Nónioblog

segunda-feira, julho 10, 2006

Itália....




Ganharam os melhores...

terça-feira, julho 04, 2006

Na véspera da Meia-Final


Já não há Paula, mas eu continuo preocupadíssimo com a Selecção...

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Apito Dourado: quem prende o Procurador?

















Acabei de ler o comunicado da PGR sobre a acusação do Apito Dourado e posso cuncluir:

1. Que o Procurador de Gondomar andou 3 anos (ele e mais 20 e mais não sei quantos PJ) a investigar 81 casos que não lhe competiam territorialmente.

2. Que o Procurador de Gondomar andou 3 anos (ele e mais 20 e mais não sei quantos PJ) a investigar 127 crimes que... não eram crime.

3. Que, depois de gastar milhões ao Estado, e de ter furado uma greve (ele é sindicalista!!), apenas conseguiu acusar uns tipos porreiros de terem feito exactamente o que todos os outros procuram: ajudar o clube da sua terra.

4. Que em Portugal devemos ser todos uns santinhos. Não há roubos, violações de crianças, crime económico à séria, homicídios ou corruptos de verdade para investigar. Se houvesse, não haveria tempo para brincar aos quintais.

Pergunto-me finalmente:
Quem prende este Procurador de Gondomar, chamado Carlos Teixeira?

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Carta a Cavaco Silva
















Prezado Senhor Professor
Ilustre Presidente da República Eleito


Dirijo-me a Va. Excia., antes de mais, para o felicitar e demonstrar desta forma a minha satisfação pela sua brilhante vitória.

