Nónioblog

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Um excelente 2005 a todos

A todos, mesmo!

terça-feira, dezembro 28, 2004

A Balada de Hill Street à porta de um infantário

Notícia (CP) e Notícia (JN) e Notícia (PJ) sobre desacatos, violência e agressões no Coração da Cidade (digo, Associação Espírita Migalha de Amor). Ver ainda primeira página do Local Porto do jornal "Público".

Este acontecimento teve o alto patrocínio de Pinto da Costa (principal apoiante da instituição), Luis Filipe Menese (acólito), Narciso Miranda (futuro "sem-abrigo"), Manuel Moreira (Governador Civil?) e Marco António Costa (quem?), repito, Marco António Costa (Secretário de Estado da Segurança Social, que dois dias antes participou num jantar naquela instituição, ouvindo e aplaudindo as críticas ao seu próprio Ministério).
Os intervenientes agradecem ainda à Polícia Municipal nunca ter encerrado uma casa que funciona sem licença ou alvará e à Câmara Municipal do Porto nunca ter assumido a sua autoridade.

Ler post relacionado em Seitas e Aldrabices

domingo, dezembro 26, 2004

Boas Festas

O NónioBlog está a descansar.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Elogio à co-incineração... de Sócrates

Eu sou a favor da co-incineração. Quando queimaram o Ferro Rodrigues esqueceram-se de co-incinerar o Sócrates e a “tralha guterrista” que permanece a céu aberto no aterro socialista. Na verdade, neste caso, a reciclagem não foi a melhor solução para o ambiente.

PS: já agora, quando cair o próximo Governo PS (o que deve acontecer logo depois das próximas autárquicas), aproveitem e adubem qualquer coisa com o Pinto da Costa. Além de queimado, como disse alguem num comentário um dia destes neste blog, já cheira mal... e já que anda outra vez a encostar-se ao PS... (este Post Scriptum é especialmente dedicado a todos os anónimos que costumam comentar neste blog).

sábado, dezembro 18, 2004

Pinto da Costa faz-se a um lugar...

É curioso ver como alguns personagens que têm andado distantes ou da política ou do Partido Socialista se começam já a fazer "ao bife", no pressuposto de que o PS será poder. Pinto da Costa é um deles, tentando testar a sua capacidade política e, sobretudo, eleitoral, ao afirmar que vai defrontar Rui Rio nas próximas autárquicas.
Só que, Pinto da Costa, vale, na minha opinião, qualquer coisa como zero ou abaixo disso em matéria eleitoral. Recordo aqui mais um post premonitório escrito há relativamente pouco tempo "Ser portista não é ser Dragão".

quarta-feira, dezembro 15, 2004

O novo Rocco Butiglione


PSD e CDS PP decidiram fazer um acordo pré-eleitoral, mas concorrer separadamente às eleições legislativas. Tal, bem como os governos de coligação, como os que tivemos nos últimos dois anos, é o "pão-nosso-de-cada-dia" da Europa Ocidental.
Em Portugal, continuamos contudo com uma visão um pouco enviesada da política e da necessidade de encontrar soluções políticas para o país.
Assim, no dia em que dois partidos apresentam de forma clara, objectiva e honesta as suas intenções, os esquerdistas (que escondem no bolso as soluções que não têm para o dia a seguir às eleições) que não parecem ver na democracia outra solução que não o absolutismo, o PS (como os outros) parte ao ataque, demonstrando que a campanha eleitoral se vai centrar não nas ideias mas na continuação do acto de destruição do Governo.
Só que José Sócrates, ao dizer em tom crítico que o anúncio do PSD e CDS PP não se tratava de um "casamento", mas de uma "união de facto" pareceu incorporar um juízo de valor grave em relação aos que optam por essa forma de estar na vida. De facto, a crítica ao compromisso dos dois partidos que se lhe opõem ser feita através dessa imagem é bem capaz de ter ofendido muitos portugueses. Por tão pouco, um italiano (Rocco Butiglione) quase desgraçou a candidatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia.
Olha se a campanha em Portugal descamba para comentários preconceituosos e retrógrados como este e outros começam a comentar os trejeitos homossexuais de alguns dos candidatos, por exemplo?

