Nónioblog

terça-feira, novembro 30, 2004

Eu é que sou o Presbsidente...

Sampaio demite o Governo... ou melhor, dissolve a Assembleia da República. Ou melhor... Este Governo é incompetente, está em causa o “regular funcionamento das instituições”... mas só depois de ouvir o Conselho de Estado... só para a semana é que isso vai acontecer (as instituições esperam para funcionar regularmente)… e também vai ouvir os lideres dos partidos… jogamos um bocado às cartas… a decisão até já está tomada… mas é para tomar devagar...
Assim, segundo um comunicado da própria Presidência da República, é possível que a Assembleia aprove o Orçamento de Estado neste “entretanto formal”!
Quê???? Mas este Orçamento de Estado não é deste incompetente Governo que põe em causa o "regular funcionamento das instituições"???? Então porquê andar nestes expedientes formais para que o orçamento dos incompetentes incapazes seja aprovado???
E, já agora, porque raios Sampaio andou há quatro meses a ouvir os conselheiros duas vezes? Eles disseram-lhe que dissolvesse e ele… não dissolveu.
Agora, que decidiu dissolver, vai outra vez ouvir a mesma malta… e se lhe dizem que é melhor não dissolver? Ele dissolve na mesma?
Ó Sampaio, a malta já sabe que falhaste, não conseguiste nunca chegar a Primeiro Ministro e que te sobram algumas frustrações. Mas para palhaçadas já nos bastavam as de Santana Lopes.
A malta já sabe que és o presidente, escusas de estar sempre a recordar…

O mal pior

Não se dissolve a Assembleia porque se demite um Primeiro Ministro, dissolve-se porque se demite um Ministro.
Convoca-se o Conselho de Estado para não dissolver a Assembleia. Dissolve-se antes de convocar.
Estes são os factos.
No subjectivo, Ferro Rodrigues tinha razão, quando disse que era uma derrota pessoal. Sampaio não o queria lá. Santana foi o mal menor. Hoje, o mal menor para Sampaio chama-se Sócrates...
Ainda bem que ainda ontem recordei o post aberto ao PR, que me parece a mim, o mais lúcido dos artigos que desde sempre escrevi.
E não entendam das minhas palavras o meu gosto por este Governo ou a simpatia em relação a Santana Lopes. Não é o caso. Mas, confesso, se Sócrates será, para o Presidente, o "mal menor", Sampaio é, certamente, "o mal pior".

Totobola


Hoje recebi no meu e-mail este boletim de totobola. E, de facto, esta é uma brincadeira muito séria. Brincadeira, porque resulta de um rasgo de humor interessante. Séria, porque traduz o sentimento de um povo.
Se algo este processo de pedofilia conseguiu foi que saísse reforçado em Portugal o sentimento de que tudo isto é uma roleta. Como os impostos, o código da estrada, a corrupção.
Os portugueses habituaram-se a jogar no 1X2 em todas as áreas das suas vidas. Instalou-se um sentimento generalizado de "não pagamos", que nos vai degradando a consciência.
E a culpa é sobretudo do Estado (que no fundo somos todos nós). Um Estado onde se instalou uma espécie de totoloto justiçário que consiste na aplicação de Leis cada vez mais duras a cada vez menos cidadãos. É uma Lei do género: "Se te apanho dou cabo de ti". O problema é que quase nunca nos apanham.
Cresce assim o sentimento de que a vida, a justiça, a riqueza, a felicidade em Portugal tem um preço, mas um preço muito mais baixo do que o real. Um preço desinflacionado.
Depois, há os que têm azar e são apanhados. Esses, pagam pelos outros, têm que ser exemplarmente punidos, se possível enforcados na praça pública, para que todos vejam.
É, portanto, um totoloto ao contrário. Um totoloto onde se vai ganhando quase sempre qualquer coisa e onde há dois ou três que pagam as favas. Ás vezes as que devem pagar e as que não lhes cabem.
Voltando ao caso da Casa Pia, seja qual for o desfecho, já não escapamos ao comentário final do "tiveram azar", se forem condenados. Herman e os outros que ficaram de fora (sendo ou não culpados) já não se livram do comentário de que "estes é que se safaram".
Na Casa Pia, como em quase tudo nesta vida portuguesa, funciona uma justiça de tiro aos patos. Ás vezes acerta-se em alguns, que depois são orgulhosamente exibidos, pendurados ao cinturão de um caçador cuja arma está enferrujada, desactualizada e que vai apenas dando tiros para o ar.
O resto são gritos, num jogo de sorte ou azar, onde nem todos podem, como Carlos Cruz, repetir 30 vezes no momento da sua entrada no Tribunal "já falei para SIC, não digo mais nada".
Este, "já falei para a SIC", e o comportamento da estação de televisão ao apaparicar o seu "ex-futuro-actual" colaborador, dando-lhe, como a nenhum outro cidadão, a possibilidade de falar, explicar, contra-explicar, reagir e até responder só a algumas das perguntas, são apenas mais duas cruzes no totoloto da vida portuguesa. Dá ideia, neste caso, que há quem tenha a possibilidade de colocar duplas e triplas e todos os jogos e, no fundo, acertar sempre...

segunda-feira, novembro 29, 2004

Ao Presidente da República

Eu sei que sou um chato... mas a cada semana revejo-me mais e mais no post que um dia dediquei ao nosso Presidente da República... e não sei porquê!

Aí vai ele outra vez...

POST ABERTO A SAMPAIO

Avaliable on DVD


Coitado! Foi atirado pela janela, como se fosse um DVD.
Pena tenho do Luis Filipe Vieira, que agora vai ter que explicar tudo outra vez.

sábado, novembro 27, 2004

Punho cerrado... AVANTE!