Sempre votei em si. Quer nas Eleições Legislativas, onde fui sempre fiel ao Partido Social Democrata, quer nas Presidenciais, que lamentavelmente perdeu há 10 anos atrás.
Desta vez, procurei, de novo, cumprir o meu dever cívico. E é, também, sobre isso que lhe escrevo.
Serão muitas as tarefas que Va. Excia. irá enfrentar, certamente. Muitas delas representarão enormes desafios. Mas, permita-me a humilde opinião de que haverá uma mais prioritária: a dignificação da vida política e o fomento da Democracia. Sobre isso, saberá Va. Excia. muito mais do que eu. O Professor Cavaco Silva é, na minha opinião, o paradigma da dignidade e daquilo que faz falta à política.
Contudo, a dignificação da vida política não pode começar sem que seja dignificado o mais puro acto de democracia: o acto eleitoral.
Ontem, ao tentar votar, senti que Portugal ainda não é bem um País democrático. Ainda que com as devidas distâncias, cheirou-me às anárquicas Eleições pós 25 de Abril de 1974.
Quase tudo era ontem igual ao que tinha sido há 30 anos atrás. As urnas, os boletins de voto, as canetas, e as cruzes. Portugal parou no que diz respeito ao acto primeiro e último da Democracia.
Não sei quantos países europeus continuam a votar assim, com cartões de eleitor em formato anormal, escritos à mão, acompanhados de Bilhetes de Identidade que não cabem nas carteiras da Europa, sem segurança e sem recursos tecnológicos.
Atrás da urna, gritam-se nomes e chamam-se números, mas a sensação que fica, é que qualquer um vota por qualquer outro. É fácil. O sistema não tem segurança.
Pergunto-lhe: será difícil estar recenseado em mais do que uma Freguesia?
Creio que ainda ninguém testou o sistema.
Mas, voltemos à minha história:
Recenseado há cerca de 10 anos na mesma Freguesia de Vila Nova de Gaia (Santa Marinha), com a mesma morada, já tinha votado em quatro locais diferentes durante esse período, a saber; na Junta de Freguesia, numa Escola Primária, no Pavilhão do Cais de Gaia e numas Caves de Vinho do Porto.
Da última vez, foi precisamente aí, junto ao Rio Douro, que votei. Cada vez mais longe de casa, diga-se.
Ora, logo aí se vê não houve sequer preocupação para esta localização. A um domingo, com a panóplia de bares e restaurantes que, muito bem, a Câmara Municipal de Gaia fomentou no local, torna-se penosa a deslocação àquele local. Em dia normal, por entre vielas e sentidos proibidos que mudam de dois em dois meses, demora-se, pelo menos, uma hora. De carro... pois não há Metro e os poucos Autocarros... demoram mais!
Uma vez chegado ao local, é necessário estacionar... num parque privado que custa caro... se houver lugar.
Ora, por aqui se vê que, numa altura em que se fala de combate à abstenção, qualquer coisa está errada. Em lugar de se facilitar o voto... dificulta-se.
Desta vez, e depois de tantas alterações de local, julguei, erradamente, duas coisas:
1º que votaria na mesma mesa.
2º que a mesma mesa era no mesmo local.
3º que essa informação estaria disponível na Internet.
Três ingénuos erros.
E começa por aí: a informação não está disponível na Internet.
Meti-me no carro, e lá fui eu. Graças aos tais bares e restaurantes, às Eleições e ao sol... demorei 1 hora e 45 minutos a chegar ao local. Só que o local já não era ali.
As caves tinham sido substituídas por um edifício decrépito, como o anterior, numa rua com dois metros de largura, escondido atrás de uns restaurantes.
Entre cães a fazer “xixi”, lá cheguei, a pé. Não há trânsito nessa rua.
Mas, quando cheguei, vi que a minha mesa era agora... no Candal!
Nunca vivi no Candal. Nunca votei no Candal. Porque voto agora no Candal?
No Candal... onde?
No Centro Paroquial!
Pois aí está. Em Vila Nova de Gaia, onde há um Palácio da Justiça recente, uma Câmara antiga, tantas Juntas de Freguesia, Escolas que nunca mais acabam e o Governo quer fechar, e tantos outros edifícios públicos, tinha o Estado Laico que me obrigar a entrar no Centro Paroquial de uma localidade que não conheço, longe da minha casa. Pergunto-me se o “Clero”, que muito respeito, cobrou pelo espaço, que estranhamente, é necessário ao Estado para que este possa desencadear o seu mais nobre acto democrático. E pergunto-me se alguém que mora em Soares dos Reis, tem que ir votar ao Cais de Gaia ou ao Candal, quando, a 50 metros, há uma enorme Escola Secundária, em frente uma Primária, a 100 metros um enorme Palácio da Justiça, a Câmara, a Junta de Freguesia (onde até já votei), etc, etc...
Mas, a minha aventura prossegue rumo ao Candal... que mal conheço.
“Ora bem: Centro Paroquial deve ter a ver com Igreja”, pensei eu. E lá vou eu, imaginando o idoso que não tem carro e mora na porta ao lado a tentar votar. Ao chegar à Igreja do Candal, vejo um pavilhão com muita gente. Depois de esforço e tempo para lá chegar, dou com um enorme e respeitável... funeral.
Lamento, Senhor Presidente Eleito, mas fui para casa. Não votei!
Arrependido, contrariado, revoltado e esperançoso que não houvesse uma segunda volta por... um voto. Ou por quinhentos ou mil, pois não me senti sozinho neste sentimento de miséria democrática em que vivemos. Miséria de atraso estrutural profundo, não só a nível produtivo, como parece hoje evidente, mas também na nossa forma de pensar e viver a Democracia.
Somos pobres e temos pobres políticos. Tacanhos e deformados.
Foi, no passado, Va. Excia. um exemplo do espírito contrário ao que descrevo. Deposito na sua actuação, como Presidente da República, moderadas esperanças. Esperanças, motivadas pela sua diferente postura. Moderadas, porque o sinto sozinho nos seus propósitos.
A democracia começa no voto. E, ultimamente, tem-se provado que o voto não é nos políticos, nem sequer na política. Muito menos, nos Partidos.
Provou-se tal nas Autárquicas, prova-se agora nas Presidenciais.
Tanto maior foi a independência, e maior a votação de cada um dos candidatos. Va. Excia. e o Dr. Manuel Alegre, provaram-no. Como o tinham provado uns tantos independentes nas eleições locais.
A sensação que me fica é que: tivesse havido um bom independente nas Legislativas, e teriam todos os Partidos levado percentagens próximas às do Dr. Mário Soares.
Finalizo com um desabafo pessimista. Não reconheço hoje aos Partidos, qualquer capacidade autocrítica. Repare, Senhor Professor, que depois de derrotas tão estrondosas como as de Gondomar, nas Autárquicas, nunca ouvimos ninguém do PSD questionar em que falhou o Partido para ter apenas 7% dos votos, face a Valentim Loureiro, ou o PS, apenas 18%! Em vez disso, preocuparam-se em abusar do Poder Legislativo que têm, para impedir candidaturas futuras!
Como não questionam, agora, a razão pela qual não quis Va. Excia. os dirigentes partidários por perto, e porque razão teve o Dr. Mário Soares menos votos do que o Dr. Manuel Alegre.
A única preocupação visível, nos Partidos, foi assegurar o futuro da carreira política dos seus dirigentes e seguir em frente.
Por ventura, a todos os derrotados ou não vencedores da política, quer após Autárquicas, quer após Presidenciais, apenas restará uma interrogação: como conseguiremos fazer com que não concorram da próxima vez? Como podemos condicionar o voto? Como pode o sistema que está a enterrar o País, sobreviver?