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Quem derrubou o Governo ou o que é um PPR

“Mexeram-me no bolso”, diz um amigo. “Tiraram-me os benefícios dos PPR e eu vou votar na Esquerda pela primeira vez”, repete furioso.
“Mas não achas assim socialmente mais justo? Dar o benefício aos que menos ganham, em lugar de o dar aos que mais podem arriscar 1.500 contos no fim do ano?”, pergunto.
“Não sou dos mais favorecidos”, repete, furioso, “Eu contrai um empréstimo para fazer aforro”!
Ou seja, este meu amigo, tão amigo que não lhe levo a mal, acaba de descodificar a demagogia e indicar porque razão caiu este Governo.
Os bancos, os que não pagam impostos graças a um sistema tributário absurdo e construído para estar de olhos fechados em relação à banca, iam perder. E iam perder por várias razões.
Primeiro, porque iam começar finalmente a pagar impostos. O primeiro sector do país, a banca, quase não paga impostos hoje. As mudanças que Bagão Félix estava a introduzir, iam começar a alterar este estado de coisas.
Mas há mais. Como diz este meu amigo, a própria banca fazia sem pudor publicidade a uma “estrangeirinha” bem nacional às custas do Estado. Ao cliente, era oferecida a “pedra filosofal”, isto é, “Faça uma poupança… não tem dinheiro? Nós emprestamos”. Ora, tecnicamente isto seria um suicídio. Pois se as taxas de empréstimo serão sempre superiores às de depósito em qualquer parte do Mundo. Tal, apenas é possível em Portugal porque o Estado paga para que este disparate aconteça. Isto é, o cliente perde 200 contos (por exemplo) na operação (ás vezes muito mais, mas apenas o vai sentir dentro de uns anos, pois ficou com uma dívida que reparte por 10 anos, por exemplo), mas por outro lado ganha no IRS, que vê descer em 400 contos por ter feito a dita poupança.
Quanto ao Banco, ganha duas vezes. Ganha porque vê o cliente subscrever um PPR, retendo capital a uma taxa que lhe vai a ele valer muito mais do que isso em empréstimos, e consegue simultaneamente uma coisa fantástica, que é duplicar o cliente, transformando-o também num devedor, cobrando-lhe juros que, de outra forma, nunca veria entrarem nos seus cofres.
A ideia de que esta operação matemática impossível é boa para a economia pois estimula o aforro é absurda, já que, na maioria das vezes, as pessoas não estão a aforrar, mas sim a contrair dívidas e a pagar serviços que nunca pagariam de outra forma caso o Estado não lhes desse um bónus absurdo.
Contas feitas, entre juros e comissões, o cliente pouco ganhará, o Estado perde, os que não têm possibilidade sequer de contrair um empréstimo morrem de fome e os bancos enchem-se, de dinheiro e de lucros. Conseguem, aliás, uma coisa extraordinária, que é depositar dinheiro neles próprios, sendo eles mesmos os seus próprios clientes, às custas do Estado e da ilusão do cidadão de que, “Isto é que é um país. Isto é que é Portugal”.
Há ainda outra teoria nesta história. A teoria de que, "assim, pego no dinheiro e compro uma máquina de filmar". Pergunto eu: "e não comprarias na mesma com o reembolso do IRS? Mantendo um PPR de que não precisas e um empréstimo que te endividou?"
É estranho que o primeiro Governo a tentar acabar com isto tenha caído da forma tão surrealista como caiu este, depois de uma série de pessoas ligadas à banca terem mandado umas bocas nos jornais e mesmo à porta de Belém.
Que a morte de Sá Carneiro tenha sido, para muitos, estranha e as razões só hoje comecem a surgir à luz do dia (ou talvez nunca) já sabíamos. Esperemos que a história de Portugal, reescrita daqui a 30 anos não venha a estabelecer causas e efeitos entre o que aqui falo e o que por aí se fala: o ataque à banca e a dissolução do Parlamento.
Se olharmos o passado recente, vemos que este nem sequer foi o primeiro "ataque" nesta legislatura ao escândalo que significam os lucros da banca às custas do Estado, pois já com as bonificações do crédito à habitação se passava a mesma coisa. A bonificação era utilizada, não só a favor do contribuinte, mas sobretudo para que os bancos praticassem, de base, taxas de juros mais altas, conseguindo um lucro absurdo, às custas de um benificio que deveria ser do cliente. Manuela Ferreira Leite foi quem acabou com isso e hoje, as taxas para os jovens baixaram radicalmente. O crédito para os jovens não é hoje mais caro, os lucros dos bancos são muito menores. O Estado (recordo, somos nós) já não sustenta hoje esse sistema.

PS: sim, sim, concordo, Santana Lopes não foi grande espingarda... mas Guterres foi melhor?

