comportamento e rigor”.
De facto, penso que não. Creio que em qualquer tempo seria exigido outro rigor. Ou melhor, rigor. Pois não sei, e António José Teixeira também não sabe, se houve rigor.
Terá havido? Não terá havido? Terá esta viajem sido diferente das outras? De tantas em que, se calhar, como jornalista, também António José Teixeira terá mergulhado?
Já uma vez me referi aqui às viagens oficiais e à forma como decorrem e à participação dos jornalistas nas mesmas. Para quem está de fora, como eu, mas que já esteve por dentro, a única coisa diferente nesta é que Morais Sarmento mergulhou sozinho nas águas de S. Tomé…
Quanto a rigor, lembraria a António José Teixeira que ele é necessário no Governo mas também nos jornalistas. Se “importa esclarecer”, como ele disse no seu comentário, talvez fosse importante que a Imprensa nacional o tentasse fazer, em lugar de procurar apenas beber nos comunicados de imprensa da oposição e, amanhã, nos que certamente o Governo fará sobre o assunto.
Lamentavelmente, esta notícia é notícia, não por sê-lo, não pela proximidade do jornalista em relação ao acontecimento, mas porque, precisamente, o jornalista não estava lá, não foi lá, não procurou ir lá, não ouviu as fontes que lá estavam. Simplesmente, “bebeu” um comunicado… da oposição que “com rigor” fez política mesquinha em pré-campanha.
O comentário de António José Teixeira só não me surpreende porque já na semana passada tinha ouvido um outro que me fez recuar. As declarações da Ministra da Educação, justificando que não iria ao Parlamento, são, de facto, lamentáveis. São uma desqualificação ao nosso sistema político, são criticáveis e, no fundo, desqualificam-na a ela. Nisso, concordo com António José Teixeira e com todos os que a criticaram. Mas, de repente, não me lembro de ter ouvido os mesmos criticar António Guterres, o homem que, entre outras acções, teve na sua conduta uma linha de que não fugiu em seis anos: desqualificar o Parlamento.
Enquanto foi Primeiro-Ministro, e apesar das suas qualidades retóricas (por ventura as únicas qualidades que possuía) Guterres levou o país a quase se esquecer de quem dependia e que existia um Parlamento. Os debates parlamentares desapareceram, aliás, das páginas dos jornais e dos resumos dos telejornais, mas não me recordo (pode ser defeito meu) de António José Teixeira (ou qualquer outro comentador) ter criticado o então Primeiro-Ministro de forma tão feroz e aberta… ou talvez me lembre de ter ouvido qualquer coisa a Marcelo Rebelo de Sousa!

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Sr. Presidente

Jornalistas bem CONTRATADOS

“A Câmara Municipal do Porto pretende contratualizar um empréstimo a curto prazo de mais de 2,63 milhões de euros…”
Esta frase, retirada do JN de hoje não vai servir para comentar a gestão autárquica de Rui Rio… Serve antes para mostrar como a Imprensa (toda, e não apenas o JN) consegue, com grande facilidade, “beber” ideias, expressões e até erros de forma sistemática e generalizada.
Há coisas que se dizem, e não só erros como o que ali está escrito, que se vão difundindo e, de tão repetidos, tornam-se verdade… ou quase verdade.
Tem acontecido isso, cada vez com maior frequência e muito particularmente em relação a este Governo e até no futebol. Há quem lance, de repente, uma boca e, sem que se saiba já quem foi, ela é repetida de forma absolutamente sistemática e ostensiva sem que alguém verifique ou procure verificar a verdade. Então, um erro de alguém (propositado ou não) torna-se notícia, perdendo-se o rasto da origem, no fundo, perdendo-se a fonte.
Mas estou para aqui a escrever e, se calhar, muita gente não entendeu ainda onde está o erro… De facto, se procurarmos em qualquer dicionário da Língua Portuguesa (ou de outra língua qualquer) não vamos encontrar a palavra CONTRATUALIZAR!
O que existe é CONTRATO. O acto de estabelecer um contrato é CONTRATAR. É aliás, um verbo altamente aplicado, difundido, e conjugado constantemente há muitos Séculos.
De onde vem, então, a expressão CONTRATUALIZAR??
É claro que ninguém sabe, mas quase posso jurar que a ouvi aplicada pela primeira vez por um político há cerca de três anos, a propósito do Plano de Pormenor das Antas. “Já estava contratualizado…” e “vamos contratualizar…” passaram a ser frases que ouvíamos aos nossos políticos e homens do futebol.
Que eles digam disparates, já nem me faz muita impressão, mas que os jornalistas os repitam, adoptem, sublinhem e difundam, tomando-os como português correcto e como a VERDADE, já me revolta mais o fígado.
E pergunto-me mesmo, se não estaremos todos a ligar o “complicador” quando inventamos um verbo mais complicado, quando existe um tão mais simples, fácil de pronunciar, escrever e conjugar, como o verbo “contratar” para dizermos o que queremos.
O que mais me preocupa até, é que, como digo, sinto na nossa imprensa esta tendência crescente para repetir o disparate de forma sistemática, tornando-o verdade, aceitando-o como facto, sem que para tal procure confirmar. Dá ideia de que hoje, nas redacções, a confirmação das fontes, a certificação dos factos já não é estimulado pelas chefias de redacção e que, o importante, é estar na moda do fluxo informativo.