Eles estão contra o autoritarismo do Governo. Eles são contra as atitudes anti-democraticas dos que estão no poder. Eles são contra os que oprimem os trabalhadores, bases da sociedade. Eles são a favor da igualdade de classes. Eles são contra a propaganda do Estado. Eles estão contra o domínio do controlo da Comunicação Social pelo Estado...
Eles escolhem o líder à porta fechada através do voto secreto de meia-dúzia de elites cuja escolha passou ao lado das bases do seu partido. Eles não renegam o passado, que se materializa na ex-União Soviética, na Roménia de Tchausesko e na Checoslováquia ocupada.
Eles não estão mortos nem a morrer. Eles são o mais apurado do que a demagogia conseguiu até hoje produzir.
Eles são os comunistas portugueses.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Atrasados

“Porque chegou atrasado?” Esta foi uma das perguntas ouvi no pouco que acompanhei das surrealistas reportagens do início do julgamento do caso Casa Pia. Os jornalistas queriam saber porque tinha o advogado de “Bibi” chegado tarde!
Ora, que respostas esperariam? Que o advogado dissesse que adormeceu? Que falasse do trânsito da Segunda Circular? Que contasse uma história tipo “entornei café nas calças quando já estava pronto para sair de casa”?
Não ouvi muito mais sobre o assunto. Mas o que ouvi foi sempre a este nível.
Hoje de manhã, ouvi também a habitual crónica de Fernando Alves na TSF. Preocupado com o circo a que aludo, tanto como eu.
Mas também ouvi ontem, na mesma TSF, no meio de um relato de futebol, e a total despropósito, o relator Jorge Perestrelo, num rasgo de auto-elogio à sua estação, disparar qualquer coisa deste género: “Somos provavelmente a melhor rádio portuguesa. Ainda esta tarde ouvimos um ‘show-informativo’ com a cobertura do início do julgamento da Casa Pia”.
Servem estas duas posições tão antagónicas, estes dois espíritos tão divergentes, estes conceitos tão diversos de informação (e mesmo de ‘show’) para lembrar que mesmo as nossas referências do jornalismo (onde certamente a TSF é a mais exemplar no que diz respeito ao jornalismo falado) atravessam uma crise de valores importante.
Mais do que a influência da PT, do Estado, a criação de Centrais de Informação, a pressão das Agências de Comunicação e a concentração de poderes, o bom senso, a formação, a criteriosa gestão de meios humanos, uma boa chefia de redacção e uma direcção forte e activa, fazem falta, actualmente, mesmo aos melhores.
A Comunicação Social, tão crítica tantas vezes de todos os outros poderes, deveria nesta fase concentrar-se pelo menos 10 minutos por dia a meditar sobre si própria, sobre o que anda afinal a transmitir-nos e sobre o que quer do futuro da informação em Portugal.
O aluguer “voyeur” de janelas e varandas à porta de um tribunal, a descrição macabra de casos de polícia tipo “Joana”, a fuga de segredos de justiça e a invenção de outras tantas informações sobre a mesma e a lamentável falta de qualidade (a piorar) dos repórteres televisivos e radiofónicos nacionais deveria preocupar alguém neste país.
Por exemplo, do senhor Presidente da República, sobre comunicação social, apenas se lhe ouviu falar duas vezes: numa em que o seu nome foi citado acerca da Casa Pia, noutra em que o nome de Marcelo Rebelo de Sousa é ventilado acerca de alegadas pressões censórias.
Com estas atitudes, e sobretudo graças à ausência de outras atitudes, Jorge Sampaio deu um sinal perigoso aos portugueses, aos Juízes, aos advogados, aos queixosos, às vítimas e às testemunhas: Portugal é cada vez mais um país de uns e outros. Uns são poderosos (ele próprio, Marcelo, etc) os outros que se lixem e tenham cuidado.
Se a figura do “regular funcionamento das instituições” é tantas vezes invocada para se dizer que não estando esta em causa não deve o Presidente da República actuar, que sirva este momento lamentável para que alguém pergunte a Sampaio se não considera ele que naquele tribunal, nas nossas televisões, na nossa justiça e na nossa informação não estarão neste momento a ser violados princípios tremendamente importantes que, de facto, colocam em causa não só o funcionamento das instituições, como da nossa própria consciência colectiva.
Se dentro de uma estação de rádio tão respeitável como a TSF se ouve tudo o que aqui já hoje descrevi, se já ninguém escapa ao despudor, se permanece distraído o Governo, mudo o Presidente e não funciona a Justiça (isso é absolutamente evidente) quem nos vale?
E se não funciona o Presidente da República, quem tem poder para o demitir e colocar no seu lugar alguém que não se ofenda com as perguntas que os portugueses têm a fazer e que, lamentavelmente, a Comunicação Social censura nas suas entrevistas ao Presidente?
O Presidente da República é alguém importante. Importante e caro. Caro de mais para servir apenas como o “mono do Estado”, o “mau feitio da zona”, que apenas interrompe a sua mudez para falar só com alguns ou sobre si próprio.
Sinceramente, costumava ser um optimista, mas sinto hoje esta terrível desilusão que se transforma na tentação de me alhear. Não mais ouvir estas reportagens, mudar para o Canal Panda na hora dos Telejornais, ouvir a Rádio Nostalgia no momento do noticiário radiofónica, e ler o “Patinhas” em lugar dos jornais diários. Quanto a Governos, Presidentes e Referendos, melhor será juntar-me à maioria… aquela que não vota.
Quanto ao atraso do advogado de Carlos Silvino... será talvez correspondente ao atrso de vida que lamentavelmente somos.