Plebiscitar o plebiscito

O Presidente dissolveu a Assembleia dizendo que era preciso devolver ao povo a escolha. Esta frase tinha sido repetida insistentemente pela Esquerda e Extrema-Esquerda desde há uns tempos. Aliás, é caricato verificar que apesar de “levar na cabeça” a cada acto eleitoral, o Partido Comunista e a outra Extrema-Esquerda quer insistentemente eleições, a toda a hora e umas a seguir às outras. Dá ideia que, se não vencerem pela razão, hão-de um dia esgotar-nos a paciência e vencer pelo desgaste.
De qualquer forma, o povo, o que tinha há dois anos eleito esta Assembleia por quatro anos, vai de novo ser chamado a eleger uma outra.
Não sei qual vai ser o resultado (alguns parecem já saber, mas eu não sei), mas seja qual for, se há conclusão que não poderemos dele tirar é que o povo queria eleições. Isto é, o povo, o mesmo que elege há 30 anos deputados que construíram e têm vindo a retocar uma constituição, nunca clamou por legislaturas de dois anos.
Ora pergunta-se, então, porque razão decidiu Sampaio alterar este estado de coisas, dissolvendo antecipadamente a Assembleia assim que lhe dá na gana e não quando os próprios preceitos constitucionais o indicam?
Porque se esgotaram as soluções? Que soluções? Não foi sempre capaz a Assembleia de indicar um nome para liderar o executivo? Não foi ele mesmo, o Presidente, que o aceitou?
Tanto que estavam cumpridos esses preceitos, que não conseguiu encontrar na Constituição algo que lhe permitisse demitir o Governo. O “regular funcionamento das instituições” manteve-se, conforme a Constituição determina e, com isso, a legitimidade do Governo.
A dissolução da Assembleia é, portanto, um acto isolado, quase pessoal, e não veicula a opinião popular, da forma como a nossa Constituição a consagra e que define quatro anos como o período em que essa opinião é válida.
A presunção de que o povo queria eleições, de que é ao Povo que tem que ser devolvida a palavra é, no mínimo, uma presunção de que a Constituição está profundamente errada, de que o nosso sistema político faliu.
Em última análise, os defensores de constantes eleições, de permanentes referendos, deveriam ter, desta vez, pedido um novo referendo, convidando os portugueses a responderem se querem eleições, ou se a sua opinião, manifestada de forma inequívoca para quatro anos, permanece a mesma.

Na verdade, esse “plebiscito ao plebiscito” seria política e democraticamente tão absurdo como a actual situação, que atira a ideia de representatividade dos deputados perante os seus eleitores para as “ruas da amargura”… ainda mais do que estava.
E não vale recordar o passado, pois se no passado houve dissoluções antecipadas, elas resultaram do impasse político a jusante e a montante da Assembleia, tornando-se o Parlamento num verdadeiro “empecilho” ao funcionamento democrático.
Desta vez, por mais que alguns gostassem e outros não deste Governo (eu era dos que não gostava, como desde logo se prova neste blog) ficou por cumprir a democracia. Esta decisão, de facto, não corresponde à vontade popular expressa. Essa é a única verdade!

Com estrondo

O Governo caiu. O abalo foi sentido em todo o país.
Esperemos é que o gajo que o empurrou não se venha a arrepender outra vez daqui a quatro meses...

sábado, dezembro 11, 2004

Trapalhada

O Governo é incompetente, por isso dissolvo o Parlamento.
O Orçamento não presta, por isso aprovo-o.
Os aumentos salariais são insignificantes, por isso são essenciais.
A descida do IRS é uma irresponsabilidade, por isso aprovo-a.
Portugal precisa de estabilidade, por isso deito abaixo uma maioria.
O Conselho de Estado tem que ser ouvido para tomar a decisão, por isso oiço-o no fim de tudo.
Teria sido interessante Sampaio ter dito qual o significado que atribui à palavra “trapalhada”.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

É Natal... cuidado!

Porque é Natal (ou está quase a ser) convém lembrar os bem intensionados que pedir para dar aos pobres e às crianças não significa... dar às crianças e aos pobres.

Apetece-me, por isso, lembrar este post, escrito há uns tempos. Atente-se à parte final (a amarelo). SEITAS E ALDRABICES

Irrelevante ou desconhecimentos

Adelino Caldeira, da SAD do Futebol Clube do Porto, que pelos vistos a Juiza do caso Apito Dourado não quer ver a conversar com Pinto da Costa, é (ou foi??) administrador do jornal O JOGO.
Numa altura em que tanto se fala de relações perigosas da imprensa com... tantas coisas e numa altura em que O JOGO parace cada vez mais a "folha oficial", não será relevante este dado?
Sobre os juizes que julgam os processos não se cansa a Imprensa de dar pormenores...