domingo, janeiro 09, 2005

O irresponsável Sampaio

Jorge Sampaio defendeu um sistema eleitoral que facilitasse as maiorias absolutas…
A JSD fez o melhor dos comentários, afirmando que o Presidente da República tinha revelado uma faceta de comediante até agora inédita.
Penso, contudo, que foi simpatia da JSD, uma vez que há muito Jorge Sampaio vem revelando tendência para nos fazer rir ou chorar, consoante a responsabilidade com que cada um vê os assuntos do Estado.
Pela minha parte, ainda me recordo dos tempos em que os “homens de mão” de Jorge Sampaio, na ressaca mal digerida de sucessivas derrotas eleitorais face ao PSD de Cavaco Silva, clamavam por um novo sistema eleitoral… "porque era muito fácil conseguir maiorias"… Dizia-se então, na Esquerda de Sampaio, que "as maiorias nos aproximavam das ditaduras e que o bom era um Governo minoritário".
A política, as convicções mais íntimas e profundas sobre a democracia e sobre o sistema democrático, de que é pedra basilar o sistema eleitoral, não podem dançar nas ondas do interesse mesquinho político-partidário conjuntural.
Jorge Sampaio, como Presidente da República tem o DEVER de defender esse sistema, de o fazer cumprir e de o alimentar. Sobretudo, não deve denegri-lo, criticá-lo ou sugerir que está errado a mês e meio das eleições, tentando pelas meias-palavras condicionar o voto dos portugueses, como que dizendo, “já que não podemos alterar a Lei para que o PS tenha uma maioria, votem lá nos homens para subvertermos a realidade”.
A realidade, Dr. Sampaio, é que o Partido Socialista, por mais que estique o seu eleitorado, volta a mostrar que não tem base para chegar a uma maioria. Se o PSD já o conseguiu por duas vezes, se a AD já o tinha conseguido antes, se com acordo pós-eleitoral o actual Governo, com uma maioria no Parlamento, foi viabilizado à Direita, já o PS vê as mais recentes sondagens colocá-lo “no limiar” da maioria absoluta, e será difícil imaginar um cenário que lhe seja mais favorável.
A verdade Dr. Sampaio é que, como eu, chegou à conclusão que Portugal não é de Esquerda. Naturalmente, tem um eleitorado flutuante, mas em 30 anos de história o eleitorado foi dando à direita as suas maiorias absolutas (mais de metade do tempo) e à Esquerda as suas minorias. Poderá dizer, como agora, que a soma das Esquerdas é maior do que a soma das Direitas, mas a verdade é que a Esquerda não é somável. Não imagina nem o Dr. Sampaio nem nós, nem o próprio José Sócrates, uma coligação à Esquerda. Se imagina, estará certamente a pensar que grande trapalhada não seria tal soma... que Governo daí sairia.
A verdade, é que o PS, para se aproximar desse limiar, tem que encostar-se à Direita e ao Centro, afastando-se das políticas de Esquerda do PCP e do Bloco de Esquerda.
Mas é também verdade, que essa parece ser mais do que uma tendência. Na verdade, essa tem sido a escolha dos portugueses, que a Direita governe com maioria e que o PS governe sem maioria. O que não vale é alterar as regras, só para que o Jorge Sampaio fique satisfeito e, mais uma vez, seja ele a fonte de destabilização do país. Se o PS governar em minoria, mesmo antes dos portugueses, as oposições ou o Parlamento colocarem a governabilidade do país em causa, já o Dr. Sampaio terá colocado a espada no pescoço de Sócrates, pela recordação destas despropositadas e pouco serenas palavras. Palvras que sugerem a mais básica das batotas democráticas e a mais parola forma de estar, semelhante à da FIA, que mudou as regras da Fórmula 1 porque Schumacher ganhava o campeonato cedo de mais... para que ganhasse apenas mais tarde. O País não é contudo, uma pista de diversões, nem tão pouco as eleições são uma corrida de Fórmula 1.
Democracia, senhor Presidente, é aceitar as escolhas do povo. É claro que já se tinha anteriormente percebido que desconfia Va. Excia. da capacidade do povo português para escolher. Pergunto-lhe: deu-se bem?