quinta-feira, novembro 25, 2004

Central da Hipocrisia


A proliferação dos chamados “paus de microfone” é assustadora.
Nos meus tempos de reportagem era papel que detestava fazer. Andar atrás de alguém com um microfone à espera que o “alvo” abrisse a boca.Uma das mais dolorosas reportagens foi a do S. João do Porto com Mário Soares. Fazer uma destas reportagens, como de uma "Presidência Aberta", é como encostarem-nos à parede e começarem a atirar setas. Algumas acertam-te, outra não. Quantas mais acertarem melhor para ti. Mas cada uma doi mais do que a outra, sendo que o teu único destino é estar calado.
O resultado é um conjunto de “sons” que depois se enviam para as rádios, jornais e televisões e cujo conteúdo normalmente não tem grande significado prático e a maior parte das vezes quase não tem intervenção do jornalista.
Para os que nunca fizeram uma reportagem destas, as coisas passam-se mais ou menos assim: se for longe, a Presidência da República ou o Governo “convidam” os jornais. Ao “convidarem” os jornais, pagam-lhes tudo. Avião, hotel, jantar, tudo. É a chamada “comitiva”. Se for perto (em Portugal), isso poderá ou não acontecer, mas o "controlo" é o mesmo.
O certo é que os assessores trazem tudo estudado. À partida para uma "Presidência Aberta", já eles estudaram e sabem a que horas, onde e como terá lugar cada uma das afirmações do “bicho político” em causa.
Assim, é normalmente estudada uma declaração de manhã, para o telejornal das 13 e para alimentar a TSF e outra de tarde, a tempo de ser montada para o Telejornal das oito.
Depois, à noite, depende, se a da manhã não for demasiado forte, pode produzir-se qualquer coisa à noite para durar para a manhã do dia seguinte. Esta pode também ser uma declaração de recurso, caso as coisas tenham estado “apagadas” durante esse dia e o protagonismo tenha diminuído.
É claro que há sempre um lado interessante da coisa. Esse lado é ir antes aos sítios por onde vai passar a “comitiva” e olhar para a realidade, sem presidente ou governante por perto. Mas isso, depende da vontade da direcção do jornal e exige… investimento. Normalmente não acontece e quando acontece, pergunta-se antes qualquer coisa aos assessores que os coloca alerta e no "controlo".
De resto, durante a visita, é andar atrás deles. Eles dizem: “agora vamos ali, o presidente vai olhar para uma lixeira, o melhor sítio para o filmar, se calhar, é ali, só podem ir dois de cada vez ao fundo da mina com o presidente, só podem acompanhar o presidente no barco aqueles quatro ou então sorteia-se. Hoje almoça-se ali, janta-se acolá e o presidente vai falar sobre as vacas loucas depois do jantar. Não perguntem sobre futebol que ele não responde”.
E as suas declarações são as previamente estudadas. Tudo é milimetricamente estudado.
O jornalista, esse, levado no meio da “cambada”, é apenas uma pequena peça, raramente se tornando "areia nessa engrenagem". Escapa-lhe a vontade própria, coagido de desenvolver sentido crítico. A sua função ali, é ler o programa, perguntar ao assessor e estender o braço com o microfone na hora certa. E é preciso ter músculo, garanto-vos.
É evidente que esta é uma visão redutora. Bem sei que os bons fazem mais, pensam, desenvolvem e conseguem tirar algum sumo no meio disto tudo. Mas deixem-me dizer: são muito raros e não são bem vistos, nem pelos que dirigem a “comitiva” nem pelos colegas.
De vez em quando, há alguém que resolve fazer uma pergunta fora do baralho das respostas preparadas, do género: “Quanto é que isso é em dinheiro?”. Aí, o Primeiro-ministro gagueja e dá aquele espectáculo que vimos com António Guterres.
Mas essa é a excepção. A verdade é que, normalmente, não se fazem dessas perguntas. Agora imaginem as pressões que terão acontecido por parte dos assessores de Guterres para aquele “som” não ir para o ar! Não houve pressões??? Ahahahaha. Não me façam rir se acreditam nisso. As pressões foram muitas e chegaram ao topo da hierarquia da SIC.
Claro que houve pressões, claro que houve e sempre haverá assessores a pedir que “não passes isso, não perguntes aquilo”. É claro que todos os governantes, Governos e presidentes têm e terão sempre as suas “centrais de informação”. Sampaio tem-na e colecciona assessores, diga-se, alguns com passado duvidoso no jornalismo, outros com presente duvidoso na assessoria de imprensa.
Ao vetar a “Cantral de Informação” do Governo, numa altura em que, pela primeira vez, se tenta, às claras, dizer o que se faz e fazer o que se diz, aprovando uma Lei que enquadre este tipo de assessoria ao Governo, Jorge Sampaio dá um bom exemplo de hipocrisia política. Morais Sarmento já deu a resposta, dizendo que vai “racionalizar os meios existentes”.
O que Morais Sarmento quis dizer foi: “OK, presidente, tu chumbas, mas eu faço na mesma”. Sampaio sabe que nada pode fazer. Sampaio sabe, como ninguém, que o controlo dos “paus de microfone” é tão importante para o Governo como governar e tão importante para Morais Sarmento como para si próprio.
Que ganhe então a hipocrisia política, que saia uma declaração sobre o assunto às três da tarde. Filmem de Norte para Sul por causa do sol de frente. Não mostrem a verruga do lado esquerdo. Acendam-se as luzes, Sampaio vai dizer o que passou a noite a decorar.

PS: comecei a escrever isto a pensar numa nova sub-espécie de "paus de microfone" que agora gravitam à volta dos arguidos do caso "Casa Pia". Depois esqueci-me deles. Se ainda for a tempo, deixo-lhe uma sugestão: revoltem-se!

terça-feira, novembro 23, 2004

Em Portugal não é bem:

- Ser de direita
- Ser de extrema-direita
- Ser do centro-direita
- Ser jornalista e não ser de esquerda
- Gostar de quem está no poder
- Gostar de quem gosta de quem está no poder
- Trabalhar para quem está no poder
- Apontar o dedo ao Pinto da Costa
- Fazer perguntas não combinadas ao Pinto da Costa
- Achar que o Pinto da Costa usa os “sem-abrigo”
- Achar que o “Coração da Cidade” é uma aldrabice
- Achar que o Rui Rio tinha razão
- Dizer bem da Selecção Nacional
- Ser do Porto e não ser portista
- Declarar tudo ao IRS
- Ser do PSD e dizer bem do líder
- Ser do PS e discordar do líder
- Ser bloquista e dizer bem de alguma coisa
- Ser bloquista e nunca ter feito um aborto
- Ser intelectual e nunca ter feito dois abortos
- Ser actriz e nunca ter desejado fazer um aborto
- Ser bloquista sem usar metáforas estapafúrdias
- Ter TV Cabo descodificada e pagar a conta
- Ser contra o aborto
- Dizer ou escrever algo de que se possa arrepender
- Lembrar as “burrices” dos Governos PS
- Recordar que Sócrates já foi Ministro
- Colocar portagens nas auto-estradas
- Por os portugueses a pensar
- Reconhecer que o Mário Soares está senil
- Perguntar-se sobre se Sampaio não estará também
- Perguntar se Cunhal ainda é vivo
- Perguntar se o Papa já morreu
- Andar de autocarro
- Andar de Metro
- Andar de outros transportes públicos
- Sair ao Sábado à noite
- Passar três dias sem ir ao Shopping
- Assumir que vê três telenovelas
- Concordar com o Procurador-geral da República
- Ser intelectual e não ter um blog
- Apresentar programas de entretenimento sem estar aos gritos
- Ter ideias que ponham as pessoas a trabalhar
- Pagar o jantar com cheque ou dinheiro
- Pagar o jantar com Multibanco
- Ter menos do que sete cartões de crédito
- Ter um carro mais pequeno do que o do vizinho
- Ser vendedor e não ter gel no cabelo
- Ser vendedor e não ter óculos de sol estranhos
- Ser vendedor e comprar gravatas em lojas diferentes do outros todos
- Ser professor e não se queixar
- Ir à tropa e achar que foi fácil
- Ter um filho sem epidoral
- Ter dois filhos
- Ter mais do que dois filhos
- Ter os pais em casa
- Não saber quando começa o julgamento do caso “Casa Pia”
- Nunca ter andado em contra-mão numa auto-estrada
- Ser demitido e ter vergonha!