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Inocente ou "não culpado"?

Os mestres da comunicação que neste país gostariam que tudo se resolvesse por obra e graça de um press-release ou uma boa dose de “Public Relations” têm tido, nos últimos tempos, alguns dissabores.
Alguns vão mesmo responder a tribunal por crimes hediondos ALEGADAMENTE cometidos em condições verdadeiramente escabrosas.
Não sei se a Justiça os irá ou não condenar um dia, se os crimes irão prescrever ou perder-se em trâmites processuais que escapam aos próprios Juízes e advogados.
Mas sei uma coisa, eles já conseguiram algo: tornaram acusados ou indiciados em pessoas perfeitamente inocentes.
Essa ideia pegou de estaca na sociedade portuguesa e toda a gente a repete como se de uma verdade matemática se tratasse. Só que não é.
Explicando: a ideia de que um acusado é inocente até transitar em julgado uma decisão nesse sentido, é falsa e não corresponde à verdade. O que acontece, e é muito diferente, é que a falível justiça terrana, até julgar o dito cujo acusado (réu ou arguido) tem que considerá-lo inocente. Na dúvida, mesmo que haja muitos indícios (leia-se, a quase certeza) de que é um criminoso, a Justiça dos homens tem sempre que tratar o desgraçado como inocente.
Mas isso, não pode, não deve, significar que o é, efectivamente.
Vejamos um exemplo: os crimes sexuais prescrevem ao fim de 5 anos.
Um “anormal” que viole uma criança, sem que se saiba, deixa de poder ser acusado cinco anos depois. Significa isto o quê? Que cinco anos e um dia depois ele é INOCENTE? Não! Significa apenas que não pode ser acusado e, por isso, a Justiça (portuguesa, porque se for a inglesa já é diferente) é obrigada a considerá-lo inocente.
Pergunto: deixou de ser pedófilo, violador, um verme, um CULPADO???
Claro que não. No senso comum, na cabeça do cidadão responsável, não pode ser.
Se nos andam a tentar meter na cabeça que quando um tribunal não prova a culpa, um criminoso se torna inocente, folgo em saber que a taxa de sucesso dessa operação não é 100% bem sucedida.
Um criminoso é um criminoso, mesmo que a Justiça não lhe consiga deitar a mão.
Sou contra julgamentos sumários e populares. Sou a favor da presunção da inocência na justiça. Mas não posso deixar que a Justiça que se faz (tantas vezes, não se faz) nos tribunais se sobreponha à verdade dos factos, à convicção íntima de cada homem, no fundo, à verdade que (a existir) só Deus conseguirá ver.

E é por isso que receio que, um destes dias, à mingua de "justiça justa" nos tribunais, alguém decida pelas suas mãos, condenar um "inocente".
Assim, quando me dizem que “fulano é inocente porque ainda não foi condenado” em respondo que não. Na verdade, de muitos dos crimes públicos que ultimamente têm vindo a público, se calhar, somos todos culpados, por termos fechado sistematicamente os olhos a crimes que, para qualquer ser humano inteligente, eram mais do que uma evidência.
E se os tribunais muitas vezes não vêem, não é porque 100% das vezes os arguidos sejam inocentes, é porque tantas vezes fomos nós que tapamos os olhos à Justiça, com indiferença, comodidade, passividade, “nacional porreirismo” e terrível egoísmo.
Por isso digo: um "não culpado" na Justiça é apenas um "inocente" na Justiça. Na Justiça dos homens, que todos sabemos não ser justa. Um INOCENTE, verdadeiramente INOCENTE, é alguém que não cometeu um crime, tenha ou não sido "apanhado".

Ser portista não é ser "Dragão"

Ontem o Estádio do Dragão aplaudiu Mourinho à sua entrada em campo. Aplaudiu de pé, de forma civilizada e inteiramente merecida. Mourinho agradeceu e acenou para o público que, com ele e com os jogadores do Futebol Clube do Porto, ajudou um clube português a sagrar-se campeão da Europa.
Custa a crer que isto que estou a relatar não seja da mais elementar normalidade.
Infelizmente, não é.
Ou melhor. Infelizmente, esta atitude de cerce de 40 mil portistas é a atitude civilizada e curial de uma cidade evoluída e ocidental. Grata ao trabalho de alguém que ajudou a que todos tivessem um pouco mais de alegria e orgulho.
Só surpreende e é notícia este bonito momento, porque não corresponde à face pública do clube.
Os adeptos do FC Porto, graças a incompreensíveis e impunes atitudes de meia-dúzia de arruaceiros de bancada e dirigentes, levam por tabela com rótulos que não merecem.