Com os meus respeitosos e cordiais cumprimentos,

Eleitor Indentificado

sexta-feira, novembro 25, 2005

"Inteligence"!

A propósito dos supostos voos clandestinos da CIA em Portugal e, num claro defeito linguístico, o porta-voz da Embaixada dos EUA em Lisboa repetiu à TSF que, “a Embaixada nunca faz comentários sobre assuntos que envolvam inteligência”.
Nós acreditamos!

quarta-feira, novembro 23, 2005

A descredibilização da política

A política está em baixa. É uma actividade muito ao nível do assalto à mão armada... pelo menos no que diz respeito à opinião pública.
Prova disso, a recente discussão entre dois candidatos presidenciais acusando-se de serem políticos! Mas a culpa de isto ter chegado a este ponto é apenas deles. São maus e, sobretudo, esqueceram-se de dignificar a sua actividade.
De facto, nos últimos anos, tem-se desenvolvido a ideia de que ser político é mau e o que é preciso é pessoas tecnicamente competentes. Mas... a prática tem dito que não é bem assim. Os sucessivos e competentíssimos Ministros da Economia e das Finanças têm conseguido resultados catastróficos às finanças e à economia do País. A tecnocracia está, até, a invadir a área presidencial, que era (e é) evidentemente, uma área fundamentalmente política e até já se fala que o Presidente deveria perceber de economia.
Ora, se o cargo presidencial é tudo menos executivo, só pode ser político. Mais político do que qualquer outro. No entanto, vemos os candidatos fugirem desse rótulo e fazerem constantemente deambulações acerca das área executivas e mesmo técnicas da Governação.
Tenho sobre isso, uma opinião clara. Provavelmente, haverá quem a não compreende. Mas é a minha opinião. Fazer política é, fundamentalmente, falar. Quanto mais acima se está na hierarquia política do Estado, menos se deveria ter uma atitude de técnico omnisciente e muito maior deveria ser a atitude política e retórica do indivíduo.
Fazer política é também tomar decisões, mas não é fazer contas. Se calhar, nem sequer é explicar contas, sujeitando-se ao enxovalho público da sua verificação matemática na procura do erro. Não é ao Ministro das Finanças que cabe explicar a gralha do Orçamento de Estado. Evidentemente, não foi ele, nem tem que ser ele, a fazer as contas. A sua responsabilidade é outra. A sua habilidade tem que ser outra.
Fazer política é, por isso, ouvir, tomar grandes decisões, arranjar as melhores pessoas para executar o que decidimos e explicar. Falar. Ter razão. Não na medida tecnocrata do termo, mas ter razão politicamente.
Ultimamente, anda tudo trocado em Portugal. Explica-se a escolha de um Ministro com os cursos que tem, as contas que sabe fazer, e a competência que supostamente teve, como professor ou empresário. Mas esquecesse que tem que ser político.
Não sei se o Aeroporto da Ota é a melhor solução. Parece-me que não. A verdade é que ninguém terá ficado esclarecido com as exaustivas explicações técnicas ontem dadas. E porquê? Porque a coisa foi mal explicada sob o ponto de vista político. O Ministro Mário Lino já tinha mostrado a sua gritante inabilidade política, anteriormente. Ontem, voltou a demonstrá-la.
O discurso político tem que ser consistente e, mais do que estudos, que nunca ninguém entende como são feitos, havia que explicar aos portugueses o que se passa na sua cabeça e que mexe com o nosso dinheiro. Ontem, no dia em que se anuncia a “obra do Século”, não se podia dizer que se vai gastar 80 milhões de contos no “velho” aeroporto e que se vai levar para lá o Metro. Pode até ser necessário, imprescindível e verdade, mas o discurso político tem que ajudar a motivar quem paga as obras. E quem as paga somos nós! Como cidadão, tenho que dizer que não compro pneus novos para um carro que vou mandar para a sucata amanhã e, muito menos, mando trocar o motor e pintar a carroçaria.
Ainda que as soluções técnicas sejam correctas e que tudo isto seja bom para todos nós, até para o Porto... Mário Lino e Sócrates nunca poderiam ter deixado a ideia de que o Metro do Porto é para ir “arrefecendo” e, dias depois, admite-se fazer uma linha do Metro de Lisboa para... uma ruína anunciada: o Aeroporto da Portela.
Ser político é, como disse, essencialmente, falar. Falar bem, com razão, com razões, e com certezas. Com convicção, também, e com credibilidade. Estes políticos de hoje, não sabem falar. Não são bons políticos e não chegam a ser bons técnicos. São uma fraude que vamos aturando. Mesmo quando têm razão!