PS: já sei que me esqueci de muita gente, alguns foi de propósito, também tenho direito à minha própria auto-censura

segunda-feira, novembro 22, 2004

Anedótico

O que diz José Rodrigues dos Santos é anedótico. Ao afirmar que ao não aceitar o nome por ele proposto para correspondente em Madrid a Administração da RTP estava a influenciar o conteúdo editorial, reconhece que a pessoa por si proposta teria determinada “inclinação”. Ora, se assim é, era ele próprio quem abusivamente tentava condicionar os conteúdos, não segundo critérios relacionados com isenção, mas apenas de acordo com as suas “preferências”.
Ou seja, das duas uma: ou José Rodrigues dos Santos diz claramente que a jornalista proposta pela Administração estava “vendida” a alguém (e não diz) ou está a assumir, nas suas próprias afirmações, que se passava precisamente o contrário, vendida estava a sua escolha.
Há ainda uma última hipótese a não descurar, José Rodrigues dos Santos não faz ideia do que diz quando fala em “conteúdos editoriais”…
Post relacionado aqui

sexta-feira, novembro 19, 2004

Neste país é bem:

- Dizer mal do Santana Lopes
- Dizer bem dos que dizem mal do Santana Lopes
- Ser contra o Scolari, desde que sejamos a favor do Scolari quando ganhamos
- Dizer que o Ricardo é frangueiro
- Achar que o Paulo Portas é “bicha”
- Ser “bicha”
- Não ser contra quem é “bicha” mas ser contra quem é “bicha”
- Não ver televisão
- Dizer asneiras
- Comprar o Expresso
- Dizer que ouvia sempre os comentários do Marcelo
- Não ser pressionável
- Ter sido pressionado
- Dizer que a culpa é das obras do Metro
- Achar que o Governo não tem autoridade
- Achar que o Governo tem autoridade a mais
- Achar que o Governo não deveria ter autoridade
- Achar que o Governo se desautoriza a si mesmo
- Achar que o Governo não governa
- Achar que o Governo governa de mais
- Achar que o Governo nunca deveria ter governado
- Achar que o Sampaio devia falar e estar calado ao mesmo tempo
- Achar que o Cavaco é o maior
- Achar que o Cavaco foi o maior
- Achar que o Cavaco vai ser o maior
- Esquecer-se de quem é o Guterres
- Esquecer-se de quem é o Sócrates
- Esquecer-se que os pedófilos são pedófilos
- Esquecer-se que as vítimas dos pedófilos são crianças
- Esquecer-se que os comunistas nunca foram democratas
- Ser corrupto e não ser apanhado
- Ser corrupto, ser apanhado e montar uma biblioteca na cadeia
- Ser corrupto, ser apanhado e escrever um livro
- Mandar escrever por si um livro mesmo que não o saiba ler
- Mandar umas bocas nos jornais e ver isso transformado em notícia
- Dizer que o disparate que acabou de escrever é de “interesse público”
- Dar pontapés na gramática em directo no Telejornal
- Dar pontapés na gramática
- Procurar a Joana
- Procurar a Joana
- Continuar à procura da Joana
- Especular sobre a Joana
- Voltar a procurar a Joana
- Dizer que a PJ anda à procura da Joana
- Entrevistar mais um padrasto da Joana
- Perguntar ao vizinho sobre quem é que ele acha que matou a Joana
- Ser fútil
- Ser celebridade sem nunca ninguém ter ouvido falar de nós
- Ser conhecido porque se é conhecido
- Ser-se desconhecido mas dar entrevistas como se fosse conhecido
- Andar com as calças a meio do rabo
- Ir de férias a Cuba
- Conhecer-se pessoalmente o Castelo Branco
- Dizer que o Castelo Branco tem piada
- Não dizer nada sobre o Pinto da Costa
- Dizer que o Pinto da Costa tem muito mérito
- Chamar presidente ao Pinto da Costa
- Dizer que a mulher do Pinto da Costa não é mulher dele
- Bater na verdadeira mulher do Pinto da Costa
- Dizer mal dos outros clubes todos e de todos os treinadores
- Dizer que a Superliga não é super
- Ir depor ao DIAP
- Quebrar o segredo de justiça
- Estar-se… nas tintas para o segredo de justiça
- Ter sido alvo de escutas telefónicas
- Ter pelo menos um apito dourado dentro de uma vitrina
- Dizer muito mal do Procurador-geral da República
- Processar o médico
- Processar desconhecidos
- Processar o Estado Português
- Ter memória curta
- Ter memória muito curta
- Não vomitar quando se vê a imagem de António Guterres
- Achar que o Papa deveria morrer
- Achar que o Papa já morreu
- Achar que o Papa nunca morrerá
- Ser presidente do ACP
- Dizer que a Fórmula 1 vai voltar a Portugal
- Ficar rico sem ter feito nada que se veja para tal
- Ter telemóveis com câmaras fotográficas
- Tirar fotografias à namorada nua e por na internet
- Exkreverx sms kom muitox xxx e kkk tipo atraxado mental
- Mas o melhor de tudo
É ser demitido. Isso sim, está na moda e é o melhor destino que existe

PS: peço desculpa se me esqueci de algo ou alguém…

quarta-feira, novembro 17, 2004

Inveja no circo

Tenho para mim que o Santana Lopes é o palhaço que mais inveja despertou na história de Portugal. E não entendo porquê!

terça-feira, novembro 16, 2004

Pontos de ordem

O Expresso diz que a coligação está em risco e justifica: um ministro saiu do congresso e foi almoçar com outro ministro.
A imprensa do dia seguinte pega na ideia. Passou a ser uma verdade universal que há crise na coligação e que almoçar mata coligações.
Justifica à noite uma televisão: "além do mais, Paulo Portas tinha ido a todos os congresso do PSD desde que está no Governo".