Ficou assim mais uma vez provado, que ser portuense e ser portista, não significa ser "dragão", no pior dos sentidos que a expressão contem. Ou seja, significa que nem todos (ou quase nenhuns) dos que se sentam semanalmente no estádio do Dragão estão dispostos a aceitar pacificamente a atitude pouco civilizada e as opiniões idiotas de alguns outros, em nome de todos.
Se pensarmos que naquele momento Pinto da Costa continuava detido no Tribunal (e tendo em conta a sua relação e declarações recentes sobre Mourinho) ou aplausos ganham ainda outro significado e mostram que o Futebol Clube do Porto é de todos os portistas e muito mais da cidade do que do senhor Pinto da Costa ou dos SuperDragões.
O Futebol Clube do Porto é, por isso, uma "pessoa de bem", na minha perspectiva, eventualmente lesada (e pode vir a sê-lo ainda muito mais) por um corrupto e meia-dúzia de amigos seus, oriundos do sub-mundo da prostituição e da corrupção mais básica e reles de que há memória na Europa do Futebol.
O exemplo dado pelos adeptos do Futebol Clube do Porto (sem que a veja como uma censura ao seu actual presidente) é, na minha perspectiva, um bom indício de que o FCP tem pulmões para respirar muito além de Pinto da Costa, de Mourinho, de uma má época ou de um mau treinador.
Quanto à carreira de Pinto da Costa fica também provado que nem todos engolirão sempre tudo o que provém da sua deformada mente. Nem todos aceitarão pacificamente sempre o que dele provém.
É também a prova de que o povo sabe muito bem distinguir as coisas. Que sabe premiar e penalisar independentemente do que querem que faça. E se Mourinho foi aplaudido, muito mais poderemos pensar que a influência política de Pinto da Costa nos adeptos do Futebol Clube do Porto é abaixo de zero.
O aplauso a Mourinho, na ausência de Pinto da Costa, é um sério aviso à navegação e, a mim (além de me remeter, naquele momento, para a cabeça de Fernandez, quase ingratamente esquecido na sua entrada em campo) é também uma prova de que o que escrevi em tempos se começa a cumprir. Lentamente, é certo, mas haverá já alguns dos que aplaudiram que colocarão intimamente a questão de se não será melhor começar a pensar em vasculhar os bolsos de Pinto da Costa... antes de males piores.
VER POST de 30 de Setembro

terça-feira, dezembro 07, 2004

Conselho a Sampaio

Receio bem que Sampaio convoque de novo Maria de Lurdes Pintasilgo para se aconselhar no âmbito das suas consultas com vista à dissolução do Parlamento.
E porque digo isto?
1º O presidente anda mal assessorado. Se assim não fosse, não o tinham deixado cometer as “gafes” institucionais ímpares que tem cometido (exemplo: não avisar o Parlamento de que… estava a dissolvê-lo).
2º A opinião das pessoas que convoca não tem qualquer valor. Digam o que disserem, já está decidido. E mesmo quando quase todas disseram “sim”, ele a seguir disse “não”.
3º É por demais evidente que Jorge Sampaio aprecia o silêncio, aceitando a tese de Marcelo Rebelo de Sousa de que “o silêncio é uma forma de falar”. Nessa perspectiva, Pintasilgo poderá dizer muita coisa ao Presidente.
4º Em Portugal já nada me surpreende. Diria mesmo que vivemos num país surrealista, onde a crise é muito mais do que económica, política ou institucional. Trata-se de uma crise de personalidade onde reina o “deixa andar”, o “tanto faz”, o “quero lá saber”, do “isto não dá nada”, do “o que é que isso tem a ver com a minha vida”… Nessa perspectiva, melhor será olharmos para os mortos, alguns deles têm exemplos fantásticos a dar-nos nas suas vidas passadas.
Posto isto, melhor será mesmo pensarmos em candidatar um morto à Presidência. Pelo menos, no seu passado, terá algo mais que imponha respeito do que Sampaio.