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Balanço e comentários ao Nónio

O Nónio já fez meio ano de existência. Como “blogger” sinto-me ainda um novato. Depois de uma fase de criação e de uma segunda que me levou à evolução, creio que encontrei um modelo adequado quanto às funcionalidades deste site. Hoje, talvez por estarmos em novo ano, introduzi algumas pequenas novidades.
O espírito mantém-se, contudo, o mesmo. Na minha perspectiva, um blog é um espaço de liberdade. Não é um portal de notícias nem tão pouco um canal de pareceres jurídicos ou elaboração jornalística. Um blog é, afinal, uma coluna de opinião de alguém que crê poder acrescentar alguma coisa aos que, também livremente, optam ou não por lê-la. E pouco importa se acrescenta ou não, o que importa é que o seu autor não se sinta calado.
Nesta espécie de balanço que agora partilho convosco em voz alta, tenho ainda a dizer que há algo que me irrita profundamente. E que são os que não aceitam opiniões diferentes das suas. Os que vão pelo insulto fácil, como por exemplo aconteceu durante o caso do "Barco do Abordo", largamente discutido neste blog, nem sempre com argumentos ou com opiniões, mas antes com pedras de arremesso aos que livremente tentaram expressar uma opinião diferente dos que defendiam a presença do barco e dos "ódios de estimação" da Imprensa nacional.
Eu próprio, participo algumas vezes em outros blogs com os meus comentários, procurando não me substituir ao seu autor, mas quase sempre direccionando para o Nónio a curiosidade de quem pode, eventualmente, ter interesse comum na minha opinião. Nunca procedi, contudo, ao insulto fácil, só porque o seu autor, de forma livre e no seu direito, apenas resolveu exprimi-la. No fundo, procuro respeitar a propriedade intelectual que reside num blog.
Por essa blogosfera fora tenho visto blogs bem escritos, mal escritos, bem conseguidos, mal conseguidos, com muitos visitantes ou com poucos visitantes. Procurei respeitar todos. Penso que respeitei e que de mim não existem queixas a esse nível. É dessa diversidade, dessa capacidade de aceitarmos que os outros têm as suas verdades, as suas formas de estar, as suas casas, que se faz a democracia. Aqui, neste blog, a minha opinião é a verdade universal. Para mim, pelo menos. Haverá outras, com outras razões.
Aceito, por isso, que dela discordem, mas não aceito “cães de guarda” à porta.
Neste blog, nesta “casa”, o único que terá direito a colocar à porta um “cão de guarda” é o dono desta “propriedade”. Por isso, começa a irritar-me o comportamento de um ou dois navegantes que se plantaram à porta desta “casa” sempre prontos para despejar ruído, sempre o mesmo ruído, quase sempre desajustado com o tema do meu post. São livres de o fazer e a democracia nada pode fazer contra os “melgas” que vão colocando o dedo na campainha e nos tentam pela exaustão vender um produto no qual não acreditamos. Mas podemos desligar a campaínha...
Noutros blogs (em cada vez mais, curiosamente) e sobretudo em blogs de referência, como o Abrangente, Abrupto, Aviz, Causa Nossa, por exemplo, tenho visto os autores impedirem os comentários. O meu compromisso é, contudo, tentar evitá-lo. Mas confesso-me cansado de ver esta “casa” invadida permanentemente por um ou um ou outro “boby”, transformando a área de comentários nos seus próprios blogs... que afinal não têm!
O blogosfera é tão grande quanto a nossa vontade de escrever, mas considero, de facto, uma falta de respeito (além de absolutamente inútil) a insistência de alguns em deixarem comentários do tamanho de lençóis neste blog, servindo-se dessa muleta em lugar de construir as suas próprias casas.
Se há coisa que não aceito (e essa é uma das motivações que levou à concepção deste blog) é que em Portugal haja ódios de estimação públicos, universais, instituídos, onde se tornou “in” ou “obrigatório” ser militante, como “bater” no Primeiro-Ministro ou chamar “trapalhada” a tudo o que alguém diz ou faz. Não compro desses produtos pré-fabricados por dois ou três “fazedores de opinião” que o país é obrigado depois a comer, sem ripostar ou sequer pensar.
Como não aceito também, que pelo contrário, haja tabus institucionais enraizados na nossa sociedade, que castram cada jornalista, cada colunista, cada cidadão quando se trata de apontar o dedo e até a óbvia crítica a óbvias e graves faltas de alguns.
É contra os “protegidos” da opinião pública, que habilmente souberam mexer os cordelinhos da auto-censura, que também se luta neste e noutros blogs e talvez por isso se assista já a movimentos no sentido de impedir a difusão dos blogs.
É com esse espírito de anti-seguidismo que foi criado o Nónio e que um dia ele há-de morrer.
Em tempo de balanço, agradeço a todos os comentários que têm feito, continuem a fazê-los, por favor, mas desde já aviso que não mais irei tolerar que terceiros coloquem “cães de guarda” à minha porta ou “guardas pretorianas” ameaçadoras, muito menos que este blog se torne no "comboio" em que um ou outro rato pretendem embarcar clandestinamente.
O medo da PIDE já lá vai e não deveremos nós, mais de três décadas depois de extinta, deixar que perto ou longe de estádios de futebol ou de sedes partidárias, possa agora surgir uma ou mais Super-PIDE's que nos condicionem o pensamento.
Pois é de pensamento que se trata quando falamos de blogs.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Gala Nónios 2004