Pontos de ordem sobre esta questão:

1. Quantos congressos do PSD houve desde que Paulo Portas está no Governo, ou seja desde há dois anos? Alguém sabe? O Jornalista disse-o? Que significado tem este TODOS? Todos quantos são? É menos de três, mais do que um, será só um?
Não acharão (mesmo os leigos) que era OBRIGAÇÃO do jornalista dizer quantos foram?
Não se interrogou sobre o assunto??? Então não é jornalista.
Não quis dizer quantos foram? Então não é jornalista.

2. Estou-me nas tintas para os amuos e/ou almoços dos governantes. Eu como a maioria dos portugueses. Um gajo fez um troço da auto-estrada duas vezes em contra-mão, foi preso e solto horas depois, ainda embriagado, com a carta de condução na mão. Não será isto mais do interesse público, ou seja, mais notícia? Chamem-lhe critérios.

3. Perguntaram aos ditos senhores se estavam amuados. Estes disseram que não. Perguntaram-lhes mais 389 vezes em 15 minutos. Será isto jornalismo?

4. Alguém sabe o que decidiu o Governo sobre o mar português hoje? Alguém sabe que Portugal perdeu recentemente direitos sobre as suas próprias águas? Isso interessa?

5. Gostava um dia de ver uma reportagem sobre o pior dos ninhos de víboras que já vi (logo depois de um congresso do PS), ou seja, uma redacção. Alguém leu o comunicado do Conselho de Redacção da RTP sobre o "caso Rodrigues dos Santos"?

segunda-feira, novembro 15, 2004

É penaltie! É penaltie!

Isto é doença que lhes deu. E pega-se. Depois de ter dado em futebolistas como Liedson e João Pinto, atinge agora jornalistas e comentadores. Basta sentirem uma pressãozita nas costas e... deitam-se logo para o chão. Só que as repetições no futebol são mais rápidas e menos exaustivas e dolorosas... lá vamos nós ter que aturar mais uma corrida à Comissão de Arbitragem - ops - à Alta Autoridade para a Comunicação Social, digo!

PS (ao cuidado do Rato Narigudo): embora lhe possa parecer, este não é um post sobre futebol, mas se quiser dizer bem do Pinto da Costa a este propósito, faça o favor.

Já agora, por não ter nada a ver com o assunto, deixo um link para um post que em tempos escrevi sobre José Rodrigues dos Santos (com entrevistas destas até eu era capaz de o pressionar... a estar calado). Chamo só a atenção para a parte final do meu post, onde me questiono: "Resta-me uma questão que alguém há-de saber responder, mas que a entrevista não responde: porque é que José Rodrigues dos Santos é Director de Informação da RTP? Ou será que perguntar isto implicaria um juízo de valor que desta vez (só desta vez) não caberia ao jornalista? " (publicado originalmente no primeiro Nónio a 27 de Julho).

domingo, novembro 14, 2004

O primeiro bom serviço de Guterres

Não gosto nem um bocadinho deste Governo. Santana Lopes sempre se me assemelhou muito mais a um sucedâneo do pior que a política consegue produzir.
Serve este ponto prévio para introduzir um elogio a Morais Sarmento. Se o disparate pegado ainda não invadiu a governação de forma mais evidente, desconfio que a ele se deve.
O seu discurso de ontem no Congresso do PSD é disso prova. Corajoso, claro, directo e frontal. É raro encontramos políticos que consigam em determinado momento concentrar todos este predicados.
E disse o ministro algumas coisas evidentes que os colunistas se têm esquecido de dizer (ou sou eu que tenho azar nos que leio). As declarações desta semana de António Guterres, não só não acrescentam nada a coisa nenhuma, por serem uma espécie de reposição do filme “deja vue” de Francisco Louçã, como roçam o ridículo vindas de quem vêm. Guterres, pura e simplesmente, deveria votar-se ao silêncio para sempre. Quem sabe desaparecer ou mesmo fazer uma operação plástica, mudar de voz e, já agora de cérebro, assumindo o papel envergonhado que por momentos desempenhou quando, em desespero, protagonizou a mais evidente e nojenta fuga do Governo de que há memória me países civilizados (Barroso é segundo classificado nesta lista).
Morais Sarmento disse: “Mais do que engenheiros, são fiéis praticantes de engenhocas", classificando de "descaramento" as recentes afirmações de António Guterres.
Mas disse também outra verdade universal, que mais de 30 anos de democracia provam por A+B: “nunca outro partido além do PSD trouxe sucesso a Portugal”.
Na minha interpretação do discurso de Morais Sarmento, o que ele nos disse foi um pouco parecido com o mal menor. Ou seja, é melhor ter cá este Santana Lopes, rodeado de algumas pessoas de valor (como ele próprio), e ir governando Portugal ao jeito do PSD, do que levar de novo com a verborreia chocada, nojenta, inconsequente das engenhocas do PS.
Sou, por regra, frontalmente contra a teoria do mal menor, mas aceitando que se trata de políticos, de quem as nossas expectativas prudentes deverão sempre ser limitadas, tenho que aceitar que neste caso de aplica.
Nesse aspecto, António Guterres, ao abrir a boca três anos depois, prestou o seu primeiro grande serviço ao país: fez-nos sentir um terrível arrepio na espinha, um enjoo compulsivo, lembrando-nos de que existe, foi Primeiro-Ministro e ainda está vivo. Ou seja, Guterres não é o dinossauro lendário que tudo vomitava e que desapareceu na era glaciar. Guterres é o vento frio do Norte que nos gelou por muitos anos, que ainda não passaram. E, ao contrário do que se possa pensar, ele não morreu, continua, por isso, a ameaçar-nos. À ideia veio-me uma imagem de um governo liderado por Sócrates, com Narciso Miranda, Fernando Gomes, Nuno Cardoso, Maria de Belém, António Costa e o coligado Francisco Louçã como ministros. E Guterres como Presidente, chocado com cada desgraça que diariamente nos iria acontecer.
Por momentos, fez sentir-me melhor com Santana no Governo. Aceito, por isso, neste caso, a teoria do mal menor. Foi então que percebi, pela primeira vez, nestas quase quatro décadas de ser humano, que na política nunca se escolhe o melhor, deve é evitar-se o o pior. Venha então Santana, se puder ser, com Morais Sarmento e Cavaco Silva por perto.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Regresso ao Post Aberto