Juventus pode perder títulos

A Juventus pode perder vários títulos nacionais e internacionais (1994-1998) por causa da condenação do seu médico de então. O senhor acaba de ser condenado em primeira instância por um tribunal italiano por ter administrado drogas aos seus jogadores.
ver notícia no "Le Monde"
Esta notícia ocupou ontem e ocupa hoje as secções desportivas da comunicação social em Itália e em todo o Mundo... menos em Portugal!
Porque será?

Brincadeira de crianças

A política nacional parece-se cada vez mais como uma brincadeira de putos.
Na Assembleia da República aprovou-se um Orçamento de Estado à queima, com a espada em cima da cabeça de deputados prestes a irem para o "olho da rua" com o alto patrocínio do Presidente da República. O Governo que o propõe está de saída e os que acham que o vão herdar não concordam com ele.
Quanto ao presidente, aproveitou para ir a um programa de TV de faz de conta sobre a língua portuguesa. O programa chamava-se "Prós & Contras" e, pela segunda vez, não colocou ninguém a favor ou contra o que quer que fosse, sendo antes uma forma do "cenoura" aparecer no boneco e fingir que sabe o que anda ali a fazer.
Antes dele, tal manipulação a desvirtuar este programa, só tinha sido visto quando Pinto da Costa foi o convidado.

Medida de coacção

Creio que estamos a horas de uma decisão histórica para a Justiça em Portugal. Como medida de coacção, Pinto da Costa vai ter que deixar de ser Pinto da Costa...

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Perguntas e respostas

Pergunta: o que fará alguém que tem apenas 72 horas antes de ter que explicar a um(a) Juiz o que andou a fazer nos últimos anos, sabe que tem o telefone sob escuta e que, provavelmente, terça-feira vai ser impedido de “trabalhar”?
Resposta: se estiver inocente, deixa-se estar sossegado em casa. Se tiver “rabos de palha”, anda por aí feito tolinho a tentar apagá-los.

Pergunta: se fosse jornalista o que faria?
Resposta: ou me punha em campo atrás dele, ou ficava à espera que depois se soubesse e quebrava o segredo de justiça.

domingo, dezembro 05, 2004

Uma questão esquecida?


A auto-censura continua em grande na comunicação social portuguesa. A generalidade dos jornais passam alegremente pela questão do apito dourado iludindo o facto do Futebol Clube do Porto, a serem provadas as acusações, correr o risco de perder títulos nacionais, internacionais e descer de divisão. É o que diz a Lei de Bases do Desporto, não sou eu, mas a imprensa parece preferir iludir esse facto, não sei se com medo de Pinto da Costa se com vergonha do seu Campeão Europeu vir a ser ridicularizado por essa Europa fora. Em qualquer dos casos, é mau jornalismo. Essa é uma hipótese de notório interesse público.
Curiosamente, posso adiantar que já o está a ser. A Europa, que se espantou como era possível um clube português chegar a campeão, já faz peças nos "telejornais" sobre o assunto. Os golos dos Porto na Liga dos Campeões, a cara de Pinto da Costa, o Estádio do Dragão, aparecem televisões das "Alemanhas", "Fraças" e "Inglaterras" para ilustrar textos com a palavra "corrupção" a passar em rodapé.
Por cá, lendo muitos dos jornais de hoje, fica a triste sensação de que... pronto, isto agora esquece... e "não dá em nada". Só que talvez não seja assim.
A provar isso mesmo, e como a amizade é um enorme valor no futebol, António Oliveira comprou 11% da SAD do F.C. Porto e até já disse que "gostava de ser presidente"...

sábado, dezembro 04, 2004

Desta vez não foi o "Guarda Abel"


Proibiram o Araújo de quê? Mas eu queria ir para casa ainda hoje...


PS: é interessante verificar que desde ontem muita gente deixou de chamar a Pinto da Costa "presidente". Para muitos dos que assim lhe chamavam, mesmo no desempenho das suas funções jornalísticas, o senhor ontem detido pela Polícia Judiciária passou a ser Jorge Nuno Pinto da Costa ou, simplesmente, Pinto da Costa... interessante, não é? Ver post completo: "Senhor Presidente"

Excerto
Já a Pinto da Costa, fica-me a dúvida se em situação idêntica continuaria a ser tratado pelo seu cargo (ou estado, se o destino fosse, por hipótese absurda, a zona de detenção da Polícia Judiciária). Como o tratariam então? Por "Senhor Detido"? Ou por "Senhor Arguido"? Ou simplesmente por Pinto, Costa ou seria por Ex-presidente? Ou será que mesmo nessa desconfortável situação, continuaria para alguns a ser “Presidente”?Perdoem-me esta última comparação. De facto, isso nunca acontecerá e Pinto da Costa nunca deixará de ser Presidente do Futebol Clube do Porto. Como os jornalistas que se lhe dirigem reverentemente e parcialmente, nunca serão verdadeiramente jornalistas. Por isso, esta é uma questão puramente académica e que, segundo qualquer director de TV, Rádio ou Jornal, não passa de uma questão menor.
(publicado originalmente a 15 de Julho no primeiro Nónio)

Árbitros, prostitutas e favores...