Bem… já estamos em 2005 e ainda não elegemos os
PRÉMIOS NÓNIO 2004. Recordo os nomeados

MAIS VALIA ESTAR CALADO
"Desta vez, vai ser para mim. Não vai haver associações de caridade. Os tempos vão maus."
Jorge Sampaio depois de arrecadar 18 mil contos do Prémio Carlos V
"As cabalas existem independentemente das vontades subjectivas de as realizar."
Gomes da Silva interrogado pela AACS

TENHO SAÍDO POUCO
"é inverosímil que alguém com o perfil do Bibi ande à pancada com o Carlos Cruz num sítio público e a imprensa não saiba."
Carlos Cruz em entrevista ao JN
"Em Portugal não há censura."
Santana Lopes a propósito do caso Marcelo

É CAPAZ DE CONCRETIZAR?
"Um dia vou contar umas histórias sobre esse senhor."
José Veiga a propósito de Pinto da Costa
Segunda-feira tenho umas limpezas para fazer."
Alberto João Jardim ameaçando "limpar" o DN Funchal após ter conquistado mais uma maioria

E o vencedor é…

"Desta vez, vai ser para mim. Não vai haver associações de caridade. Os tempos vão maus."
Jorge Sampaio depois de arrecadar 18 mil contos do Prémio Carlos V

Jorge Sampaio é o grande vencedor. Com esta frase ou com muitas outras que contribuíram fortemente para a descredibilizar a política, os políticos e mesmo o Estado. Sampaio foi, de facto, apesar da fortíssima concorrência, o principal factor de destabilização da Governação e do país. Esta frase, este discurso descabido dos tempos difíceis é, além do maior disparate para quem tem, às custas do voto dos portugueses, uma reforma de milhares de contos assegurada, um insulto profundo e agudo para com todos os portugueses. Para com os que não têm emprego, para os que vêem o seu emprego em causa, para os que viram, durante os últimos anos, os seus ordenados reais baixarem. É também uma frase desmotivadora para os que lutam contra isso e um desrespeito aos ideais europeus e nacionais. Sampaio, sem mostrar antes que tinha feito algo por este prémio, mostrou, depois, que o não merecia. Por tudo isso, pelo menos desta vez, o dinheiro ganho deveria ter ido para uma instituição de caridade.