Há uns tempos enviei um post aberto ao senhor que está de pé. Nunca me respondeu. E como sou tão chato como o que incomoda o senhor que está sentado (e a pedido de várias famílias), resolvi recordar esse post e oferecê-lo a quem quiser usá-lo. Se, como eu, se indigna que o senhor que está de pé continue a só existir quando está calado (ver este outro post), publique-o, linke-me ou simplesmente, envie o Post Aberto para o senhor que aparentemente está a incomodar o senhor que está sentado. Para isso, basta seguir este link. Se é dos que está contra as escandalosas declarações que proferiu humilhando os mais de 800 mil portugueses considerados pobres, e os restantes 8 milhões de remediados, envie-lhe este outro post, a meu ver o que mais revela a sua incapacidade presidencial.
Já agora, obrigado a todos os que elogiaram o Post Aberto.
Admito que este seja o mais confuso dos post que já escrevi. Mas se seguirem os links pode ser que entendam.

Guerra e Paz

A morte de Arafat terá servido para qualquer coisa. Algumas pessoas que simplesmente se limitavam a olhar para a questão palestiniana como a 15ª notícia do Telejornal (sinal de que está quase na hora da telenovela) vão agora perguntando, afinal, que raio de questão é aquela. Nós, ocidentais, temos a tendência em pensar que aquilo é lá longe, que nada temos a ver com o assunto e que não temos culpa nenhuma na matéria.
Por outro lado, é muito fácil aceitar que os "gajos" parecidos connosco (israelitas) são os bons e os "gajos" que andam de turbante são os maus.
Só que a História não quer saber disso, não é simples, e envolve-nos até à raiz dos cabelos. A questão do Médio Oriente é, como outras, um dos maiores disparates da História, de que americanos, europeus e, sobretudo, os vencedores da II Grande Guerra têm quase toda a culpa.
Basicamente, “nós” decidimos que aquele pedaço de terra era para alguém que, apesar de massacrado numa guerra (judeus) não tinha, de todo, o direito a ela. Quanto aos gajos esquisitos que por lá andavam, que se lixem e se encolham. Com boa vontade, caberão todos, à estalada ou à pedrada, isso pouco importa, afinal é lá longe.
Mas não nos ficámos (nós ocidentais) por aí. Donos do Mundo na sequência da II Guerra, pensámos ainda que até seria porreiro ter ali um país (Israel) onde há pessoas parecidas connosco, com costumes e crenças semelhantes, com bebedeiras como as nossas, que comprem palermices como as nossas, champanhe e hambúrguer de minhoca. Além disso, comprarão certamente muitas armas e, se formos espertos, a partir dali podemos controlar aquela cambada de árabes que para ali anda e tem petróleo logo ao lado.
Esta visão simplista de uma questão extremamente complexa, que envolve tragédias humanas inaceitáveis, desesperos, actos (quer queiramos quer não) heróicos que vão ao ponto do suicídio e de enfrentar exércitos tendo como armas apenas pedras (como na Intifada), serve para tentar explicar o nosso egoísmo mesquinho de europeus sem consciência, sem rumo e sem alma, permanentemente invejosos dos americanos, sem que percebamos que são esses muito piores do que nós.
Lavamos dali as nossas mãos e aceitamos, como em África, que o resto do Mundo morra na 15ª notícia do Telejornal. E a chatice que aquela notícia, por curta, nos vai dando, como areia recorrente no sapato, faz-nos tomar atitudes inconcebíveis como a de dar a Arafat o Prémio Nobel da Paz. Como quem diz: “toma lá para te calares agora que assinaste um acordo”. Obviamente, hoje, e mesmo com o dito morto, já nos esquecemos da triste figura que fizemos nessa altura. Em tantas notícias que tenho ouvido sobre a morte do líder palestiniano, não me recordo de ter ouvido dizer: “morreu o Prémio Nobel da Paz”.
Serve este post para dizer, que nem Arafat merecia tal prémio (pense-se o que se quiser sobre a questão, ele, Arafat, será sempre um senhor da Guerra, nunca da Paz) nem tão pouco mereceria morrer sem que, pelo menos, percebessemos que a sua causa é legítima e que a sua morte não trará a paz.
Os que dizem que sim, deitando nas costas de um morto a responsabilidade de uma guerra de que não foi nem o principal e primeiro culpado nem o “fazedor de paz”, sabem que não. Esses, apenas tentam descansar a consciência, em vez de tentarem perceber que, séculos depois, também nós voltaríamos a tudo fazer para correr da nossa terra árabes, espanhóis ou franceses, nem que fosse com o azeite fervente num castelo ou armadilhando uma ponte para que caíssem ao rio. Actos, que praticados hoje com a mesma legitimidade por palestinianos seriam considerados terrorismo.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Estará bem?