segunda-feira, novembro 21, 2005

O "beijo" de Saraiva







José António Saraiva escreveu sábado no Expresso um artigo de opinião intitulado “Beijos na Escola”. É claro que se refere ao caso das duas meninas da Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, que têm uma relação de namoro.
Aparentemente, o caso está a ser mais polémico para os que do seu sofá assistem, pelos outros jornais, ao desenrolar dos acontecimentos, do que propriamente para os alunos da escola.
Para José António Saraiva, o caso resume-se a isto:

1. O que faria eu, se dois jornalistas dos Expresso desatassem aos beijos na redacção?
2. O que faria um comandante, se dois soldados o fizessem na parada.
3. Estas meninas até já são crescidas (17 e 18 anos), uma é brasileira (“nem é de Gaia”, escreve) e, por isso, já são experientes e têm idade para saberem que há coisas que se fazem em privado e não em público.

É claro que esta declarada homofobia de José António Saraiva é disfarçada. Pelo meio, o “senhor Expresso” coloca sempre a ideia de que se fossem de sexos diferentes, a sua opinião seria a mesma. Isto é, dois soldados na parada, poderia ser uma soldada e um soldado e os jornalistas no Expresso, seriam, ou homosexuais ou não.

Mas, o facto, é que o “disfarce” da arrepiante opinião do senhor que aparentemente manda nas carícias e beijos dos seus jornalistas, não cobre todo o seu rabo… que à boa maneira do gato, fica de fora…
É que, quando desenvolve tão absurda comparação entre dois soldados aos beijos numa parada, dois jornalistas acariciando-se numa redacção, ou os namoricos de escola num recreio, José António Saraiva não só comete uma enorme desonestidade intelectual, como revela que já perdeu, há muito, a habilidade para parecer que tem razão, quando não a teve nunca.
Mas alguma vez o senhor Director se preocuparia com os namoricos heterosexuais numa escola em Gaia? Dito de outra forma: saberá Saraiva que todos os dias, há várias décadas, quase todos os meninos e meninas heterosexuais, convivem alegremente com beijinhos e apalpadelas nos corredores e recreios de todas as escolas do País?
Se o assunto foi puxado à sua crónica é, precisamente, porque se trata de homosexualidade. E se trata de homosexualidade assumida por duas meninas.
A frase de que “há coisas que não se fazem em público”, é demonstrativa de apreço de um Portugal que suportou, patrocinou e alimentou a Casa Pia. É reveladora de uma profunda hipocrisia e de insanáveis preconceitos que Saraiva transporta arrogantemente consigo.
E não falo apenas a propósito da homosexualidade.
A referência à nacionalidade de uma menina, insinuando que ser “brasileira” é sinónimo de ser “experiente”, deveria merecer por parte de quem, normalmente, não perdoa as mínimas “gafes” aos políticos, uma pública, enérgica e demolidora censura.
Quanto ao Expresso, lamento que as jornalistas, a partir de hoje, se vejam obrigadas a ter cuidado quando se acompanham à casa de banho e os jornalistas se tenham que sentir constrangidos com um abraço mais fogoso quando Cristiano Ronaldo marcar um golo por Portugal. Façam lá isso na intimidade, porque aí no Expresso, podem levantar as dúvidas sobre a sua própria sexualidade e, pior do que isso, a de alguém.