Após ler a notícia de hoje do JN parece-me que o pessoal ainda não perdeu completamente o medo do senhor "Papão". Parece que ninguém quer lembrar que a serem provadas estas acusações, o FCP pode perder títulos passados e até ser depromovido... Lembram-se do Marselha?

De trás para a frente

Dá ideia que Portugal é um video e, sem querer, alguém carregou naquele botão que coloca a fita a andar para trás.
Primeiro diz-se que se dissolve a Assembleia, depois vai-se à procura das razões e, no final, pensa-se nas consequências.
Creio que chegou a altura de todos assumirmos que há um problema de saúde grave na Presidência da República, caso contrário, estamos perante uma aberração politico-institucional, com o próprio presidente a censurar-se a ele próprio.
Se há uns tempos, no Post Aberto avisei Sua Excia. para não chegar ao ridiculo de se auto-decapitar, levando o país para a mais alta galeria do anedotário democrático europeu, sou hoje levado a constactar que já lá estamos.
Mota Amaral diz que a Assembleia está ferida de morte. Eu penso que o Estado português cometeu Arakiry!

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Memória...

Ou o que eu escrevo sobre Pinto da Costa tem algum sentido ou sou bruxo...

Recordo "post" de 30 de Setembro "Quem ri por último"

Estranho o silêncio dos habituais "comentadores" que normalmente saem a rosnar em defesa deste senhor...

Há uma instituição que não está a funcionar regularmente

Jorge Sampaio “esqueceu-se" (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) de avisar o Parlamento que o ia dissolver, nomeadamente junto do seu Presidente, Mota Amaral, segunda figura do Estado, segundo a Constituição.
Mota Amaral diz que o Parlamento está “ferido de morte” e a Presidência da República já reconheceu a “gafe”, desculpando-se com o facto das instituições não estarem a funcionar regularmente (deve ser culpa do Santana Lopes, queres ver?).
Para já, a única certeza que temos é que há UMA INSTITUIÇÃO QUE NÃO ESTÁ A FUNCIONAR REGULARMENTE – A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
Creio que seria aconselhável tirar de lá o “homem” antes que caia da cadeira como o outro… ou já terá mesmo caído?
Objectivamente, o país já tinha batido no fundo, mas agora, o Presidente da República segura-lhe no pescoço tentando afogá-lo. Creio que alguém deveria convocar uma junta médica e avaliar das condições que Jorge Sampaio possui neste momento para continuar a ser Presidente. E não digo isto com qualquer ironia. É mesmo a sério.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Pinto da Costa na PJ

Pinto da Costa terá sido notificado para prestar declarações na PJ do Porto, na sequência de buscas feitas esta manhã à sua residência, ao Centro de Estágios do FCP e à SAD.
Terão sido detidos quatro árbitros e um empresário ligado ao FCP.
Dou aos acólitos, disciplos e outros seres semelhantes a possibilidade de fazerem como o Presidente da República e de nada dizerem sobre o assunto. Alternativamente, podem dizer que o Veiga é pior.

Ver notícias no Correio da Manhã Online ou em qualquer outro portal ou jornal online.