Erro de avaliação

Ao proferir afirmações como as que fez logo após se conhecer que seria candidato a deputado pelo Porto, Pôncio Monteiro cometeu um erro de avaliação. Pôncio sabe que não vale mais do que os dirigentes do PSD em termos eleitorais e saberia, por isso, que nunca poderia confrontar o "status quo" sem "levar na cabeça".
Então, Pôncio Monteiro quando atacou Rui Rio ou estava completamente distraído, diria mais, irresponsavelmente distraído (quem sabe senilmente distraído) – e eu acredito que não estava – ou fez outro tipo de avaliação. Isto é, sendo realista, ele sabia que não "contava" tanto como Rui Rio e, logo, nunca poderia atacá-lo logo na primeira oportunidade, ainda antes de fecharem as listas. Então porque o fez? Fê-lo, de facto, porque acreditou que o Futebol Clube do Porto (ou se quiserem, Pinto da Costa) lhe daria esse peso eleitoral. As suas ligações e o que disse, contava ele, valeriam mais votos ao PSD do que um amuo de Rui Rio.
Enganou-se. Redondamente.
As ondas de choque que daí resultaram, vieram a provar que, mesmo passando por mais uma trapalhada pública, Santana Lopes preferiu não correr riscos e arrecadar a credibilidade que o Presidente da Câmara detém e, sobretudo, o eleitorado que Rui Rio arrasta consigo neste momento. Quanto a Pôncio, "ponta de lança" de ocasião para Pinto da Costa, caiu sozinho na grande área, julgando-se rasteirado por um adversário, mas não percebendo que acabara de tropeçar nas chuteiras da nulidade eleitoral de Pinto da Costa.
Se lesse o Nónio, Pôncio Monteiro saberia que não poderia contar com outra coisa:
ler post "SER PORTISTA NÃO É SER DRAGÃO"

terça-feira, janeiro 04, 2005

Pôncio "fora de jogo"

Depois de se bater no fundo, só já se pode subir. Depois do meu "post" de ontem... Pôncio Monteiro foi excluído das listas do PSD. Pelos vistos, o homem, mal sentiu o cheiro de um lugar de deputado, começou logo no "vou fazer e acontecer" e a disparar contra Rui Rio. Quem não tem nível, não tem. Ponto final.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Sobre a tragédia

A tragédia na Ásia permite-nos a todos sermos um bocadinho mais felizes. Podemos ajudar e com isso, esconder de nós próprios que... nunca ajudamos. África está a morrer há muito, ainda se lembram?

POLÍTICA PORTUGUESA: Bate leve, levemente... no fundo!

A lista do PSD pelo Circulo Eleitoral do Porto começa a ganhar forma. Aguiar Branco é o cabeça de lista, seguindo de Pôncio Monteiro e Marco António Costa.
Quando aqui escrevi há tempos que a política portuguesa era cada vez mais uma escolha do mal menor, não podia estar mais certo.
A lista do partido do Governo no segundo mais importante Circulo Eleitoral é o espelho do lamentável, degradado e degradante panorama político nacional. Começa mesmo a ser desprestigiante falar de política, discutir estes nomes, vaticinar outros melhores, quanto mais pertencer a esta linhagem que constitui hoje a lista de candidatos a deputados, sejam de que partidos forem.
Estou mesmo convencido que muito boa gente, com ambição, qualidade e vontade de se aventurar na vida política e pública, deixa cair as suas pretensões quando se imagina rodeado por “pôncios” e “marcos”. O primeiro destes dois, no seu primeiro comentário público sobre o assunto, fez uma analogia “futeboleira”, tipo “prognósticos só no final”, mas com um pouco mais de boçalidade do que o famoso João Pinto, a quem se pedia sobretudo que jogasse à bola.
O segundo, ainda não falou… felizmente.
Concluo, portanto, que o rasgo de lucidez que o povo portuense terá tido há três anos, quando elegeu Rui Rio para presidente da Câmara Municipal, se perdeu, entretanto, nos trâmites político-partidários, que retiram ao povo, desta vez, a propriedade democrática de escolher os melhores… pois se só há piores.
Desses trâmites político-partidários, resistem apenas os que não são famosos por terem alguma vez feito algo de positivo para alguém. Por outras palavras, não são famosos por serem importantes, simplesmente são importantes por serem famoso. E a sua fama é um equívoco de alguém ou até mesmo dos próprios… ou talvez pior… talvez não seja equívoco.
A única certeza é que… não há em quem votar. Penso que batemos no fundo.

Bem sei que nos tempos da “Queda de um Anjo” já os políticos eram maus e verborreicos, mas, ao menos, nesse tempo, penalizavam os que nem falar sabiam.