Há uns anos, assisti a um filme sobre isto. Chamava-se “Filadelphia”. É a história de um homosexual seropositivo (Tom Hanks) que foi despedido do seu emprego, onde era por demais competente, levando o caso a Tribunal. O seu advogado (Densel Washington), em pleno Julgamento, acaba por disparar ao velho “machão” e preconceituoso patrão que o despediu, uma frase que me apetece repetir a alguém neste momento:
“Are you gay”?

sexta-feira, novembro 18, 2005

Portugal... a voar

Ontem os médicos, hoje os professores, antes os juizes, os polícias, os militares... o Governo resolveu atacar as corporações. Pelo menos, as corporações andam zangadas.
Até concordo (com o Governo), apenas penso que nem sempre a habilidade tem acompanhado os Ministros de José Sócrates. Amordaçados, fariam, certamente, melhor figura.
Estava agora a ouvir a TSF e ouvia um professor queixando-se de algumas “migalhas” e horas que trabalha a mais ou a menos. O que lhe pagam e não pagam e, no final, como sempre, a GREVE. Pois! A GREVE! É quase sempre assim.
E lembrei-me dum episódio que, com certeza, já toda a gente esqueceu.
Há uns anos, a greve da ordem era normalmente dos pilotos da TAP. Queriam ganhar mais, queixavam-se da Administração, de falta de condições, etc, etc.
Até que um dia (11 de Setembro, por acaso), uns terroristas atiraram com uns aviões contra as Torres Gémeas em Nova Iorque.
Os pilotos da TAP cancelaram a greve que tinham prevista. Nunca mais falaram do assunto e passaram, provavelmente, a preocupar-se um pouco mais com o que andavam ali a fazer e qual a sua missão.
A TAP era, então, uma empresa à beira da falência, ou de ser anexada por um qualquer gigante. Curiosamente, esse momento de crise da empresa não motivou os pilotos a fazer um esforço. O que os motivou foi apenas o “cagaço” de ver a sua corporação ameaçada. Naquele dia, eles perceberam que não podiam continuar a dar milhões de contos de prejuízo à sua empresa, com greves que nunca lhe resolviam os problemas. Apenas os agravavam. Uma greve numa companhia aérea significa milhões de contos de prejuízo.
O facto, é que as greves pararam. A TAP recuperou-se, o défice deu lugar ao lucro e hoje, a TAP está a comprar a VARIG (falida), tornando-se num gigante da aviação comercial no Atlântico Sul, pelo menos no transporte de cargas.
Mais, a TAP está compradora de outras pequenas companhias, como a Portugália, e acabou de encomendar mais 17 Airbus.
Esta sobrevivência da TAP em tempo de crise não seria possível sem empenho dos pilotos. O que pergunto é se em Portugal só catástrofes ou efémeros “desígnios nacionais” (Euro 2004, Timor, etc) são capazes de mobilizar empenho e dedicação do povo.
Se este exemplo dos pilotos da TAP, da Administração da TAP e de todos o que tornaram o “milagre” da recuperação da empresa possível, não servir para fazer um pouco mais do que por aviões a voar, então professores, médicos, polícias, juizes, militares, e todos os outros (nós), terão perdido uma oportunidade. A oportunidade de sermos todos portugueses e percebermos que, antes do nosso interesse mesquinho, está o nosso interesse colectivo. Se queremos viver num País melhor e termos uma vida melhor, temos que ser nós a fazer esse País, e não esperar que ele aconteça, só porque politicamente aparentamos razão numa qualquer bem montada notícia do Telejornal, às 20h05.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Isto é que é despacho!

Com a sua teimosia contra a Metro do Porto, o Ministro Mário Lino está a conseguir duas coisas:

1. Impedir uma obra que já está feita (1ª Fase)

2. Parar uma obra que ainda não começou (2ª Fase)

A nossa sorte é que não se pode impedir o que já está feito nem parar o que ainda não começou.