Jorge Sampaio diz que perdeu um amigo (!!!), comentando a morte de Arafat
Penso que não era de desperdiçar a cama que fica hoje vaga no Hospital de Percy.

quarta-feira, novembro 10, 2004

O país dos "ex futuros"

Bagão Felix foi ontem à Assembleia da República dizer algumas evidências, entre as quais o que já tinha dito anteriormente. Ou seja, os impostos não baixaram, apenas houve uma redistribuição das verbas do IRS. Ou seja, o dinheiro dos incentivos fiscais passa a ser aplicado nas taxas do IRS.
Pensei eu que isso era completamente claro. Bagão Félix explicou isto deforma exaustiva já depois do anúncio do Primeiro-Ministro de que haveria uma redução nas taxas de IRS em 2005 na célebre comunicação ao pais.
Ora, ontem, Bagão foi à Assembleia dizer exactamente a mesma coisa que já tinha dito, afirmando que “é mentira se dissermos que os impostos vão baixar”. Quem ouviu o contexto em que o Ministro o disse na AR percebeu perfeitamente a que se referia, uma vez que contestava algumas afirmações de que o Governo prometia o milagre sem explicar onde ia buscar as verbas para pagar a baixa do IRS. Foi nesse contexto que Bagão Félix respondeu dizendo: “não baixa o IRS”, referindo-se, naturalmente, ao “bolo” total das receitas.
Pois foi com enorme estupefacção que hoje li em alguma imprensa e ouvi ontem na TSF (com honras de abertura de noticiários) em jeito de “grande polémica” que Bagão Félix teria desmentido o Primeiro-Ministro, entrando em contradição. A TSF foi mesmo recuperar a declaração de Santana Lopes anunciando a redução das taxas de IRS (AS TAXAS DE IRS).
Das duas uma, ou existe em determinada classe jornalística uma declarada e despudorada má fé ou, então, é simples, pura e inacreditável estupidez o que comanda a cabeça de alguns profissionais da comunicação social. Não gostaria de aceitar a hipótese de ser iletrada incapacidade de interpretação básica do português...
Seja qual for o caso, deveriam abster-se de serem jornalistas e dedicar-se a outras actividades. Por exemplo, como assessores dos "ex" e "futuros" ministros socialistas que, lamentavelmente já se desunham por um lugar ao sol no "ex" "futuro" governo.
Mas se nem isso eu consigo compreender, menos entendo que todos os dias se continue a escrever, a dizer e a assumir que este Governo controla os média.
Por menos simpatia que tenha (e tenho) por Santana Lopes (antes mesmo deste ser atirado para o Governo, como provam alguns posts deste blog), a falácia em que a informação caiu nos últimos tempos começa a merecer-me ainda menos.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Reles aldrabices, lucros milionários


Um dia da semana passada recebi na minha caixa do correio um estranho envelope. Com impressão da melhor qualidade e recorrendo a técnicas caras, incluindo dourados, o envelope formato A4 tinha dentro vários impressos.
No remetente lê-se: "O meu Imaculado Coração Triunfará", Av. De Berna, 35 - 4º Dto. - 1050-038 Lisboa. Logo abaixo a imagem de uma "Nossa Senhora" com coração e espinhos.
Lá dentro, um envelope tipo RSF, que não precisa de selo, endereçado a Custódios de Maria, Remessa Livre 11057 EC Arraiolos 1032-965 Lisboa.
Depois, uma longa carta de quatro páginas A4, utilizando a mesma técnica que os vulgares folhetos de compras e concursos duvidosos que nos mandam para casa frequentemente, isto é, letra a simular a máquina de escrever, muitos sublinhados e uma assinatura a azul, aparentemente fingindo tratar-se do próprio a assinar. O próprio é Luis Miguel Morais Soares, ali intitulado "Coordenador da Campanha".
Ainda no mesmo envelope, uma imagem de "Nossa Senhora", tipo foto A4, com o mesmo "remetente" no verso e a morada da Avenida de Berna.
Ainda a acompanhar esta tralha toda, um impresso para preencher. Diz o mesmo:
"Prezado Senhor Luis Miguel, Coordenador da Campanha, Salve Maria!
Sim colocarei a estampa da imagem peregrina num lugar importante da minha casa.
Sim, também acho que só Nossa Senhora poderá resolver os graves problemas da nossa sociedade e do nosso país. Por isso, desejo colaborar para que esta estampa seja enviada a todas as famílias e estabelecimentos comerciais. Receba pois a minha melhor oferta de ... 15 Euros; ... 25 Euros; ... 50 Euros; .... Outros.
Se desejar recibo assinale aqui.

Ao lado pode ler-se em pequenas palavras que esta iniciativa pertence à Associação dos Custódios de Maria. Tem telefone, fax e e-mail e também um talãozinho para podermos pagar nos correios, se quisermos.
Nada falha.
O que diz a carta é inenarrável e intragável.
O homem, seja lá quem for este senhor Luis, nem sequer chega a propor-se dar o dinheiro aos pobres, como outras aldrabices do género tipo "Coração da Cidade" que tanta polémica tem dado no Porto.
A ideia dele é mesmo que lhe dêem dinheiro para ele enviar cartas a pedir dinheiro! Em nome do coração de uma "Nossa Senhora" que ele deve ter raptado, uma vez que se intitula como "Os custódios de Maria". Devem, por isso, ter a dita cuja presa algures. Mas nem o resgate que pedem a deverá salvar, uma vez que a não prometem libertar.
Mas outro pormenor assaltou a minha consciência. O dito folheto estava endereçado em meu nome, tinha aliás o meu nome completo e a minha morada completa.
Ora não tendo eu fornecido nunca os meus dados a qualquer associação ou coisa parecida com isto, sendo eu absoluta e completamente agnóstico, como obteve este senhor, que tem uma estranha associação em Lisboa, os meus dados pessoais?
Mais reparei que tudo isto termina com o seguinte escrito em pequenas letras do verso da última folha: "Os seus dados serão processados informaticamente e destinam-se à Associação Custódios de Maria. Caso se oponha a que os seus dados sejam fornecidos a outras empresas e associações afins, informe-nos por escrito. Os donativos serão aplicados nesta iniciativa e/ou na realização dos fins estatutários da associação. O direito de acesso e rectificação é garantido nos termos da lei."
Ou seja, este senhor Luis invoca a lei para a violar. Não sou eu que tenho que dizer que não quero que os meus dados sejam utilizados desta forma, é ele que tem que me pedir autorização, como é evidente, senão teria hoje que escrever uma carta a cada um dos 10 milhões de portugueses a dizer que não quero...
Num país em que Ministério Público, Polícia, Altas Autoridades, Comunicação Social e Políticos perdem tanto tempo com parvoíces infundadas como as que vemos todos os dias nos "telejornais", não estará na hora de alguém pegar num "dossiê" complicado mas da maior gravidade que é a extorsão e burla de que são vítimas centenas de milhares de portugueses (e até o Estado) com a proliferação de igrejas, falsas igrejas, seitas espíritas, falsas caridades ou simplesmente reles aldrabices?
Quem mete esta gente na cadeia? Gente que vive na maioria das vezes luxuosamente sem mexer uma palha senão para extorquir os mais pobres, desfavorecidos, desinformados e ingénuos cidadãos?
Numa altura em que os sinais exteriores de riqueza vão servir (e muito bem) para presumir ilícitos fiscais, não estará na altura de assumir a coragem política de presumir também que quem vive milionário às custas da caridade e da desgraça ou desencanto alheio não estará também ele a merecer ser profundamente investigado?
Onde está a declaração de IRS deste senhor Luis? Preocupam-se as finanças com isso?
Onde está a declaração da D. Lassalette Santos, presidente da Associação Espírita Migalha de Amor, que tem como número dois uma Procuradora do Ministério Público e grande apoiante o Senhor Pinto da Costa? Onde vão parar os milhares de contos de donativos que são pedidos em pleno Estádio do Dragão para o "Coração da Cidade", instituição que nem sequer existe, e que é afinal essa associação espírita que alimenta, não pobres, mas os luxos e vícios de uma elite da cidade do Porto?
Porque razão ficam esses pobres na rua comendo iogurtes fora de prazo quando ao cidadão é pedido dinheiro para algo que não existe e que era suposto alimentá-los, indo afinal parar aos cofres de uma seita espírita que funciona de forma ilegal numa luxuosa casa de onde partem e chegam diariamente Porsche, BMW e Mercedes?
Quem tem autoridade em Portugal para por esta gente na ordem?
Lamento dizer-vos: ninguém. É que os Porsche, BMW e Mercedes pertencem a quem poderia fazê-lo.
E os jornalistas portugueses, onde param nesta história? Tristemente, nem investigam, nem comem com eles.