O direito a estar calado

O direito a estar calado é normalmente concedido aos suspeitos quando são detidos. “Tudo o que disser pode ser usado contra si”, dizem as autoridades quando os detêm.
Será disso que tem medo Jorge Sampaio?
O cargo de Presidente da República não pode ser um escudo surdo contra a obrigação de qualquer titular de um cargo público em prestar contas aos seus concidadãos e eleitores.
Sampaio não pode simplesmente falar por terceiros, usar do batalhão de assessores para transmitir “bocas” aos jornais ou “corrigir” peças de TV, como querendo controlar um fluxo informativo que pergunta “por quê” sem encontrar respostas.
Por mais antipatias e anticorpos que este Governo tenha criado na sociedade portuguesa, nomeadamente na sociedade da informação (que paradoxalmente – dizia-se – controlava exemplarmente) não se consegue entender esta inédita dissolução da Assembleia, que é a mesma que há quatro meses permaneceu por dissolver, quando o senso comum da democracia fazia prever o contrário.
Ao político, ao Presidente da República, não basta tomar decisões em consciência (terá sido o caso), é também sua obrigação que as suas decisões sejam as decisões do povo que o elegeu e, o mínimo que se pode exigir para que isso aconteça, é que todos saibamos o por quê das coisas. Caso contrário, seríamos obrigados a recordar regimes que o início dos anos 90 derrubou na Europa ou, se preferirmos, o nosso antes de 74, em que as decisões eram tomadas com base no livre arbítrio de um presidente, no conforto da sua secretária, sem que fosse necessário dar a cara perante e pelo povo.
A esquerda, que tanto derrete em verborreia palavras como “democracia”, “solidariedade”, “sentido de Estado”, “liberdade”, dá-nos, a cada curva e cada esquina, exemplos do mais descabido autoritarismo primário, da mais descabida arbitrariedade de decisões.
Já uma vez aqui disse: não façam pouco do povo, não menosprezem a sua inteligência, capacidade de análise e interventora, não vão nessa história de que estamos numa democracia consolidada para julgarmos que a vontade popular se esgota nas urnas e que com uma percentagem matemática se pode, a partir daí, fazer tudo o que passa pela cabeça, sem que tenhamos todos que entender por quê.
Não se esqueçam que até há 15 dias atrás, todos pensávamos que a Ucrânia era uma democracia estável.
Hoje, logo de manhã, reflecti sobre o que sentiria se tivesse votado em Jorge Sampaio e questiono-me: quantos não se arrependerão hoje de não ter, como eu, votado em Cavaco Silva?
E o pior é que este "febre" de Sampaio é crónica, como tenho vindo a reparar neste blog. Não o escrevo portanto agora por ter tomado esta estranha e insustentada decisão. A sucessão do disparate começa a ser motivo de páginas da história futura de Portugal.

POST ABERTO AO PR (redigido a 8 de Outubro)

OUTRO POST COM LINKS PARA OUTROS POSTS (redigido a 12 de Novembro)

ESPECIAL ATENÇÃO A ESTE POST (redigido a 7 de Outubro)

Enviem uma mensagem ao homem. FAÇAM QUALQUER COISA!


quarta-feira, dezembro 01, 2004

Morrer... mas devagar

Esta frase é retirada de uma música de Sérgio Godinho sobre D. Sebastião e refere-se a Portugal.
Sampaio mandou dissolver a Assembleia... mas devagar. "Quero isso bem dissolvido, ouviram?", terá gritado aos assessores.
Estes, apressaram-se a desenvolver comunicados sofisticados, que permitem provar por A+B que é possível acabar com algo de que não se pode prescindir. Ou seja, "matar gajo, mas assegurar-se que nos deixa o cartão multibanco e o código antes de ir embora".
Sendo que o cartão multibanco é o Orçamento do Estado e o código os aumentos salariais.
E agora pergunto: se Ferraz da Costa achar que Sampaio se deve demitir... ele demite-se?

Sampaio Cardinalli

Há quatro meses, Sindicatos, Partidos Políticos, Conselho de Estado, etc, etc disseram que era melhor haver eleições e não dar posse a este Governo.
Jorge Sampaio deu posse!
Hoje, um patrão diz que era melhor haver eleições… e há!
Sou eu que vejo estas coisas por um prisma diferente, ou Sampaio é o maior palhaço de Esquerda da história de Portugal?
Cavaco Silva disse há dias que estava na hora dos políticos competentes afastarem os políticos incompetentes… mas ninguém me diz que nos incompetentes Cavaco não incluía Jorge Sampaio, pois não?

Não é o único astirta de circo deste país. Siga link

Ou é exagero meu?

Paulo Portas anunciou que o CDS PP iria a eleições sozinho “por ter sentido que nos últimos congressos do PSD houve um sentimento contrário a uma coligação pré-eleitoral”.
No final do discurso do presidente do CDS, o jornalista da TSF resumiu: “Paulo Portas diz que o CDS vai concorrer sozinho porque sentiu que o PSD era contra a actual coligação governamental”.
Se a demissão de um Ministro dá direito à queda de um Governo, a falta de rigor, de capacidade de interpretação e a irresponsabilidade de um jornalista, quando levadas a estes extremos, deveriam dar direito a despedimento com justa causa…