Temos também sorte, porque este tipo não há-de lá ficar muito tempo...

terça-feira, novembro 15, 2005

O "circo" da Justiça

Há uns anos escrevi que a Justiça Portuguesa parecia querer começar a dizer alguma coisa. Poderia ainda não estar a funcionar, mas dava mostras de o querer fazer.
Afinal, hoje, tenho que dizer que, neste quatro últimos anos, a Justiça apenas conseguiu desacreditar-se. Tenho até vergonha do que escrevi. Os sucessivos processos mediáticos e menos mediáticos, apenas conseguiram provar que a máquina não está só ferrujenta. É pior. Está tudo errado. Nada funciona.
Processos como o da “Casa Pia”, onde se “brinca” diariamente aos tribunais, passando o tema das páginas dos jornais sérios para as “Marias” à velocidade da luz, ou processos como o do “Apito Dourado”, onde é mais do que evidente que apenas se pretendeu atingir alguém e não julgar ninguém, fazem com que o povo apenas se consiga rir do sistema. Sistema corrupto, degradado, incompetente, impotente, ridículo, injusto, injusto e injusto.
A entrada em funções de um novo Governo poderia ter trazido qualquer coisa de novo. No entanto, aquilo que este Ministro conseguiu fazer foi piorar ainda mais. E não falo da conturbada relação do Governo com os Juizes. Falo de algo bem pior e que vai passando despercebido aos “excelentes” comentadores e comentaristas.
Ainda há pouco, ouvi o senhor Ministro dizer que, já que mais de metade dos crimes acabam por não ser julgados “por deficiências várias” – comentou – há que dar prioridade aos mais graves. E promete traduzir isto em Lei. Isto é, este Ministro faz com que os crimes mais graves tenham prioridade e sejam julgados, ficando de lado os menos graves.
Ora, o que o senhor Ministro acaba de fazer é um crime letal à própria Justiça e até à Lei. O que se diz é assim: “os crimes leves não são para julgar, os pesados sim!”.
Ora, então, pode ficar-se a saber que se pode insultar o vizinho ou até roubar-lhe umas galinhas. O que não se pode é matá-lo à machadada.
Desconfio também que o Governo coloque em segundo plano o uso do telemóvel ao volante, e o crime de difamação, já agora. Ou será isso mais grave do que a pedofilia na Casa Pia? E não pagar impostos? Será mais grave ou menos grave do que bater na avó ou deixá-la morrer por negligência? Era bom que o senhor Ministro explicasse e que explicasse a arbitrariedade da Lei. Alternativamente, penso que seria mais dignificante para a Lei que alguns crimes deixassem de o ser e se assumisse que, certas áreas da vida portuguesa estão a saque.
Esta última questão é, aliás, pertinente. Ainda hoje li num jornal que um motorista de uma escola de dança abusava das meninas de 11 e 12 anos, quando as transportava. Utilizava linguagem pornográfica, apalpava-as e praticava outros actos sexuais. Foi condenado a dois anos de prisão... com pena suspensa porque “era um homem respeitado na sociedade e tinha 70 anos!”, dizia a sentença. Foi posto em liberdade, portanto! Ora, sou por isso levado a crer que este será um dos crimes leves a que se refer o senhor Ministro da Justiça, Alberto Costa. Um dos que deve ficar abaixo da fasquia dos 50% e nem sequer ser julgado. Aliás, para sentenças destas, de facto, andou-se a gastar tempo e dinheiro. As meninas ficaram abusadas e humilhadas. Provavelmente, daqui a uns anos, terão consciência da merda do País onde vivem e “nós, os inteligentes políticos”, estaremos satisfeitos, porque vimos mais um gravíssimo crime, como o que ontem conheci na SIC, de um rapaz que roubou um telemóvel e foi condenado a auatro anos de prisão. Esse, terá sido dos graves, pelo que vejo.
Um Estado que, à partida, considera que "há crimes e crimes, e que metade não são para julgar", um Estado que se demite daquilo que deveria ser uma luta primordial, a de garantir a Justiça, patrocinando princípios “bacoco” de cultura da incompetência, assumida, cultivada e até – como agora vai fazer o senhor Alberto Costa – regulamentada, já não é um Estado.
É uma palhaçada. Ainda por cima, nem sequer o circo é bom. Os palhaços são sempre os mesmos e este, que agora fala, já era palhaço há muito tempo, noutro Governo. Julguei-o afundado no pântano, mas ele aí está!

PS: ninguém parece ter reparado que, no mesmo dia, a mãe que matou e esquartejou a filha, com "especial perversidade" (disse a sentença), apanhou menos cinco anos de cadeia do que um Pai que matou um polícia que muito justamente perseguia o seu filho! 20 anos para a mãe, 25 para o Pai. Um dia, quando a Justiça estiver ainda pior e a criminalidade aumentar, já nem será necessário julgar um deles... Alberto Costa considerará um mais grave do que outro (mesmo antes do Julgamento) e chutará para canto...