quinta-feira, novembro 04, 2004

Memória curta ou desplante?

Uma das primeiras entrevistas que fiz a políticos com grande visibilidade foi a Almeida Santos. Talvez por isso não a esqueça. Recordo-me bem das suas palavras depois de paternalmente me ter chamado várias vezes “jovem”. Opunha-se à privatização dos jornais e era frontalmente contra a abertura da televisão à iniciativa privada. Poucos dias depois, viria a perder para Cavaco Silva umas eleições que foram determinantes para o futuro de Portugal, da democracia portuguesa e da imprensa livre em Portugal.
Não esqueço nem as palavras nem o rosto de Almeida Santos, quando minutos após desligar o gravador de reportagem, ainda nas despedidas, atende um telefonema. Percebi bem que do lado de lá surgiam os resultados de uma sondagem nunca publicada, pois era proibido naquele período eleitoral.
Cavaco Silva ganharia dias depois, já o disse, privatizou a imprensa, abriu a TV aos privados. Muitos anos depois, o Partido Socialista no poder, iniciou de forma obscura a reprivatização de parte da imprensa nacional, através das participações da Portugal Telecom em grandes grupos da comunicação. Na PT, o Governo onde Sócrates já ocupava um lugar de destaque colocou um dos seus ministros “despedidos” que durou nas suas funções ministeriais apenas 15 dias, por lhe ter sido descoberta uma fraude fiscal.
À declaração de hoje de José Sócrates (ver Público) sobre as alegadas pressões do Governo na Comunicação Social e sobre a sugestão da vir a proibir o Estado de participar no capital das empresas de comunicação social que não as três que ele escolheu, atribuo apenas uma qualificação: “desplante”!

terça-feira, novembro 02, 2004

Com isto não quero mesmo dizer mais nada além do que aqui escrevi... ok?

Hoje ouvia a TSF quando voltava para casa ao fim de um dia de trabalho. Costa Monteiro, comentador do jogo da Liga dos Campeões ia fazendo a antevisão do FCP-PSG que daí a pouco iria começar no Estádio do Dragão. A certa altura diz uma coisa mais ou menos enigmática sobre a perseguição terceiromundista e inacreditável (os adjectivos são meus) da claque dos Super-Dragões a jogadores do Futebol Clube do Porto.
O próprio comentador refere-se de seguida à “visita” que os mesmos elementos teriam feito a um treino da equipa, interrompendo o mesmo e passando alguns minutos a falar com Jorge Costa e Vítor Baía.
Para o mesmo comentador, havia que fazer a ligação desses acontecimentos à presença daquilo que ele considerou ser uma ilustre personalidade na claque no jogo do Estádio da Luz (não referiu quem era, mas ainda assim consegue entender-se que ou o “Guarda Abel” ou o director da claque são ilustres personalidades… ou poderemos considerar ilustre a namorada de Pinto da Costa?).
Por fim, diz o próprio comentador que “ainda não ouviu minguem do Futebol Clube do Porto condenar a atitude da claque” nas perseguições e ameaças de morte a Derlei e seus companheiros…
O relator do jogo, por acaso um dos mais brilhantes profissionais que já conheci (pelo menos na área desportiva) chama-se João Ricardo, e por ter alma de jornalista fez a pergunta que se impunha: “O que é que estás a querer dizer, concretamente?”.
A resposta do comentador foi lacónica e atrapalhada: “não… não estou a querer dizer nada…”
À mesma hora, a Alta Autoridade para a Comunicação Social, que outrora se limitou a não existir, dava mais um safanão na sua lenta e penosa agonia e, agora em vias de extinção, ouvia em audiência uma jornalista em franco e aberto espectáculo elogioso da “não notícia”, só porque esta terá sido convidada para ser directora de um jornal e disse “Não”.
Se é de velhice que se fina a AACS, é Alzheimer de que padece. Mas o grave não é nem a morte nem a doença, mas antes o facto de continuar a patrocinar esta dispensável forma de estar do país informativo que vive de medos, mudos e modas e não de factos.
A verdade, naquele fim de tarde, não estava nem nos gabinetes do Terreiro do Paço nem nas declarações preconceituosas que vemos repetidas a cada um que entra e sai da AACS. A verdade está à vista de todos e somos nós que a escondemos sempre que nos dá jeito ou sempre que não nos dá jeito assumi-la. E isso acontece a toda a hora, sempre que colocamos à sua frente cortinas de fumo, quase sempre oriundas dos mesmos charutos cubanos, caros e pestilentos.

Socorro

Alguém diga à Renault para colocar outra música naqueles spots do Renault Modus. É insuportável...